Edésio Adorno

A culpa é dos vereadores

Por 03/01/2020, 07h:19 - Atualizado: 03/01/2020, 07h:24

Dayanne Dallicani

Colunista Ed�sio Adorno

2020 chegou e com ele as eleições que vão possibilitar a alternância no comando do poder político municipal. Em outubro, o eleitor poderá eleger novos gestores, renovar a composição das câmaras ou manter no cargo os atuais prefeitos e vereadores. Essa é uma decisão que cabe exclusivamente ao povo – aquele coletivo abstrato que, nos dizeres da CF/88, seria o dono de todo o poder na República Federativa do Brasil.

Em outubro, o eleitor poderá eleger novos gestores, renovar a composição das câmaras ou manter no cargo os atuais prefeitos e vereadores

Impulsionadas por mirabolantes promessas de campanha, muitas figuras sem traquejo para a vida pública, despreparadas para o exercício do cargo e sem a menor noção de administração, assumiram o comando de dezenas de prefeituras do estado. O erro das urnas se estendeu para a gestão e o resultado não poderia ser outro. Decepção total do eleitor. Pesquisas de opinião para consumo interno de partidos políticos indicam que boa parte dos atuais prefeitos está com o pé na cova – dificilmente serão reeleitos.

Preocupados com a possibilidade real de serem degolados nas urnas, alguns prefeitos investem pesado na construção de falsas narrativas para tentar ludibriar mais uma vez o eleitor e se manter no poder. Terceirizar aos vereadores o fracasso de seus governos é uma prática recorrente entre prefeitos improdutivos, incompetentes e escorregadios.

Em ano de eleição, a turma que vive espetada em cargos comissionados se encarrega de fazer o trabalho sujo. Vereadores que exercem suas prerrogativas, fiscalizam os atos da administração, exigem a aplicação correta e transparente dos recursos públicos, cobram a execução de obras e melhoria nos serviços que deveriam ser prestados a municipalidade, são demonizados nas redes sociais por apaniguados remunerados de prefeitos desonestos.

É nas redes sociais, em especial nos grupos de Whatsapp, que os infiltrados de prefeitos seguem a lógica de Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Estão lá “para confundir, e não para explicar”. A União das Câmaras Municipais de Mato Grosso (UCMMAT), que deveria promover campanha institucional para esclarecer a população sobre o papel, a responsabilidade e os limites do vereador na administração pública da cidade, se omite de sua responsabilidade.

É nesse deserto de informação que os demagogos e oportunistas fazem a festa. “Não reeleja ninguém, vereador não faz nada” são alguns dos clichês que circulam com virulência nas plataformas digitais.

As Câmaras Municipais também pecam por não mostrar suas produções legislativas. Cada vereador usa individualmente sua rede social para interagir com seus eleitores. Não há uma estratégia de comunicação para falar com a sociedade.

É nesse deserto de informação que os demagogos e oportunistas fazem a festa

Na ausência de informações, surfistas da maldade, a soldo de prefeitos de má índole, abusam da mentira, da leviandade e entopem os meios de comunicação com críticas divorciadas da verdade contra vereadores que se recusam a ser cordeirinhos de prefeitos e ousam questionam a atitude de gestores de índole autoritária.

Caso de Aripuanã – poderia ilustrar esse artigo com casos reais de diversos municípios, onde prefeitos mal avaliados pelas pesquisas eleitorais decidiram terceirizar para os vereadores que não rezam em sua cartilha e nem se fartam nos cochos da prefeitura, a responsabilidade pelo desastre retumbante de suas pífias administrações.

Devido ao exíguo espaço dessa coluna, destaco apenas a situação do município de Aripuanã, o mais promissor do extremo noroeste do estado. Lá, a riqueza da cidade, aliada ao arrojado pioneirismo e a intrépida força produtiva de sua gente, contrastam com a ineficiência e pobreza da administração do prefeito Jonas Canarinho (PSL).

A população de Aripuanã sofre com a precariedade da infraestrutura urbana e rural. Pontes estão caindo aos pedaços e muitas estradas vicinais se tornaram intransitáveis. O matagal tomou conta de boa parte de ruas e avenidas. Entulhos e lixo formam a paisagem urbana. A saúde pública não atende à demanda e muitos moradores precisam buscar atendimento em Juína ou mesmo em Cuiabá.

Para agravar o drama dos moradores, em diversos bairros a agua que chega nas torneiras é impropria para o consumo humano. Pensa que Canarinho está preocupado com essa triste realidade? Nenhum pouco.

Canarinho só pensa em se reeleger ou em eleger a própria esposa sua sucessora. Outra preocupação do chefe do executivo seria com o licenciamento de uma área para exploração de minérios. Um deputado federal seria o responsável para fazer gestão junto a Agência Nacional de Mineração (ANM), o antigo DNPM. Um absurdo!

Nas redes sociais, os beneficiários da gestão Canarinho fazem ginástica e dão salto carpado para tentar mostrar as realizações do governo municipal. Sem números para apresentar a população, apelaram para a falsa narrativa de tornar o prefeito vítima de suposta perseguição dos vereadores. Nada mais falso.

Durante os últimos três anos, a Câmara de Vereadores aprovou praticamente todos os projetos de autoria do Executivo Municipal. As leis orçamentárias também foram aprovadas, assim como projetos de suplementação orçamentária especial. Os vereadores de Aripuanã não faltaram com o apoio a gestão do prefeito Jonas Canarinho.

Se Canarinho não fez, não cumpriu as promessas de campanha, não conseguiu corresponder as expetativas do eleitor, que se explique para a população. Exigir que vereador pague o pato por sua incompetência e retumbante fracasso no comando da prefeitura, é faltar com dever de honestidade intelectual e de respeito para com o eleitor.

Para não fugir à regra, registro que em alguns municípios, vereadores pré-candidatos a prefeito, arregaçam as mangas, promovem cerco ao chefe do executivo municipal e se esforçam para boicotar a administração da cidade. Felizmente, são casos isolados que não refletem o comportamento da grande maioria dos 1.404 integrantes da Câmaras dos 141 municípios do estado.

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente nesta coluna toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com​

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