Edésio Adorno

Moro confia em Fux; eu desconfio dessa confiança!

Por 14/06/2019, 07h:52 - Atualizado: 14/06/2019, 07h:58

Dayanne Dallicani

Colunista Ed�sio

 

Deltan Dallagnol, Rodrigo Janot e Silval Barbosa devem ter bons motivos para reproduzir a frase que o então juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, cunhou em inglês: “In Fux we trust” (em Fux nós confiamos).

A declaração de confiança que Moro fez a Fux foi em retribuição a uma manifestação de apoio que o ministro do STF externou ao magistrado e aos valentes procuradores da Lava Jato. “Podemos contar com ele para o que precisarmos, mais uma vez”, reportou Dallagnol ao juiz.

A troca de figurinha, o alinhamento político-ideológico, o ajustamento de desígnios entre magistrados e membros do MPF solapam inexoravelmente a credibilidade do judiciário, o último bastião de defesa da democracia e do estado de direito.

O promiscuo contubérnio entre acusadores e julgadores, além de atentar contra os princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade, espanca o direito à ampla defesa, ao contraditório e a um julgamento técnico, neutro e imparcial. O conluio formado por juízes e membros do Ministério Público apresenta em sua gênese a predisposição de condenar, de mandar suas vítimas para a masmorra ou para o purgatório das redes sociais.

Assim como Fux prometeu a Dallagnol apoiar Moro e a Lava Jato no que fosse preciso, deduzo que tenha feito a mesma oferta de apoio ao ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, quando da homologação do acordo de colaboração premiada de Silval Barbosa.

Sem estudar o processo, sem avaliar o conjunto da obra, com base apenas na narrativa do maior gangster da história de Mato Grosso, Fux fuxicou para a imprensa nacional que o conto de Silval se tratava de uma delação monstruosa.

Enxertado por Janot, Fux pariu uma cautelar para afastar cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE). Uma ação esdrúxula que tinha por finalidade afastar Antonio Joaquim da estrada do ex-governador Pedro Taques, que pertenceu ao MPF e era próximo de Janot. Teria Fux feito o que fosse preciso para atender a um eventual pedido do então chefe da PGR? Talvez, o site The Intercept Brasil tenha essa resposta.

Prefiro incorrer no risco de ser criticado pelos devotos do ministro da Justiça e ex-juiz Sergio Moro. Mas, definitivamente, não confio em Luiz Fux. Já não confiava antes das revelações do editor-executivo do The Intercept Brasil, Leandro Demori, a Reinaldo Azevedo.

Não dá para confiar em um ministro do STF que manipula o pendulo da balança da justiça. Uma simples manifestação da Suprema Corte não será o bastante para restabelecer a confiança do povo a um ministro que desonrou a toga.

O calvário dos conselheiros do TCE está perto de completar dois anos. Até agora, não há formação de culpa. Sequer foram denunciados pelo MPF. Nenhuma das acusações de Silval Barbosa se confirmou.

Ainda assim, todos os cinco conselheiros permanecem afastados de suas funções. Fux baixou o processo para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). A carnificina jurídica já estava pronta. Essa brutal e ignominiosa injustiça deve ser corrigida no STJ por algum ministro sensato, não convertido ao morismo e nem alinhado ideologicamente com os valentes procuradores da Lava Jato. É o que se espera!

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente para este Blog toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com​

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Comentários (1)

  • Nadir | Sexta-Feira, 14 de Junho de 2019, 09h43
    1
    0

    Desta vez lhe parabenizo pela defesa do Estado de Direito. Aqui não foi diferente. Selma Arruda foi o "moro de saias".

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