Cidades

Segunda-Feira, 06 de Julho de 2020, 07h:08 | Atualizado: 06/07/2020, 18h:06

AMBIENTE SAUDÁVEL

Pandemia deve mudar o "jeitão" de Cuiabá e outras cidades no pós-Covid saiba mais

Arquitetos

Ana Cássia Abdala, Eduardo Chiletto, José Antônio Lemos e Cláudio Miranda são arquitetos de renome em Cuiabá: fizeram live sobre "cidade saudável"

Cuiabá e Várzea Grande não podem mais ser administradas por gestões apartadas, que não dialogam na rotina e ignoram o fato de serem separadas apenas pelo rio, sob pena de decisões não terem o efeito esperado. Esta é apenas uma das lições que a Covid-19 vai deixar, na perspectiva de arquitetos experientes da Capital. Eles fizeram uma live, na quinta (25), sobre como serão as cidades no pós-pandemia. A live foi promovida pela Academia de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso (AAU-MT).

Outra lição é que, em outra situação de pandemia, poderemos novamente precisar de isolamento social. E casas e apartamentos super pequenos, quase sem janelas, propagados nos últimos anos, não são adequados.

Como lavar as mãos é o principal protocolo de barreira ao “invasor invisível”, acesso à água se destaca como fundamental, no entanto 16% da população brasileira ainda não é beneficiada.

Esgoto e lixos tratados também são serviços que evitam centenas de doenças, inclusive contagiosas.

Ruas e avenidas largas, coletivos limpos e sem lotação, ciclovias, parques verdes, constam em sonho de cidades mais saudáveis.

Ex-secretário de Estado de Cidades, Eduardo Chiletto explica que as cidades, no formato que conhecemos hoje, foram forjadas ao longo de mais de 100 anos, influenciadas pelas revoluções industriais, desde a primeira, por volta de 1860, com a industrialização de produtos, até a quarta, ainda em curso, que traz a inteligência artificial, robôs e a convergência de tecnologias para a vida cotidiana. Ele ressalta que, além disso, crises sanitárias também influenciaram, historicamente, o “jeitão” delas.

Dayanne Dallicani/Arte/Rdnews

arte cidades pós-pandemia


        Como as cidades são?

A peste bubônica, segundo ele, forçou mudanças em toda a Europa então lotada de ratos, nos anos de 1300 adiante, e no Brasil, o Rio, no início do século passado, passou por reformas através dos médicos Osvaldo cruz e Miguel Pereira, sanitaristas pioneiros no estudo das moléstias tropicais.

A professora Ana de Cássia Abdala vê como um dos aspectos que deve se tornar cada vez menos aceitável é a insalubridade. Ressalta que, quando estoura uma pandemia desse porte da Covid-19, os mais vulneráveis são os mais atingidos, que não têm acesso à agua, esgoto e convivem com o lixo jogado em qualquer lugar, inclusive nos rios. “Ainda 16% da nossa população não tem acesso à água e 47% do esgoto não é tratado, a metade, isso é um absurdo, é por isso que nossos hospitais vivem lotados”.

Também participaram da live José Antonio Lemos, servidor de carreira no Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, o IPDU, de Cuiabá. Segundo ele, da forma como a Capital é hoje, além de outras cidades brasileiras, só podia dar em caos e colapso mesmo.

Já Claudio Santos de Miranda, doutor em urbanismo e mestre em engenharia ambiental, diz que gestores locais não valorizam planos diretores, que devem orientar a ocupação das cidades, respeitando a natureza e a memória cultural, visando ainda as necessidades dos moradores. "Das 38 cidades com mais de 20 mil habitantes em Mato Grosso, só 7 têm planos diretores. Isso é a completa negação deles", lamenta.

Sendo assim, ricos se protegem atrás dos muros e pobres sofrem, de forma mais intensa, os impactos sociais, como o da pandemia de Covid-19.

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Comentários (1)

  • celso | Segunda-Feira, 06 de Julho de 2020, 20h09
    1
    0

    Chilleto nunca fez nada além de desenhos no Auto Cad.

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