Cidades

Segunda-Feira, 10 de Junho de 2019, 10h:27 | Atualizado: 10/06/2019, 16h:08

Sem ônibus nas ruas, preço dos apps de transporte vai nas alturas em Cuiabá e VG

Reprodução/Instagram

Jefferson Felipe

Auxiliar administrativo Jefferson Felipe, que não conseguiu ir ao trabalho na manhã de hoje

O auxiliar administrativo Jefferson Felipe, 24 anos, não conseguiu sair de casa e chegar ao trabalho, após os motoristas do transporte coletivo da Grande Cuiabá pararem os trabalhos na primeira hora desta segunda (10). Ele mora em Várzea Grande, mas atua em um escritório administrativo em Cuiabá. Chegou a ir para o ponto de ônibus para esperar o intermunicipal, mas, depois de aguardar por 1h20, voltou para casa, solicitou um motorista por aplicativo e ficou sem saber o que fazer quando viu o valor da corrida.

“O valor está muito alto. Está um preço absurdo! A empresa me aconselhou a esperar um pouco e ver se diminui o preço para ficar mais aceitável e pagar”, afirma Jefferson ao comentar que os preços, nesta manhã, variavam de R$ 40 a R$ 70 em corridas que custam normalmente de R$ 20 a R$ 25.

Muitos cuiabanos e várzea-grandenses tiveram que recorrer aos aplicativos de corrida, principalmente a Uber, para chegar ao trabalho ou nos compromissos. No entanto, a tarifa da viagem mais do que dobrou e os valores variavam de R$ 50 a R$ 100 no horário de pico desta manhã.  É o chamado preço dinâmico.

Ele entra em cena quando a demanda por viagens aumenta, e o número de motoristas não é suficiente para atendê-la. Assim, o aplicativo criou um mecanismo que faz variar os valores das corridas nestes momentos. Ele só volta ao normal quando mais motoristas passam a dirigir e o número de solicitações cai.

As empresas de transporte coletivo pararam após falta de pagamento dos salários dos profissionais. Eles alegam que o problema se arrasta há seis meses. Os trabalhadores e as empresas fizeram um acordo coletivo que previa o pagamento do salário no quinto dia útil de cada mês.

Em nota, a Associação Mato-grossense dos Transportes Urbanos (AMTU) destacou que as empresas quebraram devido ao “sobe e desce” da tarifa de ônibus. Pontua que os empresários estão com problemas financeiros e tentam viabilizar o recurso necessário para o pagamento. O salário deveria ter sido pago na última sexta (7).

No início desta manhã, o passou por Várzea Grande e Cuiabá. Os pontos de ônibus estavam vazios na Capital, enquanto trabalhadores e pessoas lotavam as paradas na cidade industrial. Os passageiros ouvidos pela reportagem relataram que esperaram de 20 minutos a mais de uma hora pelo coletivo.

Como Jefferson, a doméstica Osvaldina Agripina da Silva, 55 anos, também depende da boa vontade dos patrões para chegar aos condomínios do Alphaville, no bairro Jardim Itália, onde trabalha. Ela chegou antes das 6h no ponto de ônibus, no bairro CPA 4, para pegar a linha 330, da Pantanal Transportes, e ainda aguardava pelo veículo por volta das 7h. “Não passou nenhum ainda”, disse.

Até o momento em que conversou com a reportagem do , Osvaldina ainda não sabia o que fazer. Ela ficou esperando pelo ônibus, enquanto tentava articular uma corrida por táxi ou motorista por aplicativo com a patroa. Caso não consiga, ela disse que vai ter que voltar para casa.

Allan Pereira

Greve de �nibus

Nesta manhã, alguns pontos de ônibus na Capital estavam vazios, por conta da paralisação

Apesar dos transtornos, Jefferson e Osvaldina não condenaram por completo a atitude dos motoristas. “Ninguém trabalha sem receber!”, exclama a doméstica. Já o auxiliar administrativo pontuou que os funcionários tem que receber seus salários, pois eles têm família e contas para pagar.

“O que não é justificável é a empresa dizer que não tem dinheiro para pagar devido ao sobe desce do valor da passagem. É a mais cara do país. Isso não condiz muito”, comenta.

Ainda não há previsão dos coletivos voltarem a circular. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários da Baixada Cuiabana, Ledevino da Conceição, os empresários da frota aguardam o início do expediente bancário para viabilizar um empréstimo como pagamento dos salários. Mas, no momento, as negociações continuam paradas e os motoristas de braços cruzados.

Semob libera faixa de ônibus para carros

Para reduzir o impacto no trânsito causado pela paralisação dos motoristas de ônibus, a Semob liberou os corredores exclusivos para coletivos. A medida se estende até às 12h e deve reduzir os congestionamentos registrados pelas principais avenidas da Capital.

Atualmente, Cuiabá conta com 14 km de faixas distribuídos entre as avenidas Historiador Rubens de Mendonça (do CPA), Tenente Coronel Duarte (Prainha), Getúlio Vargas e Isaac Póvas. As faixas são responsáveis pela redução de 30% do tempo de viagem dos passageiros que utilizam estes trechos.

Nos dias comuns, transitar na faixa ou via exclusiva regulamentada é considerado como infração gravíssima, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O infrator está sujeito a multa de R$ 293 e perda de sete pontos na CNH. O monitoramento é feito por meio de câmeras e também pela presença in loco dos agentes de trânsito.

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