Eduardo Mahon

Esquerda e Direita?

Por 17/10/2020, 09h:33 - Atualizado: 17/10/2020, 09h:40

Dayanne Dallicani

Colunista Eduardo Mahon

Não pergunte a um desconhecido se é de esquerda ou de direita. Esse questionamento, nos dias de hoje, pode fazer mal à saúde mental. Fiquei sabendo de uma pessoa que foi questionada a respeito, porque era muito equilibrada. Essa pessoa tentou explicar. É de esquerda, mas não apoia as quotas, então é de direita, mas é a favor das políticas de gênero, então é de esquerda, mas não apoia o aborto, então é direita, mas não apoia o atual governo, então é de esquerda, mas acredita que o ex-presidente é culpado, então é de direita, mas não apoia a interferência religiosa na educação, então é de esquerda, mas apoia o alinhamento com países de primeiro mundo, então é de direita, mas não apoia a política d...e armas, então é de esquerda, mas apoia o controle da mídia, então é de direita, ou melhor, de esquerda... diz-se de direita, mas não quer a autonomia do banco central, mas é terminantemente contra o ensino sexual para menores de idade, muito embora possa ser ser de esquerda porque quer a liberação da maconha, embora simpatize com a escola sem partido.

Ela jura que é de esquerda, é contra o imperialismo neocolonialista, mas curte o fim de ano entre Paris e Nova Iorque e, depois, quer convencer alguém que é de direita quando vai panfletar na rua em favor do desarmamento. As pessoas de esquerda afirmam que não há provas concretas contra Lula e, portanto, ele é um preso político no Brasil, perseguido pelo Ministério Público, pelo Judiciário, pela Rede Globo, pelas Testemunhas de Jeová e pelo imperialismo norte-americano, o mesmo que causou o apagão na Venezuela, que faz de Cuba um país pobre, que não deixa a Coréia do Norte se desenvolver.

Por outro lado, dizem os de direita que Bolsonaro não tem qualquer envolvimento com as milícias cariocas e o fato de posar em fotografias ou ter os filhos homenageando presidiários é mera coincidência, tratando-se de uma perseguição do Ministério Público, do Judiciário, da Rede Globo, do Opus Dei e da União das Repúblicas Socialistas da América Latina, mais conhecida como URSAL revelada por obra e graça do Cabo Daciolo. Essa pessoa que não acredita em Lula, mas não suporta Bolsonaro, que não apoia a roubalheira do governo petista, mas desconfia do militarismo iminente do atual governo, que apoia a Operação Lava Jato e também apoia a investigação contra Flávio Bolsonaro que teria abiscoitado o salário de assessores, que condena o radicalismo de malucos que brincam de roda, uns enfiando o dedo no rabo dos outros, e que condena também a republiqueta de generais controlando o governo, que não suporta as universidades tomadas por maconheiros que mijam em mulheres e picham as paredes e que não suporta a misoginia, o racismo e a burrice dos bolsominions, essa pessoa que não consegue se definir se é de esquerda ou se é de direita, passadas as eleições onde foi obrigada a optar entre um poste e uma porta, essa pessoa atormentada em busca de uma definição para a sua vida política, começou a frequentar o analista toda a quarta-feira para ver se consegue parar de mijar nas fotos de Bolsonaro, mas ainda não conseguiu conter o grito Lula Livre todas as vezes que atende ao telefone. Seu lema? O Brasil, apesar de todos e Deus, apesar de tudo!

Eduardo Mahon é advogado, escritor e escreve exclusivamente neste espaço todo sábado. E-mail: edu.mahon@terra.com.br

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Comentários (2)

  • Everton | Sábado, 17 de Outubro de 2020, 21h39
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    Belíssima análise. Só faltou dizer que o pior tipo é o pobre de direita! Explorado como escravo e ainda bate palmas para seus exploradores.

  • Waldney Lisboa | Sábado, 17 de Outubro de 2020, 17h54
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    Perfeito. O que cada cidadão precisa definir e defender é o que é bom para ele. A política não é de direita nem de esquerda. Política é para pensar, decidir aquilo que é melhor para a vida em sociedade. E isso deve estar presente na esquerda e na direita.

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