Edésio Adorno

Jayme se cala; Wilson e Lúdio viram office-boy do agro!

Por 05/07/2019, 08h:40 - Atualizado: 05/07/2019, 13h:05

Dayanne Dallicani

Colunista Ed�sio

 

Para quem tem memória curta ou ouvido de marcador, relembro, neste espaço, que depois de apregoado o resultado das eleições de 2018, o senador Jayme Campos (DEM) e os deputados Wilson Santos (PSDB) e Lúdio Cabral (PT) patrocinaram acalorada defesa da taxação do agronegócio. O democrata chegou a dizer que a rentabilidade dos produtores soja seria de R$ 16 mil liquido por hectare. “Nem cocaína, maconha ou ecstasy dá essa margem de lucro no mundo inteiro”, dizia Campos.

Em outra oportunidade, o senador disparou: “eu conversei muito com o governador Mauro Mendes e não temos outras fontes de receita. Aqueles que já ganharam muito, estão ganhando muito, devem devolver um pouco para Mato Grosso, sobretudo para os mais humildes”.

De acordo com Jayme, “Mato Grosso plantou, no ano passado, 800 mil hectares de algodão. Este ano, a projeção, segundo dados da Conab, é de 1 milhão de hectares. As pessoas não estão pagando nada aqui e bombam de ganhar dinheiro”.

O senador democrata defendia abertamente a tributação de quem ele chamava de tubarões do agronegócio.  “Defendo a tese de que o governador tem, sim, que tomar esse encaminhamento de taxar, ou seja, cobrar um pouco de imposto daqueles que não colaboram, não pagam quase nada, para não dizer que não pagam nada. Eu acho que é a única saída”, dizia.

Os barões da indústria, do comércio, da prestação de serviços e do agronegócio tem um método particular de convencimento

Não apenas Jayme Campos, o deputado Wilson Santos deu entrevistas à imprensa, fez discursos na Assembleia Legislativa, usou as redes sociais e até outdoors para dar visibilidade pública a campanha que fazia em defesa da taxação do agronegócio. Santos também defendia com fervor e entusiasmo a CPI da Renúncia e Sonegação Fiscal.

O deputado Lúdio Cabral, em entrevista à uma emissora de televisão, no início de maio, foi categórico ao afirmar que o “governo acha que a crise do estado é resultado do crescimento das despesas, mas no meu entendimento o problema não é só o crescimento das despesas, mas a desconexão no crescimento da arrecadação e a economia do estado”. Defensor da taxação do agronegócio, o petista declarou que “determinados produtos recebem mais incentivos do estado para obter maior ganho e produtividade”.

Pois é, como se sabe, político não tem a ideia fixa de Brás Cubas. É sempre suscetível a mudança de opinião e de lado. E os barões da indústria, do comércio, da prestação de serviços e do agronegócio tem um método particular de convencimento. Jayme Campos deixou de lado a preocupação com a taxação do agronegócio. Seu foco no senado é a defesa das fronteiras brasileiras. Um tema útil para quem gosta de encher linguiça.

Wilson Santos abandonou a luta pela taxação do agronegócio e passou a bater no governador Mauro Mendes por ter enviado o projeto que reinstitui os incentivos fiscais no estado. Santos adotou o discurso do deputado Carlos Avalone (PSDB), que é preposto do rei da soja e responde por caixa 2 na campanha eleitoral, fraude em CAR e, depois da publicação deste artigo, vai responder também por usar uma aeronave fretada pela Assembleia Legislativa para, em companhia de filha e genro, visitar suas fazendas em Rondolândia, com direito a pernoite na fazenda Santa Luzia, em Sapezal, de propriedade de Eraí Maggi. Claro, se o MPE se interessar pelo caso!

O petista Cabral é outro que engoliu o discurso e passou a fazer o jogo dos barões do agronegócio, da indústria e do comércio. Estranhamente, tanto Jayme, como Wilson e Lúdio, assim como as pessoas que cobram melhoria na saúde pública, pagamento dos direitos dos servidores, reivindicam obras de infraestrutura e exigem a presença do governo nas regiões mais pobres do estado são contra a política de incremento da receita. Essa gente não é apenas incoerente. É oportunista. Sempre quer cargo, nunca responsabilidade.

Na terra em que político muda de lado como troca de camisa e empresário patrocina fake news para tentar chantagear o governo e fazer prevalecer seus interesses, a única certeza que nos resta é a de que estamos pebado.

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente para este Blog toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com​

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Comentários (3)

  • JOÃO CARLOS DE CARVALHO | Sábado, 06 de Julho de 2019, 08h45
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    BOM DIA DR. ESSES POLITICOS TEM Q C PREOCULPAR COM A MALHA RODOVIÁRIA DO NOSSO ESTADO DAR CONDIÇÕES DE TRAFEGO PARA Q O AGRONEGÓCIO PROSPERE. USAR RECURSO FETAB CORRETO. TRATAMOS DO MUNDO E NÃO TEMOS PRATICAMENTE NADA DE RODOVIAS DUPLICADAS .UM GRANDE DESINTERESSE PELOS PRODUTORES E CAMINHONEIROS Q DEIXAM MILHÕES DE REAIS EM NOSSO ESTADO COMO OS PEDAGIOS.

  • Moreira | Sábado, 06 de Julho de 2019, 08h41
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    É engraçado como comentaristas mudam de opinião como quem troca de camisa.

  • Rmac | Sexta-Feira, 05 de Julho de 2019, 10h16
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    Já faz muito tempo que estamos pebado.nao há coerência na maioria destes deputados, são populistas e defendem de tudo e de nada.Outros se elegem pela bandeira dos servidores e só tem estes como foco. É muito corporativismo,individualismo e meu pirão primeiro. E o povo? O povo é só um detalhe.

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