Henrique Maluf

Bolsonaro e sua postura anti-ambientalista

Por 27/08/2019, 07h:31 - Atualizado: 27/08/2019, 07h:34

Dayanne Dallicani

Colunista Henrique Maluf

Eu até gostaria de estar escrevendo algo sobre cultura, arte, música, ou qualquer assunto que fosse de leve leitura, que trouxesse apenas coisas boas. Mas não dá, não dá pra ficar calado e fingir que está tudo bem. Não se fala outra coisa no Brasil e no mundo, o assunto é a queimada na floresta amazônica. Discussões acaloradas nas redes sociais, onde a polarização político partidária fala mais alto enquanto o fogo continua.

Antes de achar que esse artigo seja apenas um ponto de vista, entendamos que as queimadas existem, que todo ano acontece, principalmente aqui no cerrado, como pnotamos na estrada para Chapada dos Guimarães. É corriqueiro, mas o problema é muito mais profundo e delicado, não há tempo nem espaço pra deixar que convicções políticas e viés ideológico destruam nossas florestas.

A polícia federal investiga o que seria o “Dia do Fogo” – um ato organizado por grupos de WhatssApp – onde um grupo de aproximadamente 70 pessoas, entre produtores rurais, sindicalistas, comerciantes e grileiros, planejaram atear fogo em áreas de preservação da floresta amazônica, isso no estado do Pará, sob o pretexto de demonstrar apoio as ideias de Bolsonaro sobre o “afrouxar” da fiscalização do Ibama, e pelo perdão de crimes ambientais.

A postura de Bolsonaro, frente a essa delicada situação, está muito abaixo do esperado, afinal ele é o presidente da república. Suas preocupações estão mais voltadas a opinião pública mundial ao seu respeito, do que com as queimadas na floresta amazônica. O presidente teve a coragem de colocar a culpa dos incêndios em ONGS, sob o pretexto de que essas organizações queriam manchar sua a imagem.

Pra entendermos esse momento, temos que relembrar algumas “promessas” de campanha do nosso presidente, como dizer que causa ambiental atrasa o país, ou que o Ibama era só uma indústria de multas, e que estaria do lado dos ruralistas e contra o Ibama e o IcmBio, ou que em seu governo não se criaria mais áreas de proteção ambiental, e que acabaria com a demarcação de terras indígenas.

Mas não para por ai, o presidente realmente está em guerra com as “questões” ambientais, e ignorou os alertas de incêndio enviados pelo INPE, acusando o diretor da instituição de estar a “serviço” de ONGS, e desqualificou e negou dados científicos sobre o desmatamento. Cortou 50% do orçamento do Prevfogo, passou o serviço florestal brasileiro do Ministério do Meio Ambiente para o Ministério da Agricultura, e anunciou um sistema de alerta que antecipa onde haverá fiscalização ambiental.

Na justificativa do contingenciamento, Bolsonaro cortou 187 milhões de reais do Ministério do Meio Ambiente, 89 milhões do Ibama, além de reduzir em 34% o número de autuações ambientais e criou um núcleo de conciliação para anistiar multas ambientais, talvez seu ego tinha sido ferido ao ser pego pescando numa estação ecológica em Angra dos Reis, o que é proibido, ou seja, crime, mas que ficou na multa de 10 mil reais aplicada pelo Ibama, nascia ali a perseguição, do então deputado, as entidades de defesa do meio ambiente.

Não podemos deixar de citar que o governo federal autorizou, neste ano, mais de 230 agrotóxicos. Na lista, há itens que já foram banidos pela União Europeia e vários definidos como "muito perigosos para o meio-ambiente" pelo próprio governo, o Greenpeace alerta para regulamentação de combinações cujos efeitos ainda não foram estudados. Até nosso ex governador e ministro Blairo Maggi disse a poucos dias que Bolsonaro tem “discurso agressivo” na área ambiental, e que se não for barrado, o agronegócio brasileiro voltará à estaca zero.

A postura de Bolsonaro de inimigo do meio ambiente traz um delicado acerto diplomático e econômico pro Brasil, com a Alemanha e a Noruega, ambos suspenderam o Fundo Amazônia, o que corresponde a um valor de 3,4 bilhões de reais, esse fundo, por exemplo, mantém os helicópteros usados na fiscalização e combate a incêndios.

Bolsonaro cortou 187 milhões de reais do Ministério do Meio Ambiente, 89 milhões do Ibama, além de reduzir em 34% o número de autuações ambientais e criou um núcleo de conciliação para anistiar multas ambientais

E nesta última segunda feira, Jair Bolsonaro rejeita uma oferta de 20 milhões de dólares dos países do G7 para ajudar no combate às queimadas na Amazônia, mais uma vez, nosso presidente se mostra totalmente despreparado. A oferta veio do presidente francês Emmanuel Macron, qual Bolsonaro vem trocando farpas nos últimos dias, inclusive ofendendo a esposa de Macron, ao endossar um comentário no facebook que zombava de sua aparência e idade.

Definitivamente, o governo Bolsonaro apresenta sinais de que não se sustentará pro muito tempo, sua desaprovação já chega a 53%, e cada semana alguma situação, alguma fala, alguma medida, torna ainda mais difícil sua governabilidade, isso tudo sem mencionar os escândalos envolvendo filhos, esposa, os funcionários fantasmas. Durante a campanha presidencial, Bolsonaro enfrentou duras críticas por seus discursos de ódio, principalmente contra minorias sociais.

Sim, o discurso anti-ambientalista de Bolsonaro estimula o crime, o “Dia do Fogo”, se provado, será mais um duro golpe na estrutura do governo. O que não dá mais é assistir a um menino mimado, que acha que é dono do Brasil, brincando de ser presidente. Fazendo piada com o tamanho da genitália de orientais, ou zombando de um primeira dama, por considera-la “velha”. O que não dá mais é assistir o Brasil pagar caro pelo despreparo do nosso presidente. Está na hora de começar a trabalhar Jair.

Henrique Maluf é músico, produtor cultural e pesquisador em Cuiabá. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças-feiras. E-mail: herojama@gmail.com

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Comentários (4)

  • walter liz | Terça-Feira, 27 de Agosto de 2019, 13h40
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    1

    com toda a problematica que o sr discorreu do Presidente, até pertinentes, com tudo isso é bem , mas bem melhor que os Petebas, larapios,engomados, politicamente corretos que estavam no comando do Brasil , cheio de qualidades mas roubaram quase tudo, quanto a Bolsonaro, ele ganhou o direito de 4 anos governar, se não o fizer ,vamos trocar em 2022, mas até la vamos torcer que as coisas possam dar certo.

  • Jorge Sá | Terça-Feira, 27 de Agosto de 2019, 09h49
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    Parabéns pelo texto, Henrique. Lamentável que uns tapados ainda não vejam a desgraceira que é esse desgoverno Bolsonaro.

  • alexandre | Terça-Feira, 27 de Agosto de 2019, 09h14
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    petebas .. estimula o crime ? sem noção....

  • moreira | Terça-Feira, 27 de Agosto de 2019, 08h15
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    É Lamentável que tenha caras como esse cidadão aí com suas ideias idiotas e o pior, com espaço na mídia. O cara não sabe nada de política externa,faz ilações contra o Presidente, baseado e achismos, utiliza-se de clichês da esquerda e ainda por cima na soberba, acha se superior.

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