Henrique Maluf

Coronavírus, só nos resta ser melhores!

Por 24/03/2020, 08h:07 - Atualizado: 24/03/2020, 08h:38

Dayanne Dallicani

Colunista Henrique Maluf

Escrevo aqui de Cáceres, minha terra natal, vim ficar com minha mãe, a pessoa mais importante que tenho. É o melhor que podemos fazer, estar com quem amamos, com nossa família, nosso berço.

As proporções que a pandemia do novo coronavírus tomou na última semana são gigantescas, até agora apenas 29 dos 198 países no mundo não tem confirmação do Covid-19. Alguns rumores aqui, outros ali, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirma que ainda não existe cura.

Sabemos de tudo isso, não se fala em outro assunto, o que é certo, afinal, temos apenas uma arma para combater a propagação do vírus, o distanciamento social, a quarentena e a higienização a todo momento, sigamos firmes fazendo nossa parte.

Caro leitor o que eu quero nesse momento é chamar a sua atenção para o que podemos tirar de proveitoso nesse delicado momento, sim, podemos.

Nos meus pensamentos mais profundos eu vejo que a humanidade, ao longos dos anos, está se afastando de si mesma, ou seja, o humano, está deixando de ser humano. Nós nos afastamos da pessoa mais importante da nossa vida. Nós nos afastamos de nós mesmos. Desconhecemos nossas profundezas, nosso humor, nossos medos, nossas alegrias, nossos sonhos e nos tornamos uns estranhos de nós mesmos.

A tecnologia, a velocidade da informação, o mundo hi-tech conectado, o imediatismo e o capitalismo, na sua forma voraz, contribui muito para esse afastamento, que não é só de si mesmo, mas também do próximo, daquele que vemos todo dia no trabalho, do vizinho, do amigo que não falamos a anos e também daqueles que esbarramos nas ruas, os invisíveis, os excluídos, os diferentes, as minorias sociais.

Essa somatória do afastamento de si mesmo, do descaso com nossa espiritualidade, atenuada pela corrida desenfreada por capital, por acumulo, acaba por nos marginalizar diante do mais nobre sentimento humano, o amor ao próximo, afinal, isso é o que sempre estamos ouvindo, independente de quem seja, ame o próximo.

Solidariedade e empatia tem sido as palavras chaves da pandemia que nos assola, só de estarmos falando nesses sentimentos/ações é uma grande vitória, afinal, estamos caminhando na direção contrária às essas práticas, sim, a solidariedade, a empatia, o amor, são práticas, têm que estar no nosso dia-a-dia, caso contrário não passa de uma grife social, uma medalha de boa pessoa. Vivamos a vida real.

Ao vivermos uma quarentena forçada nos vemos dando um passo pra dentro, dentro de casa, dentro da nossa consciência, dentro de nós mesmos, um sentimento que toma conta da gente. Não sei explicar ao certo o que me vem nos últimos dias, medo, dúvidas, inquietação, desolação, um misto de sensações pavorosas.

Solidariedade e empatia tem sido as palavras chaves da pandemia que nos assola, só de estarmos falando nesses sentimentos/ações é uma grande vitória

Henrique Maluf

Ao mesmo tempo essas sensações contrastam com outras. Fico imaginando quantas pessoas estão numa posição pior que a minha. O vírus não escolhe aonde ou quem atacar, nossa condição social é indiferente. Mas imagino um foco de contaminação numa rocinha, ou em qualquer favela do mundo, aonde as condições de saneamento básico são muito baixas ou inexistentes.

No lugar do pavor imagino as pessoas que estão trabalhando na linha de frente de combate a pandemia, enfermeiros, médicos, agentes de saúde e que todo dia volta pra casa com uma imensa incerteza de seu futuro, é difícil se pôr no lugar desses profissionais e de tantos outros que não podem se recolher aos seus lares com seus familiares porque ainda tem que trabalhar, não há o que fazer, apenas ter esperança.

As proporções de contaminação são absurdas, enquanto eu escrevi esse artigo, foram confirmados mais 3000 casos de Covid-19, não sabemos o que acontecerá, os mais pessimistas falam sobre uma ruptura do tecido social, ou seja, caos generalizado, os mais otimistas falam sobre os cuidados a se tomar e usa o exemplo da China, onde o vírus tem perdido força.

Me sobra apenas incertezas e um sentimento de que poderíamos ter sido muito melhores, em tudo. Amar ao nosso próximo, valorizar as relações humanas e estar perto de quem amamos, o tempo todo, não só nos maus momentos. Olhar com mais cuidado e respeito para o planeta terra, preserva-lo é sobreviver.

Isso tudo vai passar, sempre passa, o importante é saber o que vamos tirar de proveito. O que está em jogo é o futuro da humanidade. Vamos ser melhores?

Henrique Maluf é formado em Música pela UFMT, produtor cultural, pesquisador de cultura regional e arte educador. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças. E-mail: herojama@gmail.com 

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