Edésio Adorno

Noroeste de MT pede socorro

Por 06/03/2020, 08h:28 - Atualizado: 06/03/2020, 10h:09

Dayanne Dallicani

Colunista Ed�sio Adorno

Juína, Castanheira, Juruena, Cotriguaçu, Aripuanã e Colniza são municípios vizinhos, porém isolados um do outro devido a precariedade da BR-174. A rodovia estadual MT-206, no trecho entre o distrito de Guariba e Guatá (RO) está praticamente intransitável. O problema não se resume na falta de manutenção da estrada de chão.

Duas pontes despencaram e com elas afundaram no mar de lama do descaso público o sonho de uma existência menos traumática. A população reage, grita e se esperneia como pode. “Ainda que gritemos a todo pulmão, nossa voz não reverbera em Cuiabá e muito menos em Brasília”, afirma o empresário Adércio José de Oliveira, o Comando e acrescenta: “não somos ouvidos por ninguém. Os políticos fingem que escutam a gente apenas em período de eleição. Estamos sendo engabelados há mais de 30 anos”.

A pecuária é uma das forças motrizes da economia do Noroeste do Estado. Aliado a criação de gado, o setor madeireiro, a produção de café, a agricultura familiar e a produção mineral geram postos de trabalho, renda, expressiva arrecadação de tributos para os cofres públicos e aquece o comércio e a prestação de serviços.

Se o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) tivesse interesse em fazer um estudo sobre a economia do Noroeste, seguramente seria constatado que o Índice de Retorno ao Bem-Estar da sociedade (IRBES) é extremamente baixo. Os governos das três esferas de poder se assemelham a carrapatos. Sugam o sangue, aliás, o dinheiro da população para o seu próprio deleite.

O serviço de saúde pública nunca foi tão precário, deficiente e incapaz de atender a demanda da população. Enquanto a criminalidade explode com força, o tráfico de entorpecentes avança, a síndrome do medo assume aspecto de patologia coletiva, as forças de segurança se apresentam debilitadas.

Os governos das três esferas de poder se assemelham a carrapatos. Sugam o sangue, aliás, o dinheiro da população para o seu próprio deleite

Edésio Adorno

Na maioria das cidades não existe saneamento básico ou mesmo galeria de captação de águas da chuva. Em alguns casos, até a água que chega na torneira da população é imprópria para o consumo humano. A malha urbana carece de infraestrutura básica. Não é difícil encontrar ruas esburacas e tomadas por lixo e matagal. Nesse ambiente de desleixo público, o mosquito vetor da dengue, chikungunya e zica, encontra terreno fértil para se reproduzir e colocar em risco a saúde e a vida de indefesas pessoas.

Um outro problema que causa inquietação popular é a falta de política habitacional, principalmente em Aripuanã, onde o déficit de moradia é altíssimo. O prefeito Jonas Canarinho (PSL), por omissão, deixou de receber R$ 8 milhões para construção de 100 unidades habitacionais pelo programa Minha Casa Minha Vida 2. O gestor não conseguiu cumprir a parte que cabe ao município na parceria Governo estadual, Caixa Econômica Federal e prefeitura. Não foi capaz de viabilizar uma área para construção do núcleo habitacional.

Conversei com empresários, madeireiros e pecuaristas da região. Para alguns dos consultados, a Portaria 139/2020, editada pelo DNIT, que autoriza a instalação de uma balança na BR-174 e restringe o peso de caminhões pode aumentar em até 30% o preço do frete e, como efeito colateral, causar arrefecimento da economia local.

O setor produtivo ficou apreensivo diante da medida. Como reação, articula a interdição da via federal. O objetivo seria chamar a atenção das autoridades e levar ao conhecimento do presidente Jair Bolsonaro a situação de desespero que tomou conta de toda a região. “Não precisamos de limitação de peso para caminhões. O que precisar ser feito com urgência é a conclusão das obras da BR-174 pelo DNIT. Já o Governo do Estado deve fazer a manutenção das rodovias estaduais, recuperar ou construir pontes e garantir a trafegabilidade dessas vias”, escreveu um representante do setor de base florestal.

A região que se tornou alvo de ações, muitas vezes truculentas, por parte de agentes da Sema e do Ibama, enfrenta problemas de logística e de infraestrutura, tem agora mais um pepino para descascar: a Portaria 139, do Dnit. Ainda não é possível saber se o órgão, que é vinculado ao ministério da Infraestrutura, vai promover a readequação ou revogação da medida. Um fato, no entanto, é inegável: a possibilidade de interdição da BR-174 despertou os olhares curiosos e, quase sempre omissos e complacentes, de autoridades dos governos estadual e federal.

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente nesta coluna toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com​

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