Cidades

Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2020, 07h:20 | Atualizado: 28/09/2020, 08h:56

EDUCAÇÃO ESTADUAL

Professores querem ano letivo dado como "perdido" e expõem conversas com alunos

"Por que você não fez a tarefa?" - cobra o professor pelo WhatsApp. "Porque passei a semana no sítio e cheguei hoje", responde o aluno. "Tudo bem, faz agora", rebate. Nisso, a menina manda uma foto, com material de limpeza ao lado, e informa que está assistindo aula, enquanto faz faxina em casa.

Corta!

Um outro professor questiona o aluno. "Você está sem acesso ao teams (plataforma usada pela Seduc para aulas virtais)?" O aluno manda print do sistema fora do ar. "Já até desisti, vou pegar apostila (outra forma de acompanhar as aulas)". Este é o caso de um aluno considerado "excelente", se mostrando frustrado por não ter wifi.

Corta!

"Você não me enviou as respostas?" - pergunta a professora. "To indo (sic)", responde o aluno e, em seguida, manda duas fotos de textos escritos à mão, de lápis, impossíveis de ler.

aulas remotas

No 1º print, aluna conta que está assistindo aula e fazendo faxina ao mesmo tempo. No 2º, que está sem wifi e, no 3º, manda foto de dois textos ilegíveis

Conversas entre professores e alunos pelo WhatsApp, da rede estadual, expõem uma série de dificuldades que têm enfrentado, nas aulas remotas devido à pandemia. Docentes afirmam, em uma avaliação realista, que o aprendizado, neste período, ficou muito comprometido, ao ponto de questionarem se o ano deveria ser validado ou não. Desde 23 de março, devido à pandemia, o governo tem ofertado conteúdo não presencial, mas apenas a partir de 3 de agosto elas passaram a ser contabilizadas no ano letivo - veja detalhes sobre o retorno das aulas e planejamento da Seduc.

Após diversos debates sobre isso, o Sintep, que é o sindicato da classe, formalizou, este mês, junto ao Governo um pedido de consideração desta verdade incômoda e que dê o ano letivo como "perdido". Porém, de acordo com o presidente da entidade, Valdeir Pereira, a tendência é que "feche os olhos", tanto é que a possibilidade de retorno das aulas presenciais foi discutida por diretores e representantes da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), em reunião por webconferência, esta semana, na quarta (23). "É a política do faz de conta", critica o sindicalista.

Segundo ele, os alunos das divesas séries não assimilaram, de forma coletiva, o que preveem as diretrizes curriculares. Além disso, apesar da classe estar trabalhando demais, exausta e estressada com tantos contratempos, os resultados são preocupantes.

aulas remotas

 

Muitos problemas

Professora de História da Escola Estadual João Briene de Camargo, no bairro Lixeira, em Cuiabá, Marivone Pereira, é também vice-presidente do Sintep, na sub-sede da Capital. Ela ressalta que, além do problema tecnológico - de acesso limitado a computador e celular e a internet estável e rápida - tem ainda a questão econômica, que impactou muito no ensino-aprendizagem.

Como ela leciona no Ensino Médio, maioria dos alunos é adolescente e teve que trabalhar, nesta pandemia, para ajudar em casa.

Diante de todas essas questões, notou imenso esvaziamento das salas.

"Fala-se em um terço de presença em sala (virtual), mas nas minhas turmas não verifiquei nem isso na prática, não dá nem 30%".

Com o Enem se aproximando, vê enorme desigualdade na disputa por vagas nas universidades entre alunos da rede pública e privada. E lamenta o processo excludente dos que frequentaram poucas aulas, usando muitas vezes dados móveis, saindo da aula quando acaba o crédito, sem sistema para uma plataforma pesada.

As aulas dela transcorrem mais pelo WhatsApp, do que pela plataforma ou através de apostilas. Alunos da zona rural, segundo resalta, estão mais prejudicados ainda.

Para ela, a avaliação da apredizagem irá passar por todas essas problemáticas.

"Sabemos que a pandemia exige o isolamento social e que as aulas remotas são necessárias, mas o que queremos é que os gestores reflitam sobre essa situação, nesse prejuízo educacional", diz Marivone.

Alunos especiais, um drama a mais

A artesã Beyza Aparecida, 39, é mãe de um rapaz que está no 3º ano do Ensino Médio. Ele é cego. Nasceu prematuro e com 4 meses de idade veio o diagnóstico oftalmológico. Desde então, ele vem tendo o desenvolvimento escolar normal. Agora, com as aulas remotas, o processo para ele tem um agravante. Precisa de apoio de alguém para ler textos e outras informações repassadas, senão fica perdido. Antes da pandemia, a mãe o levava à escola, trabalhava e tirava a tarde para ajudá-lo. "Minha rotina mudou e a dele também. Vamos levando, mas ele não quer fazer Enem, não se sente preparado. Medo de chegar na hora da prova e se frustrar".

Faltam professores

Outro problema que se soma a tudo isso é a falta de professores. O déficit, que de acordo com o Sintep é de 1500 vagas abertas, ocorre porque, em ano eleitoral, fica vetada a contratação, seis meses antes, seis meses depois, do pleito.

Em uma escola estadual da região Sul, diretora assegura que está sem 5 professores e isso tem dificultado tocar as aulas normalmente com toda essa vacância.

Presidente do Sintep, Valdeir Pereira, critica isso e diz que ou é falta de organização ou má fé, para economizar dinheiro, em cima dessa questão. 

Rodinei Crescêncio

Marioneide Kliemaschewsk

Secretária Marioneide acredita que seja possível recuperar tais perdas

Outro lado

Em vídeo exposto no youtube de reunião feita com diretores da rede estadual a secretária Marioneide Kliemaschewsk reconhece que a aprendizagem ficou comprometida este ano. "A pandemia nos trouxe uma realidade diferente, necessidades diferentes, diante das inúmeras limitações, não conseguiremos desenvolver a mesma aprendizagem, que dito em ano normal, o que na realidade isso já não vem acontecendo desde 2018, porque 2019 também não foi um ano normal, decorrente da greve, e 2020, da pandemia. Ou seja os desafios que veem pela frente com relação à recuperação da aprendizagem são imensos".

Porém em resposta ao , nega "caos no ensino remoto" e descarta totalmente considerar o ano perdido. "É importante entender que a pandemia nos trouxe para um momento de reflexão para os valores da vida e o primeiro valor da vida é a própria vida".

A secretária diz ainda que "caos" seria perder vidas de alunos para Covid e alega que haverá um grande plano para retomada das aulas, com aval das autoridades da saúde. Perdas na aprendizagem serão, segundo ela, recuperadas.

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Comentários (14)

  • Alexandre da Silva | Quinta-Feira, 01 de Outubro de 2020, 08h48
    5
    2

    Dar o ano como perdido é ridiculo. Mas pelo menos não vão jogar nas costas dos professores o insucesso dos nossos alunos. É facil paga o governo falar se vira, mas e para o professor como se virar sem ter internet? Computador, local apropriado, muitos tem familia e os filhos estao em casa...

  • Prof Paulo | Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2020, 22h40
    13
    1

    Professores querem ano perdido? Pelo contrário, não queremos é faz de conta. Se vcs fazem reportagem que 65% ñ acessou a tal plataforma, se há os que acessaram a plataforma mas ñ acompanham aula por falta de internet ou outros motivos, apostilas impressas entregues p poucos alunos e muitos ñ devolvem ou devolvem em branco, como dizer q é o professor q quer ano perdido?

  • Ovo | Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2020, 22h33
    10
    1

    Qto à falta de empatia para c a educação e educadores, já sabemos quem são. Qto a Dr Alice Albuquerque, nota-se em sua escrita que passou longe de um doutoramento e sempre faz o mesmo comentário com pseudônimos diferentes. Me parece que deve ser um 'guardião', como o do Crivela.

  • MR. BREAD´S | Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2020, 16h23
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    3

    OBSERVAMOS COMO PAIS DE ALUNOS que o interesse na volta das aulas presenciais haja mais interesse aos fornecedores de merenda escolar, afinal, há muitos fornecedores se enriquecendo a custas das escolas, e fechada, deve estar difícil. Inclusive me falaram que os fornecedores de lanches(pão, bolos e etc) nas escolas possuem parentes dentro da SEDUC, SE PROCEDE OU NÃO, CABERIA AO MP AVERIGUAR. VAMOS mais longe, dai maginei porque são sempre os mesmos que fornecem produtos panificados. MUDAM OS GALHOS, mas a raiz é a mesma. E AÍ MINISTÉRIO PÚBLICO.....vou colocar meus filhos em risco e a seus professores para enriquecer um grupelho!!!!

  • DILDIDI | Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2020, 16h15
    15
    2

    Com todo respeito à Dra. Alice Albuquerque(aliás, gosto da sua rebeldia) que GENERALIZA os profissionais da educação em vários aspectos. Uma pena, primeiro é falar de sua vizinha, DEPOIS OU MELHOR NA MESMA LINHA afirmar que TODOS OS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO ficam em casa assistindo NETFLIX E TOMANDO VINHO DO PORTO. Bem, não sei a quais profissionais se refere, mas alguns não possuem NETFLIX E MUITO MENOS SÃO ADEPTOS A BEBIDAS ALCOÓLICAS. POSSO PERCEBER QUE A SUA AVALIAÇÃO DE BOM GOSTO NÃO É LÁ DAS MELHORES. Então, DRA...... BEM SEI QUE NO SEU CÓDIGO DE ÉTICA NÃO INCLUI INJÚRIA E DIFAMAÇÃO E MUITO MENOS O GOSTO A VINHOS LICOROSOS!!!! NÃO GOSTO DE QUAISQUER BEBIDAS ALCOÓLICAS, MAS SE CONHECERES MELHOR UMA CARTA DE VINHOS PODERÁ AMPLIAR SEUS HORIZONTES.

  • Dra Alice Albuquerque | Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2020, 15h39
    5
    42

    Professores parasitas querem que suspenda ano? Entao corta salários desses sanguessugas que recebem pra ficar em casa assistindo Netflix e tomando vinho do Porto. Minha vizinha é professora. Tá gorda de cachaça e NETFLIX até de madrugada.

  • Ana | Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2020, 10h50
    37
    6

    Parem de achar que o problema são os professores, seu bando de ignorantes. O problema da educação é o ESTADO. O Governo Mauro Mendes e tantos outros NUNCA fizeram investimentos adequados para a educação. Entre em uma escola pública e veja a situação até insalubre que os alunos ficam.

  • . | Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2020, 10h43
    17
    21

    E o salário, é dado como perdido também? Conversa irresponsável.

  • GERMANO | Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2020, 10h30
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    Interessante que aplicamos o Proed on line em 14 municípios do interior onde o sinal da Internet é ruim mas temos a participação em massa dos alunos e professores, enquanto que na capital onde o sinal é melhor não temos a participação dos professores oque inviabiliza a presença dos alunos.

  • Eduardo | Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2020, 10h21
    13
    18

    Até hoje não se percebeu nenhuma proposta por parte dos educadores para a volta às aulas. Está muito cômodo se preocupar com a pandemia somente na hora de trabalhar...

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