Henrique Maluf

A cultura afro-brasileira, sua influência e luta por espaço e reconhecimento

Por 23/07/2019, 07h:28 - Atualizado: 23/07/2019, 11h:18

Dayanne Dallicani

Colunista Henrique Maluf

O Brasil é o país que tem a maior população de origem africana fora da África e, por isso, a cultura africana é uma das maiores influências no nosso país, principalmente, na música, culinária, religião e outros aspectos sociais brasileiros.

A influência africana, somada a dos portugueses e dos indígenas, recebe o nome de cultura afro-brasileira.

Na primeira metade do século XVI a escravidão teve início no Brasil, os portugueses traziam mulheres e homens negros africanos de suas colônias na África para utilizar como mão de obra escrava nos engenhos de açúcar do Nordeste.

Os escravos tinham uma vida muito difícil, passavam as noites nas senzalas acorrentados, eram constantemente castigados, açoitados, as mulheres eram frequentemente estupradas

 Os escravos tinham uma vida muito difícil, passavam as noites nas senzalas acorrentados, eram constantemente castigados, açoitados, as mulheres eram frequentemente estupradas pelos fazendeiros e capitães do mato, além, obviamente, de serem proibidos de praticar suas religiões ou de realizar suas festas e rituais.

Mesmo com essas grandes dificuldades, imposições e restrições, não deixaram a sua cultura raiz se apagar. Escondidos realizavam seus rituais, festas, danças, músicas e desenvolveram até uma forma de luta, a capoeira. O negro também reagiu à escravidão, buscando uma vida digna. Foram comuns as revoltas nas fazendas em que grupos de escravos fugiam, formando nas florestas os famosos quilombos. O mais famoso foi o Quilombo de Palmares, comandado por Zumbi.

O negro também reagiu à escravidão, buscando uma vida digna. Foram comuns as revoltas nas fazendas em que grupos de escravos fugiam, formando nas florestas os famosos quilombos. O mais famoso foi o Quilombo de Palmares, comandado por Zumbi

A escravidão foi abolida em 1888, porém os resquícios de desvalorização da cultura afro não, no início do século XIX, as manifestações, rituais e costumes africanos eram proibidos. Bem nessa época que o samba nasce, na Bahia, mas toma força e se desenvolve no Rio de Janeiro, porém sendo perseguido.

Durante a década de 1920, por exemplo, o simples ato de caminhar pelas ruas carregando um instrumento musical, ou ser visto dançando ou cantando samba, poderia acarretar numa prisão, principalmente se a pessoa fosse negra. Não havia tipificação na legislação da época, mas essas prisões eram em sua maioria de negros, sambistas, capoeiras e adeptos de religiões afro-brasileiras.

Os ranços da discriminação e da segregação social não serão apagados tão cedo da nossa memória, lembro que o Rap passou por uma perseguição parecida, e recentemente o Funk foi o alvo, com uma sugestão de lei que o tornaria um crime de saúde pública contra crianças, adolescentes e a família, isso cem anos depois, ainda vemos casos de racismo, preconceito e rejeição a culturas do universo afro.

As religiões africanas foram, e são, até hoje muito perseguidas, porém suas manifestações sobreviveram aos batizados e conversões católicas da época da escravidão, e pode-se dizer que são fenômeno relativamente recente na história religiosa do Brasil. O Candomblé e a Umbanda são as religiões afro-brasileiras mais conhecidas e praticadas.

Outra grande contribuição da cultura africana se mostra à mesa. Pratos como o vatapá, acarajé, caruru, mungunzá, sarapatel, baba de moça, cocada, bala de coco e muitos outros exemplos são iguarias da cozinha brasileira e admirados em todo o mundo, além da maravilhosa feijoada, originada das senzalas, era feita das sobras de carnes que os senhores de engenhos não comiam.

Somente a partir do século XX, manifestações, rituais e costumes africanos começaram a ser aceitos e celebrados como expressões artísticas genuinamente nacionais, tais como as que citei, a música, a religião e a culinária. A contribuição negra para o Brasil não foi apenas braçal, apesar do país ter sido erguido sob o suor de mãos negras, temos que desmistificar esse olhar folclorizante e enxergar que a cultura brasileira e mundial é o que é devido à enorme influência do povo africano.

Entre os cinco títulos de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, que o Brasil têm, estão o Samba de Roda, a Capoeira e o Frevo, manifestações culturais majoritariamente influenciada pela cultura africana, os outros dois são manifestações indígenas.

Henrique Maluf é músico, produtor cultural e pesquisador em Cuiabá. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças-feiras. E-mail: herojama@gmail.com

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