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Domingo, 16 de Fevereiro de 2020, 08h:15 | Atualizado: 16/02/2020, 21h:42

CUIABÁ

Rio sobe mais de 1,5 m em 7 dias e deixa cerca de 5 mil famílias ribeirinhas alertas

Rodinei Crescêncio

Régua rio Cuiabá

Régua é referência para a Defesa Civil, pois marca o sobe-desce do rio Cuiabá. Quando o volume amenta muito, é preciso emitir sinal de alerta a ribeirinhos

Em seis dias, o volume do rio Cuiabá saltou de 90 centímetros na margem para 2,44 metros com o início das chuvas, desde o dia 7 de fevereiro. Conforme medição realizada pela Defesa Civil na quinta (13), a marca de 2,5 metros já havia sido atingida. Apesar do aumento rápido e considerável, o órgão ressalta que a situação ainda é vista com normalidade e não representa riscos para os ribeirinhos.

Aproximadamente, 5 mil famílias moram em locais de risco na Capital, sujeitos a enchentes ou alagamentos, de acordo com o coordenador da Defesa Civil, Paulo Selva. Um levantamento divulgado pelo órgão em junho de 2019, aponta que 1,5 mil casas estão construídas em áreas consideradas como de risco. 

Conforme a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), o limite de tolerância para alerta no rio Cuiabá é de 8,5 metros. Em outros municípios de Mato Grosso cortados pelo rio, a situação também está dentro da normalidade. O coordenado ressalta que, até domingo (16), a previsão é de chuvas moderadas e fracas todos os dias, que pode acarretar em acúmulo. 

"Neste mês de fevereiro, estamos com cerca de 142 milímetros de chuva previstos, dentro de uma média de 220 milímetros no total. Ainda estamos aguardando para conseguirmos afirmar que está dentro da normalidade para o período. Janeiro e dezembro foi abaixo", assegura. 

Apesar da previsão, chuvas fortes não devem acontecer nos próximos dias e o nível do rio Cuiabá não representa riscos de enchente que possam afetar a população ribeirinha, que moram em áreas catalogadas como de risco pela Defesa Civil. 

Paulo diz que, até o momento, o órgão não tem conhecimento de famílias que moram nas proximidades do rio Cuiabá que tiveram as casas invadidas por enchentes. De acordo com ele, o último levantamento realizado pela Defesa Civil, registrou, aproximadamente, 760 hectares sujeitos a inundações ou alagamentos. 

"Temos esse levantamento, que precisa ser atualizado. Somando com outros tipos de áreas ocupadas, sob linhões de alta tensão, por exemplo, temos em torno de 5 mil famílias que provavelmente podem ser atingidas por enchentes", disse. 

Conforme o coordenador, mesmo antes de que o nível de alerta do rio Cuiabá seja atingido, a Defesa Civil, emite comunicados através da imprensa, por exemplo. Ele explica que o monitoramento das chuvas é feito de duas formas, que levam em consideração o nível do rio e o volume de chuvas durante o mês. 

"São duas métricas diferentes usadas pela Defesa Civil, a régua, que fica no rio Cuiabá nos dá informações a respeito da quantidade de água que o rio absorve das chuvas ao longo da sua bacia hidrográfica. O segundo passo é monitorar o quantitativo de chuvas em determinado período, usamos 30 dias". 

Rodinei Crescêncio

Régua rio Cuiabá

Outra forma de observar se o rio está subindo é olhando pilares das pontes em relação ao asfalto. As água vão engolindo também a vegetação marginal

Diferença entre enchentes, alagamentos e enxurradas

Paulo ainda ressalta que é importante sempre diferenciar alagamentos e enchentes. Ele explicou que, enchentes acontecem a partir do processo de urbanização nas margens de um rio, em épocas de chuvas fortes e de grande volume, o rio tende a encher, ocupando novamente seu padrão. 

"Nas áreas urbanizadas as pessoas ocupam essas áreas e acontece o fenômeno dos alagamentos e das inundações. Tornam-se áreas de risco por conta disso", alertou. 

Já os alagamentos acontecem quando a canalização de perímetros urbanos ou periferias não suportam escoar a água de maneira natural, uma das razões para que isso acontece é o descarte de lixo em vias públicas ou bueiros. "O alagamento pode ocorrer em duas situações: uma chuva forte, em que a capacidade de escoamento é suprimida e a falta de educação ambiental". 

De acordo com ele, pontos de alagamento podem ser extremamente perigosos para a população. A Defesa Civil alertou para situações em que pedestres tentam atravessar áreas de risco. Nesses casos, não é possível saber a profundidade de um buraco ou bueiro, fazendo com que a pessoa possa ser "sugada" ou arrastada. "As enxurradas são chuvas fortes e concentradas, que atingem alta velocidade em áreas de declive. A força pode ser destruidora", finaliza.

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