Edésio Adorno

Silvio Fávero e um dilema: fundo partidário ou Bolsonaro?

Por 15/11/2019, 00h:00 - Atualizado: 14/11/2019, 21h:31

Dayanne Dallicani

Colunista Ed�sio Adorno

Um jogo de carta marcada e um discurso esfarrapado para tentar justificar a trapaça. Será que os deputados Nelson Barbudo e Silvio Fávero vão conseguir engrupir a direita e os eleitores do presidente Jair Bolsonaro com lorotas? O discurso de que não precisa sair do PSL para apoiar o capitão é papo furado, conversa para boi dormir. Se todos que foram eleitos na garupa do capitão, pensar assim, o projeto de criação do partido Aliança pelo Brasil morre no nascedouro.

Pinço da entrevista que Fávero concedeu, quinta (14) ao repórter Paulo Coelho, do Hiper Notícias, os elementos fundantes desse artigo. Questionado se estaria disposto a migrar para o futuro partido do presidente Bolsonaro, o deputado respondeu: “vamos sentar e conversar primeiro. Baseado nisso, independentemente de estar no PSL ou não, nós seguiremos apoiando o Bolsonaro”.

Fávero tem uma explicação para manter a aliança com o cacique do PSL, deputado Luciano Bivar: “o compromisso firmado com os atuais filiados ao PSL, que seriam uns 150 pré-candidatos a prefeitos e a vereadores no pleito de 2020. Esse pessoal acreditou no PSL”, afirmou o deputado.

A quem Fávero pensa que engana com essa narrativa sem pé e sem cabeça? Acho que nem ele próprio acredita nessa besteira. Quem se filiou ao PSL, de olho nos pleitos de 2020 e 2022, o fez atraído pela mística de Jair Bolsonaro. “Não sou PSL e não serei Aliança pelo Brasil, sou soldado do capitão”, essa frase que circula nas redes sociais basta para desconstruir a pueril argumentação de Fávero.

Se Bolsonaro vai para o Aliança pelo Brasil é com ele que seus soldados seguirão. E você, Fávero?

Edésio Adorno

Incoerente e contraditório, Fávero faz jus ao epiteto de político flex, tamanha sua flexibilidade ideológica. “Não é preciso estar no partido do presidente para dizer que sou contra ou a favor. De repente, a gente pode pegar um DEM ou MDB”. Pode mesmo, deputado? Por que não fez essa afirmação durante a campana eleitoral? Ah, eu sei. Era preciso se fazer passar como sendo de direita para engalfinhar os votos do bolsonarismo.

O detalhe que o deputado Silvio Fávero não sabe é que a direita, a esquerda, a imprensa, os filósofos de grupos de Whatsapp e até os atletas de biriba sabem que ele e Barbudo celebraram um pacto, uma aliança providencial. Ou seria previdente? O combinado é simples: Nelson Barbudo vai para o Aliança pelo Brasil e se mantém próximo do presidente Jair Bolsonaro; Fávero fica no PSL e assume a gestão da grana do fundo partidário – algo em torno de R$ 1,2 mi anual. Pelo avençado, seu chefe de gabinete, Carlos Daltro, herda o PSL de Cuiabá.

Fávero, por ser Fávero, se comporta como Fávero e acredita que seus dotes de ilusionista de tolo são o suficientes para hipnotizar o bolsonarismo e seduzir a direita que repudia os métodos e práticas da velha política. Ele disse essa baboseira: “estou carregando o partido nas costas. Toda reunião que é feita aqui, o dinheiro sai do meu bolso”.

Será mesmo? O ato de filiação ao PSL, realizado em 17 de agosto, em um hotel de Cuiabá, custou R$ 75 mil. O diretório nacional do partido repassou a grana direto para a conta bancária de um empresário, que até o mês de maio, fazia parte da assessoria parlamentar de Fávero.

A direita autêntica, verde amarela, que defende uma escala de valores éticos, morais, filosóficos e teológicos; que acredita na supremacia da família tradicional, da pátria e de Deus; que acredita no liberalismo econômico, intelectual e cultural; que enxerga na iniciativa privada a realização da liberdade individual e coletiva, essa direita segue fiel e marcha com o capitão Jair Bolsonaro.

É possível que o presidente Bolsonaro tenha aliados de ocasião e eventuais apoio de outros partidos políticos. Os bolsonaristas, no entanto, jamais farão como o apostolo Pedro, que seguiu a Jesus de longe e acabou por traí-lo antes que o galo cantasse três vezes. Se Bolsonaro vai para o Aliança pelo Brasil é com ele que seus soldados seguirão. E você, Fávero?

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente nesta coluna toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com​

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