Edésio Adorno

Eles querem o fim da Lava Jato e do Gaeco

Por 26/07/2019, 07h:19 - Atualizado: 26/07/2019, 07h:26

Dayanne Dallicani

Colunista Ed�sio Adorno

O amplo noticiário sobre os desdobramentos da Grampolândia Pantaneira esconde uma trama ainda mais astuta que as interceptações telefônicas ilegais, que teriam sido coordenadas por militares inescrupulosos, supostamente a mando de Pedro Taques e de seu primo Paulo Taques. A alardeada preocupação com a intimidade de personalidades grampeadas é falaciosa.

Até aqui, pelo que se sabe, não houve vazamento de nada que pudesse expor ao vexame uma única vítima, dentre as centenas de milhares de personalidades públicas que tiveram seus números interceptados de forma clandestina. Isso não significa que o crime inexistiu. Os militares investigados já confessaram seus pecados e apontaram Taques como sendo o mandante.

A Grampolândia, que, no passado, teria servido aos interesses políticos do ex-governador Zé Pedro Taques, agora serve aos propósitos de poderosa organização criminosa e de seus tentáculos nos poderes do estado.

Habilmente, esses cidadãos do crime conseguiram arrastar o Ministério Público Estadual (MPE) para o olho da tormenta. Uma máquina de difamação foi montada para triturar a imagem do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e a reputação moral de seus membros. Ao invés de delinquentes, promotores e procuradores de justiça foram colocados no banco do réus.

A fantasiosa história da compra de um cachorro é emblemática e, ao mesmo tempo, muito eloquente. O promotor Marcos Regenold comprou, com recursos próprios, uma cadela treinada para farejar drogas. Foi restituído com a verba destinada ao custeio de operações reservadas do Gaeco. O procedimento pode não ter sido o de praxe na administração pública. Mas nem de longe configura ato ilícito ou improbo. Ainda assim, Regenold apanhou da imprensa e dos filósofos de Whatsapp como cachorro de bugre.

Pelo que fica evidente no noticiário da imprensa, vigaristas de plantão querem usar os desdobramentos da Grampolândia para pleitear a anulação de dezenas de operações comandas pelo Gaeco. Daqui a pouco vão pleitear a restituição de valores e bens apreendidos; vão pedir anulação de condenações e ressarcimento por danos morais

Em princípio, cheguei a pensar que havia o interesse subjacente as investigações sobre a Grampolândia de proteger Taques Pedro e Paulo. Confesso que fui traído por alguns dos poucos neurônios que habitam minha cachola.

Ao estudar detidamente o caso e conversar com gente bem informada, fui forçado a perceber que interesses que permeiam esse caso são bem mais tenebrosos. As figuras que agem na sombra e de forma sub-reptícia no entorno da Grampolândia não pretendem proteger o ex-governador tucano. Na verdade, querem mesmo é livrar a pele de seus condenados de estimação no âmbito de operações de repressão a corrupção comandadas pelo Gaeco.

O barulho produzido pelos militares, em depoimento na 11° Vara Criminal de Cuiabá, faz parte de um jogo ensaiado sob os auspícios de tese de defesa. Na verdade, tese de ataque. Desmoralizar o órgão acusador, o titular da ação penal, pode abrir uma fresta para a impunidade.  Ainda mais quando se tem o respaldo de manipuladores da opinião pública para induzi-la a aceitar gato por lebre. Sem questionamento, fica parecendo que os graduados da Polícia Militar, pilhados na pratica de lambanças, são mocinhos. Já os promotores de justiça, qua atuam no Gaeco, seriam os bandidos do enredo.

Pelo que fica evidente no noticiário da imprensa, vigaristas de plantão querem usar os desdobramentos da Grampolândia para pleitear a anulação de dezenas de operações comandas pelo Gaeco. Daqui a pouco vão pleitear a restituição de valores e bens apreendidos; vão pedir anulação de condenações e ressarcimento por danos morais.

A bandidagem sonha com o fim da Lava Jato e do Gaeco. Você compartilha desse sonho?

A eventual mijada fora do penico por parte de um ou outro promotor de justiça não torna o Gaeco um antro de perdição. Se alguém por lá cometeu erros, falhas ou equívocos, que seja punido na forma da lei. Tentar desmoralizar o órgão e desmerecer sua atuação é um violento atentado contra sociedade.

Os possíveis exageros ou excessos praticados por alguns promotores ou procuradores de justiça são infinitamente menores que os acertos da maioria dos membros desse órgão de vital importância para a sociedade. Afrontar o Gaeco é uma empreitada que beneficia as organizações criminosas, os delinquentes engravatados, os corruptos e os narcotraficantes. A essa gente interessa bem mais que a simples desmoralização do MPE. A bandidagem sonha com o fim da Lava Jato e do Gaeco. Você compartilha desse sonho?

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente nesta coluna toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com​

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Comentários (1)

  • Daniel | Sexta-Feira, 26 de Julho de 2019, 08h30
    9
    3

    Finalmente começaram a acordar para o que realmente está acontecendo? Graças a Deus!!

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