Edésio Adorno

Covid-19: um prato cheio para esquerda e direita

Por 27/03/2020, 08h:14 - Atualizado: 27/03/2020, 08h:23

Dayanne Dallicani

Colunista Ed�sio Adorno

A pandemia do coronavírus (Covid-19) desafia a comunidade cientifica, desdenha das maiores potencias bélicas do planeta, ignora a supremacia de nações poderosas e avança célere pelo mundo numa escalada assustadora. Dezenas de países se esforçam na busca por um remédio eficaz ou por uma vacina que seja capaz de deter o avanço implacável e, até aqui, triunfal da peste apocalíptica.

O velho continente está desolado. Cidades como Milão, Veneza, Lombardia e Bergamo, na Itália, estão vazias.

O povo sumiu das ruas.

O cenário de desolação é o mesmo na Espanha, Portugal, Reino Unido e França, onde a Torre Eiffel permanece portentosa apenas como um símbolo de prosperidade da terra de Napoleão Bonaparte ou de Charles de Gaulle.

Os turistas já fizeram o checkout e retornaram a seus países de origem. A ordem da Organização Mundial de Saúde (OMS) é para que todos se refugiem do coronavírus no bunker familiar. Ou, se preferir, no chamado isolamento social.

Nova Iorque, que viveu dias de inferno com a explosão, em 2011, do World Trade Center, parece uma cidade morta, uma tapera. A mais rica, mais populosa e mais visitada megalópole do planeta se tornou o epicentro universal do coronavírus. Os hospitais estão entupidos de gente infectadas pelo covid-19.

O número de mortos não para de crescer e os doentes continuam a engrossar a fila dos desesperados. Incrivelmente, a rede de saúde de Nova Iorque precisou ser ampliada na base do improviso para conseguir atender à crescente demanda por leitos de UTIs.

O cenário não é de pandemônio apenas na Europa, nos Estados Unidos, na Ásia ou em outras partes isoladas do planeta. A América Latina também está sendo devastada pelo covid-19. Paraguai, Bolívia, Argentina e Uruguai - para ficar apenas com nossos vizinhos mais próximos – já decretaram quarentena, toque de recolher e mandaram seu povo se enfurnar em casa. Países ricos e pobres se preparam como podem para enfrentar o agravamento da crise sanitária e econômica, que será causada pela pandemia do Covid-19.

No Brasil, diferente de todas as nações civilizadas, a preocupação não é exatamente com o enfrentamento do coronavírus e muito menos com a saúde da população. O Covid-19 chegou em boa hora. Reaglutinou a militância de direita e forçou a esquerda sair da zona de conforto.

Países ricos e pobres se preparam como podem para enfrentar o agravamento da crise sanitária e econômica, que será causada pela pandemia do Covid-19

Edésio Adorno

Antes de promover verdadeira carnificina, o coronavírus assumiu o protagonismo da política, conquistou espaço na imprensa e nas redes sociais. Foi politizado, virou guerra de narrativa. Bolsonaro, de olho na reeleição, espera que o Covid-19 seja cautelo e mate apenas algumas dezenas de velhos e doentes. Já a oposição, de olho na cadeira do capitão, torce por uma ação mais enérgica do coronavírus.

Nas redes sociais, o bolsonarismo entrou em ebulição máxima. A palavra “gripinha”, dita pelo líder supremo da seita rotulada de direita, virou mantra para os fiéis devotos do demiurgo de Glicério. Fake News, áudios de Whatsapp, recortes de notícias da época do ebola, argumentos de falsos médicos e teses as mais estapafúrdias são disseminadas com sofreguidão para justificar a ideia difundida pelo mestre.

A missão de internautas alienados e aliados ao discurso de Bolsonaro é reduzir ou inutilizar, na base da retórica sem lastro, a poder mortal do coronavírus. Estimulados pelo comando central, os adeptos de Bolsonaro refutam as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde e fazem coro e prometem deflagrar manifestações pública pelo fim da quarentena e do isolamento social. A turma defende a reabertura do comércio, a volta ao trabalho e o fim de qualquer obstáculo a livre iniciativa. Se uma dezena ou várias centenas de velhos e doentes forem derrubados pela ação funesta do coronavírus faz parte do jogo. Não há guerra sem vítimas.

Nessa brutal e desumana guerra de narrativas, ainda não é possível apontar quem será beneficiado pelo coronavírus. Uma coisa, no entanto, é certa: a eleição do próximo presidente da República vai depender necessariamente de como o Covid-19 vai se comportar nos próximos 30 dias.

Se avançar, derruba Bolsonaro; se recuar, Bolsonaro se perpetua no poder. O destino político do capitão, portanto, não depende apenas do povo. O efeito Covid-19 será decisivo. Ele sabe disso. Tomara que tenha tomado a decisão correta. Se acertar, meu voto terá valido a pena e o repeteco será mera consequência. Caso contrário, adeus, capitão!

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente nesta coluna toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com​

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Comentários (1)

  • elias | Segunda-Feira, 06 de Abril de 2020, 11h25
    0
    0

    A direita negacionista vem murchando ante a esperança da direita que desafia o neoliberalismo

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