Henrique Maluf

A Soul Music, o Balanço da Música Negra

Por 07/07/2020, 07h:36 - Atualizado: 07/07/2020, 08h:08

Arte/Dayanne Dallicani

Colunista Henrique Maluf

Black Music ou música negra é um nome dado a todo um grupo de gêneros musicais que emergiram ou foram influenciados pela cultura africana, assim entendemos que seja algo muito abrangente, e realmente é, porém aqui nestas palavras quero apontar a cultura musical trazida pelos escravos para os países americanos, que foi o miolo formador de praticamente toda cultura musical americana que conhecemos.

 Podemos imaginar que a vida dos escravos, que foram brutalmente arrancados de suas terras para serem comercializados, tenham sido amargamente duras e que não teriam tantas comemorações para fazer, quando tinham momentos de tranquilidade cantavam seus lamentos e dores, a saudade do lar nativo e de seus entes queridos, seus desejos e necessidades que foram ignoradas devido a climas raciais e políticas adversas.

Num panorama mundial a música negra é altamente influente e é responsável por uma grande quantidade de gêneros musicais que emergem dela

Num panorama mundial a música negra é altamente influente e é responsável por uma grande quantidade de gêneros musicais que emergem dela. Nos Estados Unidos da América podemos citar Blues, Jazz, Rap, Hip Hop, Soul, Funk e Disco, gêneros muito autênticos e distintos, marcaram e marcam a música americana. No Brasil temos gêneros musicais que têm a cara do Brasil, mas que não existiriam se não fosse a música negra, a Bossa Nova, o Samba, o Ijexá, Maracatu, Samba-Rock são alguns deles.

Na cultura estadunidense há um gênero que é muito marcante e logo é reconhecido como Black Music. A Soul Music compõe uma longa trilha sonora do imaginário popular, nomes como James Brown, Ray Charles, Stevie Wonder, Michael Jackson, Aretha Franklin, Whitney Houston, Prince, Tina Tuner, All Green, Marvin Gaye, grupos como Tower of Power, The Commodores, Earth Wind and Fire, The Temptations entre tantos outros são responsáveis pela consagração desse gênero.

A Soul Music ou música da alma, nasce nos anos 50 e 60, numa mistura de música gospel afro-americana, Rhythm and Blues e Jazz. Ela é envolvente, emotiva, com melodias complexas e com muito espaço para improvisos, dança, interações como bater de palmas e passinhos, ao melhor estilo que vimos nos filmes estadunidenses quando aparece algum coral gospel cantando. Na grande maioria das vezes as bandas são grandes com grande número de sopros, um grande espetáculo. A Soul Music se tornou a voz do povo negro norte americano, que via ali a oportunidade de reverenciar sua origem, ancestralidade e orgulho, esteve atrelada a vários movimentos sócias, como o antiguerra e o antirracistas.

O Brasil também embarcou no balanço da Soul Music e Tim Maia foi o grande nome responsável por esse presente da música popular brasileira, não é à toa que o síndico é também chamado pai da Soul Music Brasileira. Tim mudou-se muito jovem para os Estados Unidos, não teve muita sorte por lá, foi preso inúmeras vezes até ser deportado de volta para o Brasil, porém trouxe na sua mala a vivência da Soul Music.

Tim Maia, Jorge Bem, Wilson Simonal, Cassiano, Hyldon, Toni Tornado são alguns dos primeiros nomes a carregar a soul music no Brasil nos anos 60, na década de 70 movimento black power ganha força no Braisl, a black music entra em evidência e surgem nomes como Gerson King Combo, Carlos Dafé, Robson Jorge e Miguel de Deus e Paulo Diniz. No final dos anos 70 surge o fenômeno dos bailes black na periferia carioca, onde surge o movimento Black Rio, homônimo de um importante grupo, a Banda Black Rio, grupo esse que incorporam a gafieira ao soul, funk e jazz, uma verdadeira revolução na contracultura nacional.

Nos anos 80 surgem nomes como Sandra de Sá, Cláudio Zóli, o prodígio sobrinho de Tim, Ed Motta e a Conexão Japeri, artistas como Lulu Santos, Fernanda Abreu, Sampa Crew dentre outros se aventuram na Soul Music também, tendo grande sucesso

Nos anos 80 surgem nomes como Sandra de Sá, Cláudio Zóli, o prodígio sobrinho de Tim, Ed Motta e a Conexão Japeri, artistas como Lulu Santos, Fernanda Abreu, Sampa Crew dentre outros se aventuram na Soul Music também, tendo grande sucesso. Nos dias de hoje temos nomes como Seu Jorge, Paula Lima, Negra LiPedro Camargo Mariano, Wilson Simoninha, Max de Castro, Jairzinho, Linniker, Léo Maia, Grooveria, Tuto Ferraz.

Em Cuiabá duas bandas de Soul Music tiveram grande repercussão nos últimos 10 anos, a Mandala Soul liderada por Anselmo Parabá e o Cerrado Groove, além de cantores como Allison Sant, Stanya Cavalvante, Wellington Berê, Danilo Bareiro, e Mônica Seven, artistas que carregam a Soul Music em nosso estado.

Hoje as melhores baladas do mundo tocam Black Music, em Londres, Paris, Nova York, Rio de Janeiro, enfim, uma música do mundo. As bandas e dj’s voltaram a tocar os embalos de sábado à noite, os famosos bailes dos anos 70 e 80, é a volta do ‘balanço’ para as pistas de dança. O surgimento de artistas como Bruno Mars, Adelle, Pharrel Willians, dentre outros, evidenciam essa tendência, a Word Music feita hoje, suga e usa muitos elementos da Black Music.

Henrique Maluf é formado em Música pela UFMT, produtor cultural, pesquisador de cultura regional e arte educador. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças. E-mail: herojama@gmail.com

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