Eduardo Mahon

Há nazistas entre nós

Por 18/01/2020, 00h:22 - Atualizado: 18/01/2020, 00h:28

Dayanne Dallicani

Colunista Eduardo Mahon

Os regimes de força nascidos após a Primeira Guerra foram totalitários, sejam eles de esquerda ou de direita

Diante do episódio nazista teratológico, Bolsonaro decidiu demitir o Secretário Nacional de Cultura. Gostaria de propor um exercício. Vamos imaginar que Alvim não houvesse se usado de um conjunto de frases nazistas, mas mantivesse a mensagem: substituição de uma “arte degenerada” por uma cultura patriótica, nacional, mítica e religiosa. Há muita gente que concordaria. O que isso significa? Infelizmente, preciso responder: temos incubado o ideário totalitário no Brasil. Mas, antes de prosseguir, o que significa ser totalitário?! Os regimes de força nascidos após a Primeira Guerra foram totalitários, sejam eles de esquerda ou de direita. Objetivando um controle total da sociedade, proclamavam que a nação deveria estar acima de qualquer interesse individual. Stalin e Hitler são, cada qual a seu modo, uma face da mesma moeda. O totalitarismo representa o antihumanismo, ou seja, a supressão da individualidade. Trocada pelo coletivismo, pela planificação, pela segurança, as expressões individuais só são permitidas num regime totalitário, se o governo entender que estão alinhadas com a ótica coletiva, os valores patriotas, religiosos e morais ditados pelo próprio governo. De modo que, voltando ao nosso exercício, façamos a pergunta: se Alvim não cometesse o “deslize” de tornar óbvia a referência nazista, seria nazista o conjunto de ideias que representa? Sim. O que assusta é que uma boa parte do Brasil entende que não há nada de errado em colocar o Estado acima de tudo. Curiosamente, pretendem uma desregulamentação estatal, uma diminuição do Estado. Por outro lado, uma substancial parcela da população aprova colocar Deus acima de tudo, isto é, que

Há os que querem menos liberdade em nome da igualdade social. São totalitários de uma forma

o Estado coloque Deus acima das leis. Noutras palavras: não acreditam ser uma teocracia problema algum. A conclusão é que flertamos abertamente com o totalitarismo sem qualquer pudor. As justificativas são as piores possíveis, as mais débeis, as mais mesquinhas e insustentáveis. Precisamos urgentemente pactuar que não aceitamos abrir mão das nossas liberdades civis em nenhuma circunstância. Nem pela economia, nem pelo emprego, nem pela segurança, por nenhuma justificativa. A liberdade é odiosa ao socialismo, da mesma forma que é odiosa ao fascismo. Ambos pretendem relativizar a liberdade do cidadão, o primeiro por um Estado interventor e o segundo, por um Estado policial. Há os que querem menos liberdade em nome da igualdade social. São totalitários de uma forma. Há os que pretendem menos liberdade em nome do crescimento econômico ou da moralização de costumes. São totalitários de outra forma. A conclusão não poderia ser pior. Se alguém ousa um discurso nazista é porque já há uma base para escutá-lo. Quem é essa base totalitária? Você que quer um Estado interventor que confisque bens e planifique a economia ou você que patrulha os costumes alheios, vociferando pela pátria, pela religião e pela moral? Saiba que não há diferença entre a sua visão e a do seu pior inimigo.

Eduardo Mahon é advogado, escritor e escreve exclusivamente neste espaço todo sábado. E-mail: edu.mahon@terra.com.br

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Comentários (1)

  • . | Sábado, 18 de Janeiro de 2020, 12h44
    0
    0

    Não diga! Esses arcontes sempre existiram entre nós. Apenas aproveitam a oportunidade atual para revelar quem são sem qualquer pudor.

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