Cidades

Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 18h:20 | Atualizado: 18/07/2019, 10h:05

Reitora afirma que UFMT tem dívida de R$ 5 milhões com Energisa e rebate ministro

Vinícius Lemos

Reitora Myrian Serra UFMT

Reitora  Myrian Serra nega que o corte de energia tenha sido  causado por falta de gestão

A reitora da UFMT, Myrian Serra, revelou, na tarde desta quarta (17), que a Universidade tem dívida de R$ 5 milhões com a Energisa. O montante foi renegociado e está sendo quitado aos poucos. Segundo ela, a energia elétrica foi cortada na instituição, na terça (16), em razão da falta de repasse do Ministério da Educação (MEC) para o pagamento de uma conta atrasada.

De acordo com Myrian, as dificuldades para o pagamento das contas de energia elétrica da UFMT começaram em 2015, quando o Governo Federal retirou a isenção fiscal das contas dos órgãos públicos.

"Entramos 2016 pagando energia com atraso e juros", disse a reitora. Desde então, os valores das contas subiram, em virtude do fim da isenção fiscal e também por conta da expansão da Universidade. "Hoje, usamos muito mais energia", declarou.

Ela relatou que a Universidade teve despesa de energia elétrica de R$ 7 milhões durante todo o ano de 2014. Em 2019, a estimativa é de que os gastos no mesmo setor cheguem a R$ 21 milhões. "Em cinco anos, triplicamos os gastos com energia", declarou.

"Não estamos satisfeitos com esses gastos e há medidas para reduzir o uso de energia elétrica na instituição", pontuou. Myrian disse que há projetos como uso de energias renováveis na unidade de ensino, mas ainda são iniciativas incipientes.

Desde 2016, segundo a reitora, os atrasos nos pagamentos das contas de energia se tornaram ainda mais constantes. Em razão disso, representantes da UFMT e da Energisa se reuniram em março do ano passado para negociar os valores que não haviam sido pagos. “Até o terceiro mês de 2018, não tivemos condições de pagar nenhuma conta do ano. Começamos a negociar, a pagar a fatura de um mês e mais determinado valor correspondente a contas atrasadas”, declarou.

Mesmo com a renegociação, Myrian revelou que as dificuldades de pagamentos das contas pioraram no fim do ano passado. “Quando chegou novembro e dezembro, não conseguimos mais pagar energia”, relatou. Ela afirmou que as dificuldades financeiras foram piores no ano passado, pois o Ministério da Educação repassou 95% do recurso previsto inicialmente para a instituição.

No início deste ano, houve uma nova renegociação. A dívida da universidade com a Energisa foi avaliada em R$ 5 milhões, que deverão ser quitados até outubro de 2020, quando termina o mandato da reitora. 

Neste ano, Myrian acredita que a situação financeira da universidade será pior, porque o Governo Federal sinalizou que deverá repassar somente 80% do valor previsto para o orçamento anual da universidade.

O corte de energia

Segundo Myrian, o corte de energia na manhã de terça – a luz foi retomada somente no fim da tarde – se deu porque o Ministério da Educação não repassou os valores referentes ao pagamento de junho: R$ 1,5 milhão da conta e R$ 300 mil do pagamento de parcela da dívida com a Energisa.

Ela rebateu as afirmações do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que questionou, após o corte de energia elétrica, o fato de ter repassado R$ 4,5 milhões para a UFMT na última sexta (12). Segundo a reitora, o montante repassado pelo Ministério foi entregue em forma de limite de empenho e ainda não estava disponível. "É como passar um cheque. Não tínhamos possibilidade de usar esse dinheiro", argumentou.

Em razão de o dinheiro ainda não ter sido disponibilizado, a reitora contou que representantes da UFMT precisaram solicitar que o Ministério da Educação liberasse R$ 1,8 milhão do montante, na terça, para pagar a conta de energia elétrica.

"Ontem, no início da tarde liberaram o recurso. Como o valor é alto, não conseguiram para ainda ontem, porque o Banco do Brasil só aceita pagamento até R$ 1 milhão. Então, só conseguiríamos pagar hoje. Mas nos reunimos com a Energisa, mostramos que tínhamos o dinheiro e religaram as luzes nos campi", declarou.

"Não fiz má gestão"

Myrian respondeu às críticas do ministro, que afirmou que ela faz uma má gestão na Universidade. “Particularmente, me considero uma boa gestora. Temos dado conta de fazer uma gestão eficiente, para garantir o ensino, pesquisa e extensão de qualidade, mesmo com cortes orçamentários e sem previsibilidade de quando vamos receber recursos financeiros”.

Ela criticou a atual gestão do MEC. Isso porque, segundo a reitora, não há mais datas para os repasses feitos às instituições federais. “Até o ano passado, a gente tinha data pra saber quando o recurso chegava. Neste ano, não sabemos quando o MEC vai liberar o dinheiro, nem quanto será liberado”, pontuou.

A reitora relatou ainda que irá solicitar ao Ministério da Educação a liberação urgente dos R$ 2,7 milhões do empenho do MEC da última sexta. Segundo a reitora, o valor será usado para quitar outras dívidas da universidade, como no pagamento de terceirizados da segurança e da limpeza. Ela declarou que a universidade iniciou o ano com dívida de R$ 14 milhões -  o valor não inclui as pendências com a Energisa.

Após o pagamento da conta de energia elétrica, Myrian revelou que a universidade não tem recurso para fazer nenhum pagamento, enquanto não houver novo repasse do Ministério da Educação. A expectativa, conforme a reitora, é que o MEC repasse 40% da verba anual da instituição nas próximas semanas.

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Comentários (2)

  • Bolão | Sexta-Feira, 19 de Julho de 2019, 16h23
    1
    0

    Tertuliano é muito fácil resolver esse problema, é só retirar o Bozo e seu Vice e fazer novas eleições com Lula livre! Fora Bozo e toda a sua corja!

  • Tertuliano | Quinta-Feira, 18 de Julho de 2019, 08h39
    7
    11

    É muito fácil resolver o problema, é só impitimar essa petralha e eleger um reitor de direita. A cachorrada do PT ñ fez outra coisa senão acabar com o Brasil.

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