Eduardo Mahon

BASTA

Por 16/05/2020, 11h:00 - Atualizado: 16/05/2020, 11h:00

Dayanne Dallicani

Colunista Eduardo Mahon

O presidente acredita francamente que a massificação de uma informação vai convencer o público. Acabou de repetir que 70% da população brasileira pegará o coronavírus. Esse porcentual representa 150 milhões de pessoas. Considerando que 2 a 3% dos afetados morrerão, teremos 3 a 4,5 milhões de brasileiros vitimados, ou seja, no Brasil haverá mais morte do que a somatória do mundo.

Bolsonaro não vai conseguir convencer o povo por repetição automática. É bem verdade que regimes autocráticos já conseguiram anteriormente, como é o caso de Hitler, de Stalin e de Mao. No entanto, os tempos são outros. Com as redes sociais, cada cidadão pode se expressar livremente e fazer essa aritmética básica.

Imagino que a técnica usada por Bolsonaro seja a mesma do “factoide”, usada pelo ex-prefeito do Rio, César Maia. O factoide é um histrionismo. Um fato controvertido completamente descolado da realidade que pauta a nação em sentido contrário às necessidades da agenda social, econômica e, hoje, sanitária. Portanto, a queda de braço com o Congresso, com o STF, com os governadores, os ecos de golpe militar, todos esses factoides produzidos por Bolsonaro pretendem mascarar sua completa falta de capacidade política de gestão.

A queda de braço com o Congresso, com o STF, com os governadores, os ecos de golpe militar, todos esses factoides produzidos por Bolsonaro pretendem mascarar sua completa falta de capacidade política de gestão

Até mesmo a flagrante tentativa de contornar investigações federais contra os filhos é um factoide em tempos de pandemia. Os jornais são pautados por crises semanais, afastando-se da cruel realidade: o vácuo administrativo causado pelo isolamento político de Bolsonaro. A inabilidade, a incapacidade, a incompetência pessoal do presidente precisa de compensação.

Daí surgir a purgação política na eleição de inimigos ocasionais, quadro agravado pelo criminoso uso de milícias reais e virtuais a serviço da autocracia familiar de Bolsonaro.

Não se trata apenas de espontaneidade. Nem de grosseria. Bolsonaro pratica crimes evidentes. O escândalo, porém, é relativizado.

Da memória brasileira, são evocadas culpas conjuntas: sistema político, jurídico, burocracia do funcionalismo etc. Não é por coincidência que o presidente se socorre dos clichês para justificar sua incapacidade. A culpa é da corrupção.

O Executivo - sempre bem intencionado pelo ar patriótico - está sendo impedido de governar. Essa vitimização não prospera porque a incoerência é tão intensa que não se sustenta na fala do próprio presidente.

Precisamos afastar Bolsonaro do poder. É uma questão de legítima defesa. Os reiterados atos de improbidade, a óbvia falta de decoro, as agressões institucionais, tudo passou do limite aceitável de intenso questionamento político. Não há imunidade nem para a burrice, nem para o golpismo. Basta!

Eduardo Mahon é advogado, escritor e escreve exclusivamente neste espaço todo sábado. E-mail: edu.mahon@terra.com.br

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Comentários (3)

  • naldo | Sábado, 16 de Maio de 2020, 15h33
    6
    1

    Alexandre, como você é idiota e mau-caráter! Pessoas como você são um câncer para a sociedade.

  • alexandre | Sábado, 16 de Maio de 2020, 12h00
    1
    5

    Petebas.. espere 2022 chega de gope..

  • Luiz Esmael | Sábado, 16 de Maio de 2020, 11h22
    5
    1

    Otima leitura do atual cenario politico e administrativo do Brasil. E a pior crise que o Pais atrevessa. E tao cara de pau este governo que usara a pandemia como desculpa para se reeleger

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