Edésio Adorno

Por um Brasil sem ódio

Por 02/08/2019, 08h:12 - Atualizado: 02/08/2019, 08h:16

Dayanne Dallicani

Colunista Ed�sio Adorno

Os gladiadores de esquerda e de direita transformaram as redes sociais em um ringue de batalha virtual. Nos grupos de Whatsapp, adeptos de Lula e de Bolsonaro se engalfinham num duelo interminável. Os expectadores acompanham estupefatos a esse tétrico espetáculo de agressões reciprocas, que é alimentado por intrigas e falsas notícias. O clima de beligerância nas redes sociais estimula a militância fundamentalista dos grupos em conflito.

Os gladiadores de esquerda e de direita transformaram as redes sociais em um ringue de batalha virtual

A Internet abriu horizontes, criou possibilidades, aproximou pessoas e consolidou a globalização. Mas despertou o monstro que existia adormecido no interior de cada um e de todos nós. Usamos o teclado do computador ou do celular como uma arma de fogo. Estamos dispostos a acioná-lo para alvejar com palavras grosseiras quem posta qualquer coisa que nos desagrada.

Aprendemos a criticar a tudo e a todos, mas reagimos de forma estéril a quem crítica nosso político de estimação. Os ativistas de direita adoram escrachar Lula, mas reage com indignação contra quem se atreve a criticar o presidente Jair Bolsonaro. O oposto também é verdadeiro. A linha da irracionalidade dividiu o Brasil entre lulistas e bolsonaristas, entre esquerdistas e direitistas. Muitos dos que estão de um lado ou de outro sequer sabem o real significado das expressões “esquerda” e “direita”.

O Brasil caipira, plural e democrático flerta com a intolerância, dissemina o ódio entre irmãos, cria guetos sociais e abre espaço para o perigo. Ninguém precisa concordar ou apoiar os movimentos sociais, sejam eles de quilombolas, de sem-terra, de índios ou de gays, lésbicas, transexuais ou de qualquer natureza ou orientação ideológica. Basta respeitar, respeitar e respeitar.

Ser de esquerda ou de direita é uma opção política. Uma corrente ideológica depende da outra para sua existência. Sem o PT, sem a Dilma, sem o Temer e sem o Lula para combater e usá-los como seus sparing, certamente o capitão não teria sido eleito presidente do Brasil. Bolsonaro soube usar a esquerda como saco de pancada e como escada para atingir o topo do poder político.

Quem está no governo deve governar. A campanha eleitoral chegou ao fim. É hora de baixar as armas e levantar a bandeira da paz

Se o consórcio político liderado pelo PT, durante os governo Lula e Dilma, não tivesse assaltado a Petrobras, é provável que a Lava Jato seria conhecida apenas como um local onde se lava carro. Por consequência, Sérgio Moro ainda seria um magistrado desconhecido, anônimo. Esquerda e direita são irmãs siamesas. Elas se complementam. Uma depende da outra para existir. E as duas juntas deveriam travar apenas uma disputa. Quem faz mais pelo Brasil?

Condenar os erros do passado é salutar para evitar sua repetição. Mas fazer disso um mantra é tolice. Chega de guerra entre torcidas de Lula e de Bolsonaro. Os brasileiros precisam de saúde, de emprego, de segurança, de estradas seguras, de moradia e de dias menos sofridos.

Quem está no governo deve governar. A campanha eleitoral chegou ao fim. É hora de baixar as armas e levantar a bandeira da paz. A beleza do Brasil se revela no seu sincretismo religioso, na pluralidade das convicções políticas e filosóficas de sua gente. O País é polimórfico e multifacetário, tem a cara da diversidade e a capacidade de abrigar os desiguais de forma harmônica e respeitosa.

O ódio que os brucutus de esquerda e de direita despejam nas redes sociais embrutece o ser humano, afeta a saúde psicológica da coletividade, estimula a violência e desagrega famílias. John Lennon sugeriu: “imagine viver a vida em paz”. Que tal viver a recomendação do imortal líder dos Beatles?

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente nesta coluna toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com​

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Comentários (1)

  • Sueli | Sexta-Feira, 02 de Agosto de 2019, 16h45
    2
    0

    Parabéns! Perfeita colocação. Concordo com vc.

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