Edésio Adorno

Alcolumbre: apoio de peso ou poita de Júlio Campos?

Por 14/02/2020, 07h:20 - Atualizado: 14/02/2020, 07h:28

Dayanne Dallicani

Colunista Ed�sio Adorno

Alcolumbre é comparsa de Rodrigo Maia, juntos eles respiram e conspiram contra o governo do presidente Jair Bolsonaro. A dupla de espertalhões lidera o grupo fisiológico e mercenário cognominado de “Centrão”. Essa turma de peraltas chantageia o governo, tranca pautas do congresso, desidrata ou reprova projetos de interesse do presidente Bolsonaro, exige cargos e liberação de recursos.

O engenheiro Júlio Jose de Campos é uma lenda viva da política de Mato Grosso. Bafejado pela sorte e dono de uma habilidade impressionante, surfou da Prefeitura de Várzea ao Governo do Estado. Fez escala na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Foi conselheiro do Tribunal de Contas (TCE) por seis anos. Sua aposentadoria foi homologada  pelo então governador Blairo Maggi em 2007. Três anos depois, Campos retornou ao Congresso para representar o povo do Estado na Câmara dos Deputados.

Julinho, como é tratado na intimidade, iniciou sua trajetória política na Arena, partido que deu sustentação ao regime militar, que virou PDS, foi rebatizado de PFL e atualmente ostenta o nome de Democratas. Se alguém ousar chamar o filho de dona Amália Curvo e de seu Fiote de comunista é porque nada entende de esquerda e nem de direita.

Não entro no mérito se o governo de Júlio Campos (1983/1986) foi bom, ótimo, regular ou satisfatório. Fui eleitor do Padre Raimundo Pombo. Era o candidato do PMDB. Naquela época sombria e carregada de medo, qualquer coisa era melhor que “um filhote da ditadura”, como Gilson de Barros, Vicente Bezerra Neto, Dante de Oliveira e Carlos Bezerra, entre outros, rotulavam o candidato do PDS – Júlio Campos. Quase quarenta anos depois, estou convencido de que Mato Grosso ganhou com a derrota de Pombo.

Apoiado por Mário Andreazza e outros ministros fortes do governo do general João Batista Figueiredo, Júlio Campos implementou um arrojado projeto de colonização, de construção de estradas, ampliou a fronteira agrícola do Estado, fincou as bases do associativismo e do cooperativismo, impulsionou a agricultura mecanizada e fez brotar do cerrado um novo e pulsante Mato Grosso.

No pleito de 1998, Júlio Campos, que era apontado por todas as pesquisas como franco favorito para conquistar o governo do estado, foi derrotado pelo eficiente uso da máquina pública que garantiu a reeleição de Dante de Oliveira.

A narrativa construída pelo marqueteiro Antero de Barros causou estilhaços na imagem e na reputação de Campos. A esquerda sempre foi talentosa na articulação do verbo e na manipulação semântica. A direita é mais pragmática, não perde tempo com filosofia e nem sociologia. O publicitário de Júlio Campos era Mauro Cid, que vacilou, deixou o cachimbo cair e foi engolido pela incontrastável inteligência, as vezes, maligna de Antero de Barros.

A narrativa construída por Barros foi muito simples. Retirou o governo Dante de Oliveira da pauta dos debates eleitorais e arrastou para o ringue a gestão Júlio Campos.

Não deu nem nega.

Julinho despencou nas pesquisas como bêbado ladeira abaixo. Foi trucidado pela máquina de moer gente que Antero de Barros montou e operou sem clemência.

Claro, a composição de Júlio Campos com o até então arqui-inimigo Carlos Bezerra ajudou a sepultar seu projeto de retorno ao comando do Governo do Estado.

Julinho é como águia, sempre renasce renovado das cinzas. De fígado novo e queimando gasolina de alta octanagem, trabalha com afinco na construção de uma candidatura ao senado. Ele cobiça a cadeira da senadora Selma Arruda, que teve o mandato cassado pela justiça eleitoral.

Julinho não precisa. Ele sabe perfeitamente o que significa uma poita. Já teve uma dependurada no pescoço. O nome dela: Carlos Bezerra.

Nos sites noticiosos, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre declara que Júlio Campos é seu general em Mato Grosso. A manifestação de apoio do senador do Amapá a pré-candidatura ao senado de Campos causou urticária e náuseas a boa parte da direita bolsonarista.

Alcolumbre é comparsa de Rodrigo Maia, juntos eles respiram e conspiram contra o governo do presidente Jair Bolsonaro. A dupla de espertalhões lidera o grupo fisiológico e mercenário cognominado de “Centrão”. Essa turma de peraltas chantageia o governo, tranca pautas do congresso, desidrata ou reprova projetos de interesse do presidente Bolsonaro, exige cargos e liberação de recursos.

A imprensa local deu destaque as declarações de Alcolumbre. Alguns sites chegaram a noticiar que Júlio Campos recebeu apoio de peso. Minha dúvida: Alcolumbre seria um apoio de peso ou uma poita para Júlio Campos? Se você não é pescador e não tem familiaridade com o linguajar de beira de rio, deve consultar um dicionário. Julinho não precisa. Ele sabe perfeitamente o que significa uma poita. Já teve uma dependurada no pescoço. O nome dela: Carlos Bezerra.

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente nesta coluna toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com​

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Comentários (1)

  • Edmar Roberto Prandini | Sexta-Feira, 14 de Fevereiro de 2020, 08h40
    0
    0

    Avisem o Yuri Gagarin.

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