Cidades

Sexta-Feira, 19 de Julho de 2019, 12h:33 | Atualizado: 19/07/2019, 12h:45

CRISE NAS UNIVERSIDADES

Sindicato dos professores acusa MEC de difamar a UFMT e repudia intervenção

Reprodução

UFMT

UFMT, que está no "olho do furacão", é maior escola pública de MT

Em nota divulgada nesta quinta (18), a diretoria da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat) afirma que o Ministério da Educação (MEC) começou “uma campanha difamatória” contra a instituição. Os sindicalistas saíram em defesa da autonomia universitária, após a apresentação do programa Future-se que permite a participação de verba privada no orçamento das universidades. Eles também defenderam a reitora Myrian Serra “apesar das divergências políticas”, exposta pela crítica do ministro da Educação Abraham Weintraub, no episódio do corte de energia, por falta de pegamento da conta de luz. 

Para a Adufmat, o ministro busca responsabilizar a reitora "com o intuito de tirar o foco de quem é realmente é responsável pelo apagão", pois Myrian "já havia anunciado, meses antes, a inviabilidade financeira da universidade". Ela fez isso depois que o governo anunciou, em maio, o contingenciamento de 30% da verba das universidades todo o país. Na ocasião, a UFMT poderia ficar sem R$ 34 milhões. A reitora pontuou, em comunicado divulgado na época, que o congelamento compromete o desempenho da universidade e leva a instituição “à beira de um retrocesso inimaginável”.

O sindicado dos professores aponta que as universidades passam por processo de desmonte desde a década de 1990 e que, desde 2014, “a situação se agravou enormemente” depois do corte 10% das universidades promovido pelo governo Dilma Rousseff (PT). Já sob o mandato do ex-presidente Michel Temer (MDB) foi realizado novos cortes dos recursos das faculdades, após a aprovação da denominada "PEC do fim do mundo", que congela os investimentos do poder público por 20 anos.

Segundo a Adufmat, o corte em 2018 representou um "orçamento 54% menor do que era em 2014". "Apenas o congelamento do investimento sob tais condições já seria suficiente para estrangular financeiramente as universidades com o passar dos anos", disse.

A nota segue dizendo que, após Michel Temer, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) “se elegeu para intensificar as medidas neoliberais”. E acrescenta: “ao cortar 30% dos recursos das universidades, o atual governo impôs à UFMT e a outras universidades sua inviabilidade financeira já para o mês de julho de 2019”.

"A razão do ataque é bastante cristalina", aponta.

Segundo a nota, o objetivo é retirar a reitora "para colocar um interventor que irá orquestrar a privatização da universidade, retirando do caminho todos que demonstrarem resistência, em especial os movimentos sindicais e estudantis".

Vice-líder do Governo Jair Bolsonaro (PSL) na Câmara dos Deputados, o deputado federal José Medeiros (Podemos) pediu na quarta (17) a saída de Myrian para que seja realizada uma auditoria na instituição.

A Adufmat ressalta que, "apesar das divergências políticas que o sindicato tem com a atual Reitoria", defende a permanência dela no cargo. "Defendemos que a decisão de modificar ou não a administração da universidade é da própria comunidade universitária", pontua.

"A Adufmat-Ssind repudia veementemente mais essa manobra realizada pelo governo e seus correligionários, e afirma que não reconhecerá nenhuma iniciativa que vislumbre impor qualquer alteração na universidade que não respeite os espaços de decisão construídos pela comunidade acadêmica", conclui.

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Comentários (7)

  • Sefir | Sábado, 20 de Julho de 2019, 09h13
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    5

    Auditoria nas Forças Armadas. Custo autissimo sem prestação de serviços minimamente equivalentes. Não há mais guerras convencionais, e envolvendo Brasil nem pensar. Vigiar fronteiras é questão de uso de tecnologias, muitíssimo mais baratas e eficientes.

  • joao | Sábado, 20 de Julho de 2019, 00h57
    6
    6

    TEMOS QUE TIRAR ESSES PETRALHAS DO COMANDO DA UFMT

  • Adnaldo | Sexta-Feira, 19 de Julho de 2019, 20h27
    7
    3

    Será que a UFMT chegou ao fundo do poço ou o poço é mais fundo? Não se pode dizer que nesses últimos 10 anos essa Universidade foi bem administrada, a impressão que se tem é que ele vem decaindo muito. Para o bem da educação e cultura deste Estado, esperamos que essa instituição recupere para o bem de Mato Grosso.

  • alexandre | Sexta-Feira, 19 de Julho de 2019, 19h55
    9
    5

    Tem orçamento maior que muitos municipios e não consegue pagar a conta de luz...tem que renegociar contratos e cortar superfulos..a esquerda não sabe administrar , vide o museu nacional que pegou fogo., o banco alemão queria injetar 10 milhoes no museu, não aceitaram porque era de empresa privada que quer ter controle e haveria fiscalização, pegou fogo....

  • Benedita da Silva | Sexta-Feira, 19 de Julho de 2019, 16h34
    6
    5

    https://www.issoenoticia.com.br/post/deputado-de-olho-em-orcamento-bilionario-da-ufmt, esta é a versão publicada a respeito do assunto. Casa um que leia e tire suas conclusões!

  • Kaca | Sexta-Feira, 19 de Julho de 2019, 13h34
    17
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    Só a cegueira e a ignorância - deliberadas ou involuntárias - podem justificar os absurdos que têm sido feitos à educação pública em todos os níveis, em especial, ao superior nos últimos anos. Só quem não entende ou não quer entender a extensão dos seus efeitos funestos - sobre a vida de TODOS os cidadãos - defende tais medidas insanas. É o Brasil andando pra trás em décadas e décadas. A pergunta a ser feita é: a quem isso favorece? Não é à população geral, certamente.

  • Frederico | Sexta-Feira, 19 de Julho de 2019, 12h56
    16
    20

    A UFMT já está difamada pelos anos e anos de completa anarquia gerencial e política.

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