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Sexta-Feira, 15 de Novembro de 2019, 07h:11 | Atualizado: 15/11/2019, 07h:20

Se Justiça dos homens falhar, Ledur vai se entender com Deus, afirma pai de Rodrigo

Arquivo Pessoal

Rodrigo Claro

Rodrigo concentrado antes de entrar na Lagoa Trevisan (acima)

Minutos antes de entrar na água, em um treinamento militar, o aluno bombeiro Rodrigo Claro, aos 21 anos, se concentrou. Não sabia nadar e estava com medo. O teste era fundamental para entrar na corporação. Ao mergulhar na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, teve dificuldades e, por isso, sofreu afogamentos sequenciais e humilhações verbais, de acordo com relatos de testemunhas. Era 10 de novembro de 2016. Cinco dias depois, ele morreu de AVC em uma UTI hospitalar. Nesta sexta (15), fazem três anos de morte do rapaz.

A acusada de agredi-lo é a tenente Isadora Ledur, que já foi isentada de culpa no âmbito administrativo, em que respondeu por maus tratos. E agora tenta se livrar de uma ação penal, na qual aparece é suspeita de ter praticado tortura.

Na ação penal, conta com um laudo pericial que não indica ligação entre supostos excessos no treino e o AVC. Devido à importância desse documento, a tendência, na opinião da família, é que tenha êxito e escape de qualquer punição.

Arquivo Pessoal

Rodrigo Claro

Ainda criança, Rodrigo era "xodó"

Porém, o pai de Rodrigo, Antônio Claro, acredita que, se a Justiça dos homens, na opinião dele, falhar, Ledur terá que prestar contas a Deus. “Ela está sendo julgada pelo humano, então tudo pode acontecer. Mas, com Deus não é assim”.

Ledur respondeu administrativamente pelo episódio na Lagoa Trevisan e a corporação entendeu que não havia provas de maus tratos no treino. A ação penal está em fase de instrução e tramita na 11ª Vara Militar. Na última audiência, foi interrogado o médico que assina laudo pericial da morte e que é testemunha comum da defesa e acusação.

Na próxima fase, Ledur será ouvida e, inclusive, já foi convocada para isso mas segue conseguindo o adiamento, alegando estar de licença médica, devido à depressão, ou dando outras explicações.

ledur

Tenente Isadora Ledur responde processo na 11ª Vara Militar por tortura

Na carreira militar, o prejuízo que ela sofreu desde aqueles dias, entre 10 e 15 de novembro de 2016, é que não conseguiu ser promovida a capitã. Um dos critérios exigidos para tal é não responder a nenhum processo. Com isso, ela vem perdendo adicionais salariais por todo esse tempo.

A família vê demora no trâmite do caso e diz que isso abala emocionalmente pai, mãe, irmãos do rapaz, os avós, outros parentes e amigos. “O caminho é longo, porém, temos encontrado muita força em Deus. E, apesar de toda manobra jurídica, que a defesa da ré vem praticando com intuito de ganhar tempo, estamos preparados para o enfrentamento”, comenta o pai.

 

Quando vai chegando o dia de aniversário de morte de Rodrigo, a mãe dele, Jane Claro, que vem tentando superar a perda nestes 3 anos, fica pior. Chora mais do que o comum e trêmula a voz para falar. “Tento ser forte, para ajudar meu marido, meus filhos, meus pais, mas meu emocional está abaladíssimo. Vivo fingindo estar bem, ser forte, fingindo um sorriso, quando na verdade a vontade é de chorar, de me isolar do mundo”.

O desafio da família, hoje em dia, é não deixar a morte de Rodrigo cair no esquecimento ou na impunidade.

Para marcar a data, será realizada missa neste domingo (17) às 8h, na Capela São Sebastião, em Sinop (a 500 km de Cuiabá), onde mora a família, que é católica. Rodrigo está enterrado no Cemitério Jardim da Saudade. No Dia de Finados, 2 de novembro, o túmulo recebeu flores e orações.

Rodinei Crescêncio

Pai e m�e de Rodrigo Claro acompanham oitiva

Jane e Antônio Claro, mãe e pai de Rodrigo, acompanhando uma das oitivas no processo judicial que tramita contra a tenente Isadora Ledur, na 11ª Vara

Outro lado

O advogado de Ledur, Wendel Holin, questionado sobre o andamento do caso, disse apenas que "a defesa vai continuar com sua atuação técnica, no bojo do processo penal, com respeito às partes e ao devido processo legal."

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Comentários (3)

  • Jorge Jesus | Sexta-Feira, 15 de Novembro de 2019, 13h33
    8
    1

    Depois do que aconteceu no julgamento da grampolândia, aonde todos os culpados foram absolvidos de maneira covarde pela justiça militar, não dá pra acreditar que irão fazer justiça no caso Rodrigo Claro.

  • Obama | Sexta-Feira, 15 de Novembro de 2019, 11h49
    5
    2

    Justiça de DEUS, essa é justa e nunca falha.

  • waldomiro lopes | Sexta-Feira, 15 de Novembro de 2019, 11h44
    6
    1

    TODOS NÓS TEMOS CONTAS A PRESTAR COM DEUS, DÉSSA NINGUÉM ESCAPA.

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