Cidades

Terça-Feira, 21 de Maio de 2019, 18h:41 | Atualizado: 22/05/2019, 09h:21

CIÊNCIA

Pesquisadores da UFMT tentam patentear produto que mata larvas do Aedes aegypti

Gilberto Leite

Mosquito, dengue, zika, chikungunya, aedes aegypti - ufmt

Pesquisa realizada na UFMT demonstra que compostos matam 100% das larvas do inseto em poucos minutos

Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) solicitaram ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) o registro de patente do produto desenvolvido de combate ao Aedes aegypti. Ao todo, foi reivindicado o uso de quatro moléculas derivadas do indol que, quando diluídas em água, são capazes de eliminar o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya durante a sua fase larval.

Em Mato Grosso, o registro de casos de dengue aumentaram em diversos municípios do interior em comparação com 2018. Só em Água Boa, por exemplo, o número de casos cresceu de quatro no ano passado para 165 em 2019. Cuiabá e as demais cidades mato-grossenses estão em um nível de infestação considerado de risco, segundo Ministério da Saúde.

As quatro moléculas já são conhecidas por outras atividades biológicas. Mas o grupo de pesquisa da UFMT propõe o novo uso como larvicida. Os resultados da pesquisa demonstram que estes compostos matam 100% das larvas do inseto em poucos minutos e são eficientes mesmo em baixas concentrações.

A substância mantém ainda sua atividade larvicida por até 30 dias. O produto é ecologicamente amigável, ou seja, atinge seletivamente larvas do mosquito Aedes aegypti. Além disso, pode ser utilizado tanto em ambientes já contaminados, quanto para a prevenção.

Os compostos foram descobertas a partir da pesquisa de doutorado da pesquisadora Janaina Rosa de Souza, que ainda deve concluir sua tese sobre o assunto. Ela é orientada pelo professor e pesquisador Marcos Antônio Soares, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade. As substâncias foram sintetizadas pelo mestrando Bruno Rodrigues Fazolo, do programa de Pós graduação em Química, que é orientando do professor Lucas Campos Curcino Vieira, da Faculdade de Engenharia do campus Várzea Grande.

De acordo com Marcos, a UFMT tem em mãos uma ferramenta importante para ser inserida na cadeia de controle ao Aedes aegypti. “Com este produto, é possível eliminar a fase larval de um inseto causador de diferentes doenças”, afirmou.

O produto é eficiente, pois atinge o mosquito durante a sua forma mais sensível. Mas o pesquisador afirma que o controle da população não é eficaz com apenas um mecanismo de combate. “Nós desenvolvemos uma ferramenta extremamente eficiente para ser utilizada simultaneamente com outros métodos. É importante que tenhamos um controle para eliminar a fase adulta do inseto e que cada um dos cidadãos faça a sua parte”.

Conforme a pesquisadora Janaina Rosa de Souza, o interesse de propor o uso de substâncias larvicidas, que controle a população do mosquito, surgiu a partir do princípio de eliminar um inseto vetor de três doenças infecciosas, sendo capaz de gerar um impacto direto na melhoria da saúde pública.

“A ferramenta foi desenvolvida pelo elevado número de casos de doenças causadas pelo vetor, tanto em nível estadual como nacional. Deste modo, resolvemos buscar novos compostos e moléculas que fossem eficientes como larvicidas para controlar o crescimento destes insetos”, afirmou.

No Brasil, os casos de dengue cresceram 339% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. O primeiro Levantamento Rápido de Índices de Infestação (LIRAa) de 2019 indica que 994 municípios podem ter surto de dengue, zika e chikungunya (Com Assessoria)

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