Henrique Maluf

Clube da Esquina, os meninos de Minas Gerais, uma joia rara da MPB

Por 25/06/2019, 07h:00 - Atualizado: 25/06/2019, 07h:11

Dayanne Dallicani

Colunista Henrique Maluf

 

O Clube da Esquina foi um movimento musical brasileiro que surgiu em Belo Horizonte em 1963, pra mim, o mais sofisticado já feito. Seu som se fundia com as inovações trazidas pela Bossa Nova a elementos do jazz, do rock, música folclórica dos negros mineiros com alguns recursos de música erudita e música hispânica.

Milton Nascimento, e os irmãos Borges (Marilton, Márcio e Lô), foram os responsáveis pelo início movimento, com o tempo novos integrantes vieram juntar-se a eles, nomes como Flávio Venturini, Tavinho Moura, Toninho Horta, Beto Guedes e os letristas Fernando Brant e Ronaldo Bastos.

O nome do grupo foi ideia de Márcio que ao ouvir a mãe perguntar dos filhos, ouvia a mesma resposta: "Estão lá na esquina, cantando e tocando violão." Era uma irmandade unida no interesse por música, política, amizade, uma cachacinha das boas e a disposição de privilegiar os temas sociais em detrimento do amor nas letras. 

Nos anos 70, esses artistas tornaram-se referência de qualidade na MPB pelo alto nível de performance e disseminaram suas inovações e influência a diversos cantos do país e do mundo. Milton despontava o talento, pondo o pé na estrada e na fama ao vencer o Festival de Música Popular Brasileira e ao ter uma de suas composições, "Canção do sal", gravada pela então novata Elis Regina, e cai nas graças dos jazzistas americanos, devido a sofisticação de suas músicas.

Em 1972 foi gravado o primeiro LP, o Clube da Esquina, trazendo um grupo de jovens que chamou a atenção pelas composições engajadas, a miscelânea de sons que vão da bossa nova, toadas, congadas, choro, jazz, folias de reis e rock progressivo, tudo reunido numa música original, de apelo universal e grande força poética. Em 1978, Milton lançou o disco Clube da Esquina 2, reunindo a sua velha turma e alguns novos integrantes, sem a mesma repercussão do primeiro, mas uma obra incrível também.

Vale lembrar que os anos de seu apogeu foram nos momentos mais críticos do regime militar, a primeira canção composta por eles foi a Clube da Esquina

Henrique Maluf

O valor trazido por esses “meninos” pra história cultural do nosso pais é imensurável, toda a inovação estética, conceitual e poética deles levaram a música brasileira alguns passos além no mundo, e olha que era recente o boom dos extravagantes da Tropicália (1968) e ainda respirávamos a moderna Bossa Nova (1958).

Muitas das canções desses meninos estão engessadas no imaginário popular do brasileiro, músicas como Travessia, Feira Moderna, O Trem Azul, Nascente, Um Girassol da Cor de Seu Cabelo, Nada Será como Antes, Nuvem Cigana, Cais, Cravo e Canela, Maria, Maria e Caçador de Mim, canções repletas de amor, luta, sonhos e amizade.

Vale lembrar que os anos de seu apogeu foram nos momentos mais críticos do regime militar, a primeira canção composta por eles foi a Clube da Esquina, que falava dos amigos que se reuniam na esquina e das pessoas no Brasil que sofriam com a ditadura, Milton Nascimento mesmo foi perseguido pelo DOPS, sofreu com a censura e racismo. Seu álbum Milagre dos Peixes de 1973, quase virou um disco todo instrumental depois da “tesoura” imposta.

Conhecer os álbuns do Clube da Esquina é cartilha básica pra quem se diz entusiasta da MPB. É um marco na história da nossa música, referência também no exterior e símbolo de uma nova estética e do valor da amizade. Amizade era o chão daqueles jovens músicos mineiros que se encontravam nas esquinas da vida para tocar, cantar, criar, ousar. Afinal, os sonhos não envelhecem.

Henrique Maluf é músico, produtor cultural e pesquisador em Cuiabá. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças-feiras. E-mail: herojama@gmail.com

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