Cidades

Sábado, 16 de Novembro de 2019, 16h:50 | Atualizado: 17/11/2019, 11h:16

Em Cuiabá

Parada da diversidade em Cuiabá luta pela inserção no mercado de trabalho - confira

No ano em que o movimento de luta pelos direitos LGBTQI+ completa 50 anos, a comunidade em Mato Grosso, se mobilizou nesta tarde (16), em Cuiabá, para celebrar mais uma edição da Parada da Diversidade Sexual. A manifestação alerta sobre a necessidade de inserção no mercado de trabalho. A organização estima a presença de 20 mil pessoas, que vão percorrer da praça Ipiranga até a Orla do Porto.

Neste ano a parada tem uma peculiaridade. Apesar de ser a 17ª edição, os organizadores decidiram não divulgar o numeral “17”, como forma de protesto ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), já que foi o número utilizado por ele durante a campanha eleitoral de 2018. A manifestação serve como oposição à ideologia conservadora e moralista do chefe da União, que já declarou publicamente em diversas ocasiões sua aversão aos direitos LGBTs.

Um dos organizadores do evento, Murilo Alberto, que é presidente da ONG Livre Mente, argumenta que o tema deste ano é pertinente, principalmente diante das reformas promovidas pelo Governo Federal, e que fragilizam ainda mais as relações de trabalho em meio à comunidade LGBT. “Muitas dessas reformas sequer atingem a comunidade, pelo fato de que existem muitos de nós que estão na informalidade”.

Murilo relata que além da exclusão do mercado de trabalho formal, o subemprego é uma realidade que persegue muitos membros da comunidade, principalmente, pessoas trans, que acabam sofrendo com mais intensidade os efeitos do preconceito.

“Existe mais desempregabilidade da comunidade LGBT do que em qualquer outra população. A discriminação acontece do ato de entrevista à permanência no emprego, quando ocorre a contratação. Outro fenômeno é que a maioria dos postos de trabalho para pessoas trans são com menor remuneração e carga horária mais extensiva”, aponta.  

Daniela Veiga, que é advogada, travesti e rainha da Parada, ressalta que 80% da população LGBT está no mercado informal sendo, que deste universo, pelo menos 90% são travestis e transexuais, que na maioria das vezes não concluiu o ensino médio e que não são contratados no mercado formal. “Este ano trouxemos este tema para mostrar que somos capazes de estar em qualquer profissão e ocupar qualquer cargo, independentemente da identidade de gênero ou da orientação sexual. A população LGBT para ser empregada precisa comprovar o dobro de sua capacidade e muitos precisam se colocar dentro do armário para assegurar nas empresas que trabalham, pois se assumirem, são demitidos”.

O deputado Lúdio Cabral (PT), que participou da Parada em 2018, também marcou presença nesta edição.”Estou muito feliz de estar aqui. Há um ano atrás estivemos aqui na condição de candidato a deputado estadual, para nos apresentar a vocês. E hoje estou muito honrado, depois de nove meses e 16 dias de exercíciodo nosso mandato. Feliz em encontrar mães, filhos, irmãos e irmãs nesta alegria toda. Nosso mandato na Assembleia é de vocês. Todas as nossas ferramentas estão e estarão à disposição de vocês”.

A deputada federal Rosa Neide (PT) também marcou presença na Parada. Ao discursar, se colocou à disposição do movimento LGBT, e defendeu o direito de igualdade. "Eu defendo essa causa e entendo que todas e todos devem ficar inclusos, devem ter seu direito ao trabalho, a vida e ao lazer".

50 anos de movimento

O início da luta pelos direitos LGBT começou em 1969, nos Estados Unidos, após um ato de resistência em um bar frequentado por homossexuais, chamado Stonewall Inn, em Nova York. A época era marcada por forte repressão policial. Os agentes quando chegavam aos locais considerados guetos gays, repeliam os frequentadores. Mas em 28 de junho daquele ano, os frequentadores daquele bar não aceitaram mais a repressão e não fugiram quando os policiais chegaram ao local.

A resistência resultou em 13 pessoas presas e cinco dias de manifestações. Um ano depois, a Parada da Libertação, reuniu 10 mil pessoas em Nova York, e com isso, o movimento começou a se espalhar pelo mundo, chegando ao Brasil em pleno período de Ditadura Militar, em 1978.

A primeira parada da diversidade foi realizada em São Paulo (SP), em 1997. Em Cuiabá, a primeira parada gay foi promovida em 2002 pela ONG Livre Mente, mas já na década de 90, algumas festas LGBT protagonizavam a luta do movimento na Capital.

Atualmente a parada da diversidade sexual em Cuiabá é organizada, além da Livre Mente, pelo Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual, Conselho Municipal da Juventude, coletivo Mães pela Diversidade e Conselho Estadual de Educação.

Galeria de Fotos

Credito: Reprodução
Deputada federal Rosa Neide também apoiou movimento LGBTI+
Credito: Airton Marques
Público exibe bandeira do arco-íris, símbolo do movimento LGBTI+
Credito: Airton Marques
Tema da Parada LGBTI+ 2019 é relacionado ao mercado de trabalho
Credito: Airton Marques
Bandeira do arco-íris tremula na Parada LGBTI+ de Cuiabá
Credito: Airton Marques
Grande público lota Praça Ipiranga
Credito: Airton Marques
Deputado Estadual Lúdio Cabral discursa na Parada LGBTI+

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Comentários (1)

  • jj | Segunda-Feira, 18 de Novembro de 2019, 08h05
    1
    2

    petistas aproveitam agora

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