Eduardo Mahon

Chame ladrão!

Por 26/04/2020, 09h:00 - Atualizado: 26/04/2020, 09h:10

Dayanne Dallicani

Colunista Eduardo Mahon

Não há forma delicada para dizer que Bolsonaro é o maior imbecil que passou pela Presidência da República. Se temos na memória as erratas que Dilma cometia em seus tropeços lógicos, proponho-me a pensar na violência de Floriano Peixoto, na truculência de Médici, na antipatia de Figueiredo e no visível desequilíbrio de Collor. Mas nada pode ser comparado à estupidez de Bolsonaro. Ao contrário do que costuma dizer, não está isolado por força de uma política diferente, essa limpeza ética da qual faz propaganda. Isola-se em razão principalmente do péssimo trato pessoal, de um lado, e da deslealdade dos filhos, de outro.

É surpreendente que devamos tratar de assuntos pessoais em público. Todavia, a família Bolsonaro consegue misturar o público e o privado de uma forma que Raymundo Faoro jamais iria supor ao escrever “Os donos do poder”. Não é preciso nenhum esforço para entender a articulação da família para municiar uma máquina de moer reputações, a partir de pequenos financiamentos com verba pública. Esse batalhão de robôs distribuem mentiras e falsidades para que o público continue consumindo o ódio fomentado. Daí prossegue o clima de antagonismo nesse ambiente extremista do “nós” contra “eles”. A família Bolsonaro espera não apenas apoio, mas adesão total. Por isso, nunca o Presidente da República erra, sempre é levado ao erro, é traído, é apunhalado por todos os que negarem seguir essa cartilha integralista.

Seremos obrigados a tomar partido da insana torcida que bate panelas por marginais de gravata, condenados pelo Poder Judiciário frente à incontornáveis evidências? Ou desse bovino grupo de hooligans da política, armados de ódio, robôs e faixas que inflamam o país com pedidos por um golpe militar?

Eduardo Mahon

Pior é o viés militarista que assombra o atual governo. Bolsonaro, um militar expulso por insubordinação, ainda não saiu do quartel. Evoca a linguagem castrense e colmata a política nacional como um grande comando militar. Hierarquia, rendição, ordem, tropa, são expressões usadas para substituir o diálogo, o debate e a tolerância, todos valores inerentes à democracia. Povoando os cargos públicos com militares, pede às Forças Armadas que sejam fiadoras do governo sem traquejo político, ameaçando diariamente a democracia com uma futura reação violenta a um processo legítimo de afastamento. É uma forma de chantagem que não me parece exequível, muito embora assuste um gabinete integralmente militar.

Saímos do monstro da corrupção para cairmos nos braços de outro monstro, o do autoritarismo. Não há uma escala segura para saber qual é o pior, nem é a minha intenção formular qualquer medida do “menos pior”. De qualquer forma, é frustrante. A um só tempo, Bolsonaro dissolve o resto de credibilidade que a geração passada tinha nas Forças Armadas e põe em xeque a confiança das gerações atuais no sistema democrático. Pergunta-se: vale a pena primar pelo controle do dinheiro público com a condicionante autoritária? Isso, claro, se partirmos do pressuposto que Bolsonaro e sua família obscura é, de fato, honesta. Em condições normais de temperatura e pressão, essa questão é incabível por ser improvável sermos obrigados a escolher entre a democracia do roubo e uma ditadura da honestidade.

Chico Buarque, em plena ditadura militar, usava o pseudônimo de Julinho da Adelaide para driblar a censura. Foi assim que conseguiu aprovar a música “Acorda, amor”. A letra nos apresenta o que nos parece ainda hoje insólito – com medo da polícia (não qualquer uma, mas a polícia política), o autor pede à mulher – chame ladrão!, chame ladrão!, chame ladrão! Será essa a nossa triste escolha? Seremos obrigados a tomar partido da insana torcida que bate panelas por marginais de gravata, condenados pelo Poder Judiciário frente à incontornáveis evidências? Ou desse bovino grupo de hooligans da política, armados de ódio, robôs e faixas que inflamam o país com pedidos por um golpe militar? Acorda, amor! Acorda, povo brasileiro! Não merecemos chamar o ladrão para nos defender.

Eduardo Mahon é advogado, escritor e escreve exclusivamente neste espaço todo sábado. E-mail: edu.mahon@terra.com.br

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