Cidades

Domingo, 14 de Junho de 2015, 08h:20 | Atualizado: 15/06/2015, 12h:58

DEMARCAÇÕES

Para Nambiquara, desenvolvimento "custa" a vida dos povos indígenas

Valérya Próspero/Rdnews

indigena José Angello Silveira Nambiquara (1).jpg

 José Nambiquara, militante da causa indígena, desenvolvemento econômicos não beneficia os menos favorecidos e a desigualdade social aumenta no Brasil

Precisamos respeitar os indígenas, mas não podemos transformar Mato Grosso num Estado improdutivo. Não podemos continuar criando e estendendo as áreas indígenas que aqui existem e fazer com que o Estado perca áreas produtivas e não possa mais gerar renda”. A avaliação é do deputado federal de Mato Grosso Fábio Garcia, mas que reflete a visão sobre a questão indígena no Congresso e por parte da população.

Um dos militantes das causas indígena, José Angello Silveira Nambiquara, da etnia Nambiquara, rebate essa visão. “Economia pra quem? O Brasil não é um país pobre. É um país rico. Só que essa economia não é para os brasileiros. Se fosse não tinha brasileiro pobre”, avalia.

Ele acrescenta ainda que o país defende uma economia e desenvolvimento por meio de multinacionais, mas a vida financeira brasileira está lá no lixo que a grande economia produz. “E nós índios temos que pagar isso com vida. É fácil alguém chegar e falar que a gente está atrapalhando”.

Para José Angello, os territórios indígenas são o pulmão do Brasil e do mundo e vai chegar um momento em que só haverá  água nesses territórios, e lembra que São Paulo já passa por um momento difícil sobre o tema. “São coisas que a economia não vai trazer. (...) A ciência, a economia, a tecnologia não fazem matéria-prima”.

O militante Nambiquara lamenta ainda que muitos metros cúbicos de água são gastos para serem usados para enriquecer os responsáveis pela economia. José Angello ainda acredita que o Congresso Nacional tenta dar um golpe nos indígenas e critica a gestão do PT. Segundo ele, a Funai é fracassada, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) está a caminho da terceirização, e o Legislativo que cria a PEC 215 não é acessível a todos.

Em sua avaliação, os autores da PEC 215 não veem a realidade do índio.  “A gente precisa de territórios. Para nós a vida não resume no seu trabalho, no seu salário e em questões corriqueiras no dia-a-dia. É meio ambiente, é cultura, é um monte de acontecimentos que envolvem a vida indígena”, lembra.

 Denúncia na ONU

José Angello lembra que a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) denunciou o descaso com as etnias no país durante o Fórum Permanente para Questões Indígenas da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), em abril. Lindomar Terena leu uma carta da Apib e a repercussão do pronunciamento virou debate.

 A PEC 215 transfere a prerrogativa de demarcações de terras indígenas,  quilombolas e criação de novas unidades de conservação do Poder Executivo para o Legislativo. Atualmente, a proposta está em debate em audiências e comissões do Congresso e divide opiniões. Da bancada de Mato Grosso, boa parte dos parlamentares são favoráveis.

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Comentários (1)

  • Eduardo Pranton | Domingo, 14 de Junho de 2015, 18h24
    3
    0

    O MPE e MPF precisam unir forças para investigar a ação de ONG s nacionais que recebem vultosas doações internacionais e ONG s internacionais dentro das aldeias indígenas matogrossenses que usam os índios para impedirem qualquer investimento em infraestrutura como usinas, rodovias e ferrovias. Atrás de um discurdo ambientalista há interesses escusos de países desenvonvidos em manter o subdesenvolvimento do Brasil, uma vez que o Brasil possui matéria-prima e mão-de-obra abundante.

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