A política dos caciques e o ano político

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Gilson Nunes

Em razão de 2014 ser ano político, os partidos estão se mobilizando para fazer as tais composições em busca de apoio para aumentar suas chances de ocupar um cargo público ou permanecer nele, como fazem os caciques mandatários que perpetuam, enquanto possível. Dentro dessa filosofia eles ignoram adversários, opositores e qualquer desavença que tiveram no passado. Sobre as ofensas de um para outro no passado talvez não muito longínquo virão argumentos de que se tratavam de “pequenos deslizes”, de “cabeça quente do momento” e, como autênticos políticos que vestem a carapuça da falta de personalidade e caráter, se declaram “amigos”, como outros nunca puderam ser. Que cachorrada! Que falta de hombridade, de orgulho próprio.

Entrar na política para a grande maioria dos candidatos tem o significado de “se dar bem”, desde que cachorro era amarrado com linguiça. A pergunta é: o que é que os políticos mais antigos fizeram para a sociedade ao longo de décadas? Quais foram as obras que beneficiaram “A” ou “B”? Quais os bairros foram contemplados com postos de saúde, com posto policial? Onde está a polícia comunitária tão aclamada pelo então prefeito Wilson Santos durante sua campanha a prefeito de Cuiabá? Cuiabá vive à luz do Deus dará, Deus dará, Deus dará. Mas, será que ficar esperando que o divino dê alguma coisa para alguém de mão beijada, eu acho que não vai funcionar. 

Um homem se torna público quando tem vergonha na cara e se coloca como representante do povo, de fato.  Sei que a crítica não vai abalar aqueles que não pensam assim, porém, é bom que se diga que o povo, ano passado, deu mostras de sua indignação e revolta. Um grupo de revoltosos chegou a atirar bomba dentro da Câmara Municipal de Cuiabá, enquanto outro grupo foi para as ruas para reivindicar tratamento “Padrão Fifa” nas principais áreas das quais a sociedade tanto necessita: educação, saúde e segurança. Alguém sabe me dizer quando é que foi construído o Pronto Socorro de Cuiabá? Quantas vezes ele foi reformado? Alguém sabe me dizer porque é que só existe um posto de saúde numa cidade que triplicou o número de habitantes? E os presídios? Se formos enumerar tudo o que deixaram de fazer e não fazem desde mil e um ano atrás, encheríamos 100 páginas.

Entrar na política significa “me dar bem”, “enriquecer com o dinheiro do povo, sem fazer esforço”. É ter o direito de fazer falcatruas, de ser vilão, sem ser molestado por uma sociedade que vê tudo e, ao mesmo tempo, se vê indefesa para fazer justiça, pois as denúncias até agora feitas não são respeitadas, virão pizzas.

A falsa realidade de ontem ainda vigoram no presente. Os tapinhas nas costas dos filhos das famílias miseráveis continuam dando votos. Mas, até quando? O que se sabe é que, quem fez esse gesto pela primeira vez, o fez com carinho, com humildade. Os oportunistas, descaradamente, viram nele um caminho para se mostrarem da mesma simplicidade do pobre coitado e passaram a usá-los. Que nojo, que podridão, que vermes.

Dos candidatos que se apresentam para concorrer a um cargo público, alguns já são conhecidos desde outros carnavais. São velhos caciques que acreditam na permanência do cargo até que a morte os separem da política. Eles veem nas delícias do cargo, além do caminho mais curto para uma independência financeira, o glamour de ser autoridade. Oh Senhor, perdoai-os, eles não sabem o que fazem. A quem se interessar possa, feche os olhos e veja quantos escândalos cometidos por políticos são divulgados pela mídia, há pelo menos 30 anos.

Assim como toda a sociedade, eu espero que este ano o povo saiba em quem votar. A hora é agora! O direito é de colocar gente que presta no comando do município e do Estado está em nossas mãos. Não podemos perder mais tempo e nem as poucas chances de demonstrar a nossa força, sem sermos contidos pelas forças de quem não nos representa de fato. É bom lembrar que toda regra tem exceção, mas, senhor nosso Deus, faça com ela deixe de ser a grande minoria. Amém!

Gilson Nunes é jornalista e funcionário público e escreve neste Blog todo sábado. E-mail: gnunes01@yahoo.com.br

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