Edésio Adorno

Aripuanã sob estado de emergência

Por 13/12/2019, 07h:38 - Atualizado: 13/12/2019, 07h:42

Dayanne Dallicani

Colunista Ed�sio Adorno

O Noroeste de Mato Grosso é uma região pouco conhecida e quase nunca assistida pela classe política. Fazer o percurso entre Castanheira e Colniza, passando por Aripuanã, exige coragem e muita resiliência.

Os habitantes do noroeste do estado formam um formidável exemplo de sobrevivência sem assistência, amparo ou ajuda do estado brasileiro. Brasileiros desassistidos pela Pátria!

Estradas esburacadas, pontes caindo aos pedaços, poeira no período de estiagem e atoleiros na estação das chuvas denunciam a ausência do governo federal e a impotência do governo estadual e das prefeituras diante do drama existencial de brasileiros entregues ao próprio destino.

A chuva chegou e com ela o ciclo de agudo sofrimento se repete, numa sucessão interminável de vergonha, dor, humilhação e, não raro, intercalado por perdas de preciosas vidas humanas, seja por falta de assistência médica adequada ou por impossibilidade de resgate.

O pioneiro, o desbravador, as vezes, paga com a própria vida o preço da ousadia de colonizar e de ajudar no desenvolvimento de determinada região do estado. Os habitantes do noroeste do estado formam um formidável exemplo de sobrevivência sem assistência, amparo ou ajuda do estado brasileiro. Brasileiros desassistidos pela Pátria!

Guariba e Conselvan são distritos de municípios distintos. O primeiro faz parte do território de Colniza. Para se chegar lá é preciso contar com a sorte e muita habilidade. As estradas nunca tiveram em boas condições de trafegabilidade.

De Guariba a Machadinho do Oeste (RO) a distância é curta. Percorre-la, no entanto, não é nada fácil. Uma missão impossível para veículos baixos. No trecho entre Aripuanã e o distrito de Conselvan existe o Rio Branco e sobre ele deveria existir uma ponte para facilitar a vida das pessoas e garantir o transporte de cargas. Infelizmente, a obra está parada deste a malfada gestão do governo Pedro Taques.

Para aumentar o drama da população, a ponte da chamada estrada da Salvação, não oferece condições de segurança para o trafego de carros e nem de caminhões.

Foi totalmente interditada, na tarde de quinta (12), segundo comunicado do Sindicato das Indústrias de Laminados e Compensados do Estado de Mato Grosso (Sindilam) veiculado em sua página no Facebook.

A ponte sobre o Rio Aripuanã, com mais de 200 metros de extensão, está sendo reformada pelo governo do estado em parceria com o município e setor privado. Sem estradas e pontes, a força produtiva de Aripuanã fica isolada e a cidade entra em colapso, com o agravamento da crise social.

A empresa Nexa tem investimento de mais de R$ 1 bilhão de reais no município. É a maior empregadora da região.

O setor madeireiro, que também potencializa a economia da cidade, depende de logística para continuar a produzir, gerar tributos, renda e empregos.

No momento, a situação já pode ser considerada como estado de emergência

Moradores de Conselvan, de outras comunidades e de fazendas dependem de estradas em condições de trafegabilidade. Sem logística, o prejuízo econômico-financeiro e social é certo e inevitável para todos. Estudantes da zona rural, produtores de alimentos e uma população indeterminada corre o risco de ficar isolada, submetida ao descaso e ao completo abandono.

No momento, a situação já pode ser considerada como estado de emergência. A iminência de danos à saúde e aos serviços públicos é real. Se o prefeito de Aripuanã, Jonas Canarinho (PSL), não correr atrás de ajuda dos governos estadual e federal, bem como da bancada de Mato Grosso no Congresso, é possível que em breve tenha que decretar estado de calamidade pública.

Chamar o prefeito a responsabilidade é necessário. Canarinho precisa parar de voar de um galho para outro e assumir a liderança própria do cargo que exerce. É hora de formar uma coalização por Aripuanã. Dialogar e respeitar os atores sociais, econômicos, religiosos e políticos é um bom começo. Os vereadores são parceiros da administração, querem o bem e o melhor para a cidade.

Fiscalizar, apresentar sugestões e aprovar as medidas de interesse coletivo são atribuições dos parlamentares. É dever do chefe do executivo respeitar o legislativo, que é um poder independente, ou seja, não se subordina a vontade do governante de plantão.

Nexa, Construcap, indústria madeireira, entre outros setores e empreendimentos privados, são parceiros de primeira hora da gestão municipal. Depois de décadas de abandono, o governo Mauro Mendes/Otaviano Pivetta já marcou presença no noroeste do estado, lançou e está executando importantes obras estruturantes na região.

No bojo dessas mudanças em curso, a população de Aripuanã pode reeleger Canarinho prefeito ou abrir espaço para uma liderança mais arrojada e comprometida com o desenvolvimento da cidade e região.

Nota: a prefeitura ainda não decretou estado de emergência. Mas caso as chuvas se tornem mais intensas, essa medida será inevitável.

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente nesta coluna toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com​

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Comentários (1)

  • Jose Willames | Sábado, 14 de Dezembro de 2019, 23h57
    1
    0

    Como cidadão Brasileiro , sinto que as autoridades competentes deveriam não só olhar com atenção para essa região, mais támbem voltar os recursos em infraestrutura, se realmente quiserem fazer fazem, aí um belo exemplo abaixo, o que não dá é pra ficar assim entra ano atrás do outro e realidade, não muda isso tem que ter um prazo, pra acabar. conclusão do asfalto da BR-163 até Miritituba/PA. Após 150 dias de trabalho incessante exército conclui rodovia iniciada há 43 anos

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