O senador e a mordida canina em deputado do PSL

Por 17/05/2019, 07h:40 - Atualizado: 17/05/2019, 07h:49

edesio do carmo artigo 400

Edésio Adorno

O senador Jayme Campos (DEM) é o que pode ser qualificado de um matuto astuto. O linguajar brejeiro e a visível ausência de familiaridade com o vernáculo pátrio emprestam lustro a sua performance política, sempre mesclada com fanfarronice, grandiloquência e picardia. Nada disso, no entanto, constitui óbice para o caudilho da cidade desindustrializada desancar desafetos e arrancar aplausos de um séquito de comensais e de devotos bajuladores.

O senador Jayme Campos (DEM) é o que pode ser qualificado de um matuto astuto. O linguajar brejeiro e a visível ausência de familiaridade com o vernáculo pátrio emprestam lustro a sua performance política, sempre mesclada com fanfarronice, grandiloquência e picardia (...) uma raposa sagaz 

Atrás desse homem de aparência rude se esconde uma raposa sagaz, astuciosa e capaz de recorrer ao mais maquiavélico dos ardis linguísticos para alvejar mortalmente quem se atreve a cruzar sua estrada, questionar suas ordens ou criticá-lo por qualquer razão. Com ele, prevalece a máxima do chocolate: “bateu, tomou!”

Na semana passada, Campos afirmou com todas as letras que a disposição do presidente Jair Bolsonaro em conduzir o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para o STF, transforma em pó a reputação moral do juiz que comandou a Lava Jato.

O deputado Silvio Fávero (PSL) reagiu às críticas do democrata, ponderou não ver nenhuma ilegalidade no desejo do presidente Bolsonaro de indicar Moro para o STF e considerou absurda as declarações do parlamentar federal.

Jayme não deixou barato, partiu para a treplica. “Fávero precisa respeitar o direito constitucional da liberdade de expressão”, tergiversou o senador. Além do emprego de subterfugio, o senador pisoteou a coerência.

Se o parlamentar quer que seja respeitado o direito à liberdade de expressão, sua, claro, que também respeite o mesmo direito à liberdade de expressão dos que não lambem sal nos cochos de suas fazendas.

Para desautorizar e reduzir o deputado do PSL de Bolsonaro abaixo de rabo de cachorro, Jayme Campos fugiu do embate político e se valeu de um infortúnio sofrido pelo parlamentar. Segundo o debochado senador, Fávero foi atacado no rosto por um cachorro porque o animal não gosta do deputado.

A estratégia usada pelo caudilho pantaneiro para fustigar adversários é antiga. Ele bate e assopra, critica e diz que apenas está mostrando o que a imprensa noticiou. Uma retórica vazia e canhestra. Quem reproduz uma crítica com ela concorda. O senador sabe disso. Mas prefere se fazer passar por encantador de bajuladores, que adoram viver no mundo da ilusão.

"Eu não critiquei, eu coloquei meu ponto de vista como senador. Estamos vivendo praticamente um período de fascismo aqui no Brasil. A crítica democrática é saudável em um regime democrático, e liberdade de expressão é um direito constitucional”, discursou o cacique.

Negar a Silvio Fávero o direito de também expor seu ponto de vista como deputado estadual é um contrassenso 

Razão assiste a Jayme Campos, quando ele reivindica o direito de expor seu ponto de vista como senador. Negar a Silvio Fávero o direito de também expor seu ponto de vista como deputado estadual é um contrassenso. Liberdade de expressão é um direito constitucional garantido a todos os cidadãos, em respeito ao também constitucional princípio da equidade ou isonomia.

O senador precisa aprender a lidar com os novos tempos. A internet revolucionou as comunicações. Controlar, manietar a imprensa se tornou quase impossível. O cidadão deixou de ser mero consumidor passivo de informação.

As redes sociais quebraram o monopólio da grande imprensa. As informações circulam no mundo digital com a velocidade da luz. Cada cidadão empunha o celular e produz conteúdo, invariavelmente com critica a seus representantes. Jayme vive com a garrucha apontada para seus adversários. No entanto, quando sofre uma estilingada em sua arrogância, reage e grita: “estamos vivendo praticamente um período de fascismo aqui no Brasil”.

Para o vetusto cacique de Várzea Grande, democracia é quando ele pode enxovalhar seus adversários ou o governo que não atende seus pleitos fisiológicos. Se ele é alvo de críticas e de questionamentos, claro, aí é fascismo mesmo. Jayme é uma piada; e eu, conforme epitetado pelo jornalista Enock Cavalcante, apenas um fascistinha.

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente para este Blog toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com​

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Comentários (1)

  • Cecilia Arruda | Sexta-Feira, 17 de Maio de 2019, 19h14
    0
    3

    Um dos melhores políticos de MATO GROSSO. o senador é um homem inteligente e compromissado com a verdade. Gosto do seu jeito de ser. Agora, este deputado não é um pingo interessante.

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