Edésio Adorno

Deputado de MT decepciona bolsonarismo

Por 25/10/2019, 07h:20 - Atualizado: 25/10/2019, 07h:30

edesio do carmo artigo 400

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) desenhou numa frase de três palavras e dezoito caracteres o que representa Nelson Barbudo para os congressistas leais ao presidente Jair Bolsonaro: “uma baita decepção”.

A unidade significativa da língua, no caso, a sinonímia do substantivo "decepção", expõe a extensão do desengano dos deputados que se empenharam para trocar o destrambelhado delegado Waldir pelo deputado Eduardo Bolsonaro na liderança do PSL na Câmara.

Na esteira da afirmação de Zambelli, a expressão por ela usada – baita decepção – não traduz apenas o pensamento isolado da parlamentar.  Para usar uma expressão cuiabana, ela é "unha e cutícula" de Eduardo e integra o restrito bloco de congressistas que apoia sem reserva o governo do presidente Jair Bolsonaro na Câmara Federal. Logo, seu discurso reflete o sentimento de perda de confiança do Planalto para com o deputado Nelson Barbudo.

Barbudo sempre será visto pelo governo e pelo bolsonarismo como ‘uma baita decepção’

O substantivo "decepção" tem diversos sinônimos. Todos, juntos e misturados, servem para expressar o ato de causar desapontamento, desencanto, descontentamento, desengano, desilusão, frustração, contrariedade, desgosto, desprazer, dissabor e insatisfação. Quando convertido em verbo, decepção vira decepcionar. A conjugação no modo indicativo do pretérito perfeito revela a face do sujeito: ele (Barbudo) decepcionou o bolsonarismo.

Mancomunado com Luciano Bivar, delegado Waldir e Joice Hasselmann, entre outros dissidentes – ou seriam traíras? – do Bolsonarismo, Nelson Barbudo fez sua escolha de caso pensado. Foi seduzido pela magia da montanha de dinheiro do fundo partidário. A promessa de transformação do PSL de Mato Grosso num feudo particular, com direito a negociar diretórios municipais, também pesou na balança.

Uma legenda com tempo de TV, dinheiro em caixa e que abriga o presidente Jair Bolsonaro, é, na verdade, uma fábrica de prosperidade. Isso explica por que Barbudo fez de tudo, inclusive discursos "alvoroçados", conforme Zambelli, na defesa do delegado Waldir e do presidente da sigla, deputado Luciano Bivar, o homem que, segundo ele, salvou o Brasil e seria o responsável pela eleição de Bolsonaro.

Os deputados ligados a Eduardo Bolsonaro logo perceberam a fragilidade do discurso e identificaram os reais motivos que fizeram Barbudo se recusar a acatar a orientação de Bolsonaro e se converter em fiel escudeiro de Bivar. Para tentar justificar sua atitude contrária aos interesses do bolsonarismo, o deputado construiu uma narrativa mistificadora. O tiro saiu pela culatra.

 O deputado de primeiro e, talvez, único mandato, não soube aproveitar a oportunidade. Caiu em descrédito, frustrou as expectativas

Afrontar e trair Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro, atacar deputados leais ao presidente e subestimar a força devastadora das redes sociais foi um erro capital. As redes sociais reagiram como um tsunami cibernético. Barbudo não resistiu o intenso bombardeio. Gravou um vídeo, rechaçou o rótulo de traidor, jurou lealde ao presidente Bolsonaro e implorou piedade a nervosa militância de direita. Tarde demais. O estrago já estava feito. Barbudo sempre será visto pelo governo e pelo Bolsonarismo como "uma baita decepção", conforme afirmou Carla Zambelli.

Em condições normais de peso, pressão e temperatura, a situação política do deputado Nelson Barbudo já era preocupante. Sem preparo intelectual, carente de assessoria qualificada, sem uma base eleitoral definida, ele deveria fazer das tripas coração, se especializar em salto carpado triplo, fazer ginástica e malabarismos políticos para atender seus eleitores espalhados nos 141 municípios do estado.

Viabilizar a liberação de recursos financeiros para os municípios, articular convênios entre ministérios, órgãos do governo federal e prefeituras, marcar presença junto a sua base eleitoral, apresentar resultados na regularização fundiária de assentamentos da Reforma Agrária e defender sem vacilar o presidente Jair Bolsonaro e seu governo. Essa era a receita de sucesso que poderia manter o deputado Nelson Barbudo na crista da onda e de bem com as redes sociais. Infelizmente, o deputado de primeiro e, talvez, único mandato, não soube aproveitar a oportunidade. Caiu em descrédito, frustrou as expectativas, virou uma baita decepção, segundo observa Carla Zambelli.

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente nesta coluna toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com​

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Comentários (2)

  • Marcos balboa | Sexta-Feira, 25 de Outubro de 2019, 08h15
    6
    0

    ESSE AÍ RODOU OS MINUTOS DE FAMA DESSE CAPIAL JA FOI ARROGANCIA PREPOTENCIA ENGANADOR ISSO PARA O POVO MATOGROSSENSE APRENDER A VOTA TANTOS NOMES PREPARADO E A POPULAÇÃO CAIU NA ENCENAÇÃO E DO TEATRO DESSE LOUCO

  • CELSO | Sexta-Feira, 25 de Outubro de 2019, 08h04
    4
    1

    Embaixo do chapéu um dick bivarista.

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