A geografia de Cuiabá, por Mauro Mendes

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Gilson Nunes

O prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes, em entrevista ao programa “Conexão Poder”, do dia 26 de janeiro, pelo SBT, foi pouco diplomático com os jornalistas que o entrevistaram. Em primeiro plano, deixou claro sua intenção de não responder questões que, se não polêmicas, expressavam o desejo de respostas compatíveis com os interesses populares. A operação “tapa buracos” e os investimentos com a saúde e a educação eram temas cujas respostas do prefeito pouco convenciam os jornalistas: estas políticas teriam prioridades para os bairros com maior número de IPTU pago. 

Polêmicas a parte, o fato é que o prefeito, durante a entrevista, revelou que herdou uma dívida astronômica deixada por gestões passadas e que, desde que assumiu o cargo, vem amortizando parte dela, mesmo sabendo das necessidades da execução de obras para a população.

O trem não é fácil não. Os candidatos, enquanto em campanha, têm a receita certa capaz de solucionar todos os problemas da sociedade, principalmente a mais carente. Quando eleitos, verificam que a fotografia ou o quadro em que se encontra o município é catastrófico. Por consequência, a população tem que esperar a velha fábula da “arrumação da casa”, que dura, aproximadamente, um ano e meio. Enquanto isso não acontece, vive-se o “Deus dará”.  

Os jornalistas não deram descanso ao prefeito. Em determinado momento, por exemplo, chegou a ficar confuso ao tentar explicar o porquê de privilégios por mais obras aos bairros que tiveram maior número de pagadores de IPTU. Esse critério, segundo Mauro, é mais justo, pois “quem paga mais, merece mais”. Acho que a sociedade mato-grossense não gostou dessa conclusão, pois ele foi eleito por uma maioria e não apenas por aqueles que têm melhores condições para honrar os seus compromissos. 

Por outro ângulo, ninguém discorda que Cuiabá é a “menina dos olhos” do Estado. Não apenas por ser a capital do Estado, mas sim, porque é ela quem vai sediar o mega evento deste ano, que é a Copa do Mundo de futebol. Não apenas por conta disso, mas não deixa de ser mais um empecilho, ela vem passando por uma transformação cirúrgica em todos os sentidos: duplicação de vias públicas, construção de pontes nas principais vias e de saída do município para cidades vizinhas, dentre tantas outras que somadas perfazem 56 obras.

O grande vilão do contraste da administração pública de Cuiabá não é “essencialmente” somente a gestão do prefeito Mauro, mas sim o fato de se fazer gestão de um município que precisa ser refeito, não é fácil. Partindo dessa premissa, o bom senso ordena que os mandamentos de uma boa administração sejam, no mínimo, coerentes com a realidade local: tanto social, tanto político, econômico ou cultural, tendo por base planejamentos que identifiquem com prioridades incondicionais e essenciais de toda comunidade e não apenas de um grupo. 

É preciso ser sincero, direto e, se possível, diplomático com a sociedade. Ela sabe e entende que o orçamento do município é pequeno para realizar obras ou buscar soluções para todos. Não obstante, deixar de considerar que é racional priorizar ações igualitárias sem estabelecer um critério que convença, considerando as dificuldades inevitáveis, não é nada salutar. É bom que os dois lados – prefeito e sociedade – fiquem atentos a esses climas divergentes, pois cabe lembrar que um lado precisa de credibilidade e a outra das benesses de uma boa administração.

Gilson Nunes é jornalista e funcionário público e escreve neste Blog todo sábado. E-mail: gnunes01@yahoo.com.br

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Comentários (1)

  • Moreira | Sábado, 01 de Fevereiro de 2014, 08h22
    0
    2

    Gilson, com todo respeito, você é que não entendeu o que foi dito pelo prefeito na entrevista. O prefeito disse que aquele bairro que obtivesse a maior porcentagem de pagamento do iPTU, este teria todas as suas ruas asfaltadas,porém, jamais disse que os outros bairros não teriam o programa de pavimentação. A maior prova disso é a pavimentação dos bairro Cidade Verde. Acho corretíssima a ideia dele, pois, por anos, a administração foi conivente com invasões de terrenos, a indústria dos"grilos", e hoje colhemos esse mal, com bairros sem estrutura e extremamente caros para se levar essa estrutura. No dia 30 de Janeiro, foi entregue a primeira obra social da gestão atual, creche do Pedra90, então acho que seu argumento está começando a cair por terra.

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