Dançar ou relaxar? Qual rasqueado você prefere?

Por 26/03/2019, 07h:20 - Atualizado: 26/03/2019, 10h:22

 
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Henrique Maluf

O rasqueado Cuiabano carrega as glórias de ser o representante da cultura mato-grossense, leva sua alegria, suas coloridas chitas, seu balanço contagiante, seus poemas de ode à nossa terra pra diversos cantos. Um verdadeiro difusor da Cuiabania.

Mas cá entre nós, será que lá em Alta Floresta, Sinop, Rondonópolis ou qualquer outra cidade que não seja da baixada cuiabana, há esse sentimento de representatividade regional que o rasqueado nos causa aqui na Capital?

Obviamente que não né, nosso Estado é grandioso, tanto territorialmente, quanto culturalmente. Sulistas, paulistas, nordestinos, pessoas de toda parte do Brasil e do mundo por essas terras firmaram suas vidas.

Mas cá entre nós, será que lá em Alta Floresta, Sinop, Rondonópolis ou qualquer outra cidade que não seja da baixada cuiabana, há esse sentimento de representatividade regional que o rasqueado nos causa aqui na Capital?

Mas sabia que existe outro tipo de rasqueado em Mato Grosso? É o rasqueado de Fronteira, esse que é entonado de uma forma bem diferente. Vamos entender as diferenças entre eles.

O gênero foi criado entre os anos 1930 e 1940, quando músicos do interior paulista, como Mário Zan, Raul Torres e Nhô Pai se aventuraram em expedições na fronteira com o Paraguai. O objetivo deles era buscar na música tradicional paraguaia uma nova roupagem para a música sertaneja que imperava no Brasil.

E acharam, pois as polcas paraguaias, guarânias e chamamés, entraram com muita força em nosso país, versões em português de canções como Noches del Paraguai, Recuerdos de Ypacaraí e Índia fizeram o maior sucesso, e logo compuseram os primeiros rasqueados brasileiros, a famosa Chalana, Siriema, Três Lagoas, Cidades de Mato Grosso.

Na sua difusão, o rasqueado navegou pelo ainda não dividido Mato Grosso, o Rio Paraguai foi sua principal via, e, em suas margens, os pantaneiros que ouviam essa novidade, então começam a tocar nas sanfonas e violões um rasqueado mais compassado, com melodias lentas e geralmente em tons menores, isso devido ao caráter harmônico desses instrumentos. Corumbá, Coxim, Cáceres e Diamantino foram as cidades onde mais se desenvolveu o rasqueado de fronteira.

Na sua difusão, o rasqueado navegou pelo ainda não dividido Mato Grosso

Com o fim da Guerra do Paraguai, os presos de guerra que estavam em Cuiabá começam a se misturar com a população local, trazendo a influência da música platina que ao se encontrar com o Cururu resulta numa levada mais rápida, com melodias curtas e velozes. No início era apenas instrumental, executado com instrumentos de sopro, pois diferente do pantanal, Cuiabá respirava ares cosmopolita, com vários músicos que chegaram por aqui na corrido do ouro.

Alguns autores dizem que o rasqueado nada mais é que a forma brasileira de tocar os ritmos platinos/paraguaios, e é realmente inegável as semelhanças, assim como são grandes as diferenças entre o rasqueado Cuiabano e o rasqueado de Fronteira.

Se despertou sua curiosidade, dá um pulo no YouTube e pesquise rasqueado de fronteira, ouça um ou dois, e depois ouça o cuiabano, um da vontade de dançar e o outro de relaxar. O que você prefere? Eu, os dois!

Henrique Maluf é músico, produtor cultural e pesquisador em Cuiabá. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças-feiras. E-mail: herojama@gmail.com

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Comentários (1)

  • Guapo | Terça-Feira, 26 de Março de 2019, 09h37
    4
    0

    Valeu! Meu grande amigo e colega, tá mandando bem é isso mesmo, vou te mandar um outro trabalho que vai complementar essa sua pesquisa, abraços!

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