Cidades

Quinta-Feira, 04 de Dezembro de 2014, 08h:22 | Atualizado: 04/12/2014, 09h:42

CONFLITO POR TERRA

Sob tensão, produtores de Itanhangá montam barreira e revistam veículos

Após operação da PF, que prendeu vários agricultores da região, temor é de MST invadir terra


Enviados especiais para Itanhangá

Gilberto Leite/Rdnews

barreira barricada itanhanga foto gilberto (7).jpg

Produtores em Itanhangá se unem em movimento, trancam rodovia estadual e fazem monitoramento para evitar que grupos de sem-terra invadam áreas na região

A Operação Terra Prometida, desencadeada no último dia 27 contra supostas fraudes na comercialização de lotes destinados à reforma agrária, gerou clima de insegurança entre a população de Itanhangá (a 458 km de Cuiabá), formada em sua maioria por assentados ou pessoas que dependem da renda gerada pela agricultura para tocar negócios. Há rumores de que aproximadamente 100 militantes do MST venham montar acampamento na cidade para pressionar a desapropriação de lotes em situação ilegal. Diante disso, moradores se mobilizam para impedir eventual entrada dos “sem-terra”.

Mário Okamura/Rdnews

mapa operacao terra prometida tapurah itanhanga.jpg

Clima é tenso em Itanhangá, Tapurah e Ipiranga do Norte, região onde vários produtores foram presos na operação da PF

Durante todo dia, após troca de informações, moradores montam barreiras na ponte junto ao córrego dos Borges, principal acesso ao município pela MT-338, distante 7 km do centro de Itanhangá. Embora não exibam armas, os agricultores e comerciantes usam suas caminhonetes para bloquear a passagem de caminhões e verificar os compartimentos de carga, que, segundo eles, podem esconder possíveis invasores. Além disso, os motoristas são interpelados sobre movimentações suspeitas na rodovia desde a vizinha cidade de Tapurah (a 413 km de Cuiabá), onde estaria a base operacional dos “sem terra”.

Um dos líderes da mobilização é o presidente da Câmara, Marcel Meurer (PMDB). O vereador, que é natural do Rio Grande do Sul e exerce a profissão de dentista na cidade, teme que a situação de insegurança jurídica enfrentada pelos assentados acabe inviabilizando a economia do município. “Construi minha vida aqui em Itanhangá. Tudo que eu tenho está aqui. Tenho medo de perder tudo devido a essa situação. Estou ao lado dos assentados”, disse o parlamentar em entrevista ao Rdnews, que acompanha in loco toda movimentação.

O produtor rural Rodrigo Bini, que chegou no município em 1999, afirma que sustenta a família com os recursos do plantio do milho e da soja no lote que possui no assentamento. “Como o Incra não regulariza a situação, tenho dificuldade de acesso ao crédito. Empresas financiam minha produção. A terra é tudo que tenho e vou lutar até o final”, disse.

Há 12 anos em Itanhangá, o morador Leandro Martins Pinto afirma que a população está desesperada e que os comerciantes estão antecipando as férias dos funcionários em razão da falta de movimento da cidade por causa da operação da PF. “Não temos lotes. Assumimos a situação porque estamos abandonados. Vim para cá com 18 anos, sou casado e tenho duas filhas para sustentar”, enfatiza.

O projeto de assentamento (PA) Itanhangá/Tapurah é o segundo maior da América Latina, tem 115 mil hectares de 1.149 lotes de terras. Cada lote teria 100 hectares e abrange ambas cidades. As terras da região são de alta produtividade e estão localizadas próximas aos municípios produtores de grãos. Constituído desde 1996, o PA foi alvo de crimes de invasão de terras da União, associação criminosa armada, crimes contra o meio ambiente, de fraude documental nos processos do Incra, de estelionato majorado, bem como corrupção ativa e passiva.  Ao todo, foram expedidos 22 mandados de prisão em Itanhangá. Dentre os presos estão o vice-prefeito Rui Schenkel, o Rui do Cerradão (PR), comerciantes e assentados.

Galeria de Fotos

Credito: Gilberto Leite/Rdnews
Credito: Gilberto Leite/Rdnews
Credito: Gilberto Leite/Rdnews
Credito: Gilberto Leite/Rdnews
Credito: Gilberto Leite/Rdnews
Credito: Gilberto Leite/Rdnews
Credito: Gilberto Leite/Rdnews

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Comentários (7)

  • wesley | Sexta-Feira, 05 de Dezembro de 2014, 08h18
    5
    0

    O papel do cidadão é externar suas reivindicações aos órgãos de direito, não ingressar em ato despreparado e desesperado contra uma possível movimentação de sem-terras; acredito que devem é se garantir com documentos e provas perante a justiça, aí, sim, não haverá quem possa tomar uma propriedade dentro da legalidade, caso contrário até mesmo a própria Justiça pode desapropriar esses sujeitos.

  • Mato-grossense Indignado | Quinta-Feira, 04 de Dezembro de 2014, 21h07
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    Mato Grosso, terra sem Lei. Aqui quem manda é o dinheiro. Onde está a polícia para colocar ordem neste Estado?

  • Paulo Barth | Quinta-Feira, 04 de Dezembro de 2014, 14h07
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    Paulo Barth, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • Marcos Jose fhir | Quinta-Feira, 04 de Dezembro de 2014, 11h36
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    CADE A POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL TEM QUE ARRANCAR QUEM ESTA OBSTRUINDO A BR., E MAIS GUINCHAR E LEVAR PRESOS TODOS OS CARROS QUE ATRAVESSAREM A RODOVIA.

  • Dilmar | Quinta-Feira, 04 de Dezembro de 2014, 10h38
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    6

    Um absurdo isso! Fazendeiros e empresários fazendo papel de polícia? É por isso que a região tem se tornado terra de ninguém!!

  • Lucas Rodrigues | Quinta-Feira, 04 de Dezembro de 2014, 10h27
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    Todos nós protestamos contra essa baderna proporcionada por essa gente, que inclusive se passou por polícia ao revistar veículos particulares sem motivo algum.

  • Mane | Quinta-Feira, 04 de Dezembro de 2014, 08h43
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    0

    Mane, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

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