Edésio Adorno

A doença de Lula contaminou Bolsonaro

Por 20/09/2019, 07h:24 - Atualizado: 20/09/2019, 07h:28

Dayanne Dallicani

Colunista Ed�sio Adorno

Assim que subiu a rampa do Planalto, com a faixa presidencial no peito, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) avisou que não faria acordo com a velha política para construir a chamada governabilidade. Nos dias que se seguiram, o capitão fez vários discursos para condenar o que ele classificava de toma lá dá cá. Essa prática, comum nos governos do passado, seria extirpada do governo.

Como a consciência nasce do confronto com a realidade, Bolsonaro logo descobriu que para governar era preciso abrir os cofres do governo, fazer concessões e ceder aos apelos dos especialistas em sobrevivência política

Como a consciência nasce do confronto com a realidade, Bolsonaro logo descobriu que para governar era preciso abrir os cofres do governo, fazer concessões e ceder aos apelos dos especialistas em sobrevivência política.  

Davi Alcolumbre ganhou a presidência do senado. Rodrigo Maia continuou no comando da Câmara. O Centrão, que deitou e rolou nos governos de FHC, Lula e Dilma, assumiu um dos poderes da República – o Legislativo. O capitão cedeu mais. Transformou o sabujo de Dilma Rousseff, Fernando Bezerra Coelho, no líder de seu governo.

Onyx Lorenzoni, beneficiário da JBS em esquema de Caixa 2, levou seu padrão moral para a Casa Civil. O citricultor Marcelo Álvaro Antonio, que poderia ser acomodado na Embrapa ou no Mapa, da sua especialidade em laranjas, foi nomeado ministro do Turismo. Gustavo Bebiano Rocha foi lançado de catapulta para fora do governo.

O ministro da Relações Exteriores, Ernesto Araújo, continua sendo um excelente e aplicado adepto do escritor Olavo de Carvalho, Fora esse detalhe, acumula um desastre diplomático atrás do outro. Ricardo Salles, do Meio Ambiente, apaga fogo com querosene. A cada manifestação ajuda queimar a imagem do Brasil no exterior e a restringir mercado para a produção agrícola do país.

Lula, no calor da CPI do Mensalão, reconheceu a existência dos aloprados do PT. Bolsonaro nunca terá a grandeza de reconhecer que seus filhos alopram a República. Um deles, o deputado Eduardo Bolsonaro, insiste em ser ungido embaixador do Brasil nos Estados Unidos. O papai está disposto a satisfazer os caprichos do filho especialista em fritar hambúrguer.

O outro Bolsonaro filho, o senador Flavio, se comporta como o rei do Morro da Babilônia, no Rio de Janeiro. No afã de se safar das lambanças que teria aprontado na Alerj, quando deputado estadual, se aproximou da esquerda, fez acordo com o Centrão e chegou a ser agressivo com seus colegas de senado que defendem a CPI da Lava Toga.

Nesse ambiente de incertezas, o ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, foi colocado para escanteio. Raramente é consultado

O senador Flávio Bolsonaro renunciou seu discurso de campanha, abriu mão da combatividade, se tornou leniente, complacente com o mal feito. Foi salvo pelo ministro Dias Toffoli, do STF. Tem a obrigação de ajudar a barrar qualquer investigação contra os togados dos tribunais superiores.

Constrangido com a situação periclitante do filho senador, o presidente Jair Bolsonaro arrefeceu o combate a corrupção. O pretexto para essa mudança de comportamento seria a governabilidade. Substantivamente, a causa está na sala de sua casa e responde pelo nome de Flávio Bolsonaro.

O coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, que antes era endeusado, passou a ser hostilizado pela milícia virtual do capitão. A escolha de Augusto Aras para chefiar a PGR foi uma eloquente demonstração de desrespeito ao MPF. O homem já se colocou na condição subalterna de serviçal do capitão.

Nesse ambiente de incertezas, o ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, foi colocado para escanteio. Raramente é consultado. Pessoas próximas do presidente. Sempre que podem, ampliam o fosse político entre Moro e Bolsonaro.

O Fla-Flu entre esquerda e direita estimula a militância bolsonarista e mantém o capitão na crista da onda. Se o clima político continuar com a temperatura cuiabana, Jair Bolsonaro não terá dificuldade para garantir sua reeleição

A ordem de busca e apreensão que a Policia Federal cumpriu no gabinete do senador Fernando Bezerra está sendo atribuída a uma ação sorrateira de Sérgio Moro. A insinuação é descabida e ofende o ministro Barroso, do STF, que autorizou a PF vasculhar e recolher documentos tanto na casa do líder do governo, quanto de seu filho, o deputado Fernando Bezerra Coelho filho.

O Fla-Flu entre esquerda e direita estimula a militância bolsonarista e mantém o capitão na crista da onda. Se o clima político continuar com a temperatura cuiabana, Jair Bolsonaro não terá dificuldade para garantir sua reeleição.

A única coisa de deixa o Mito de pernas trêmulas é a possibilidade de Sérgio Moro encarar a disputa presidencial. Para afastar esse risco, Bolsonaro já sabe o que fazer. Vai indicar Moro para a primeira vaga que abrir no STF. Como os governos do passado não fariam nada diferente disso, resta evidente que a doença de Lula contaminou Bolsonaro.

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente nesta coluna toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com

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