Henrique Maluf

Esporte, pandemia e o choro do menino Ney

Por 25/08/2020, 07h:57 - Atualizado: 25/08/2020, 08h:07

Arte/Dayanne Dallicani

Colunista Henrique Maluf

No último domingo o time alemão “Bayern de Munique” conquistou seu sexto título da Liga dos Campeões da UEFA, a “Champions League”, o maior campeonato de clubes do mundo, disputado por times europeus.

Esse foi o assunto nas redes sociais no final de semana, o Brasil estava na torcida pelo “menino Ney”. Muitas pessoas postando fotos e vídeos de apoio a Neymar e ao clube que ele joga, o Paris Saint-German (PSG). Todo estilo, marra e personalidade (nada humilde) do jogador brasileiro eram reproduzidos aos milhões rede a fora. Mas o que o “menino Ney” não esperava (ou até esperava) era que toda sua expertise influenciadora das redes sociais, somada ao seu moicano irado, a descer do ônibus do PSG ouvindo “Só Love!” dos rappers Claudinho e Buchecha, não serviriam pra nada. Até suas lagrimas desoladas, depois da derrota do PSG, tinham a cara de um post no Instagram.

Independente da realidade de cada uma delas, um fato é certo, todos estão fortemente afetados pela crise econômica, sanitária e emocional

Henrique Maluf

Do outro lado um Bayern de Munique sólido, intenso, com um jogo muito técnico e regular. Os dois times até tiveram um primeiro tempo equilibrado, com chances de gols para ambos e dando a pinta de que seria um segundo tempo daqueles, mas não foi, só deu o Bayern. Neymar não fez absolutamente nada, errou passes, sumiu dentro de campo, suas fisionomias eram nítidas de que ele realmente é um menino.

A Liga dos Campeões da UEFA é sem dúvida um dos maiores eventos esportivos do mundo, tais como o campeonato de futebol americano (NFL) e basquete nacional (NBA) dos Estados Unidos, assim como a Fórmula 1, o Ultimate Figth Champion (UFC) e tantas outros, movimentam milhões de dólares, tanto em receita, patrocínio, royalties, enfim, num universo de infinitas perspectivas esportivas e econômicas.

Longe dos holofotes mundiais existem muitos outros campeonatos, de várias modalidades diferentes, sejam em grandes cidades ou nas cidadezinhas do Brasil profundo. Independente da realidade de cada uma delas, um fato é certo, todos estão fortemente afetados pela crise econômica, sanitária e emocional causada pela pandemia de Covid-19. Praticamente todos os esportes no mundo foram cancelados ou remarcados.

Acontece que em alguns lugares a pandemia deu uma estabilizada e o número de casos de mortes e contaminação caiu bastante, o que gerou uma certa sensação de que tudo estava passando e voltando a normalidade, principalmente na Europa. Essa condição de uma suposta melhora deu argumentos para que algumas confederações e entidades esportivas planejassem e retomassem suas atividades.

Ao contrário dessa corrente que se instala de retorno aos esportes há toda uma comunidade de pesquisadores, cientistas a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) que recomendam que esse não é o momento ideal para o retorno dos esportes e que a única maneira de diminuir a contaminação e evitar novos surtos da Covid-19 é o isolamento social, o uso de máscaras e as demais normas que já sabemos.

A NBA alugou um resort e nele construiu um centro de treinamento com quadras oficiais, nele alojou todos os times, exigiram que nenhum atleta saísse, até mesmo para uma visita familiar. A grande maioria concordou e o campeonato está a todo vapor, nesse caso foi criada uma espécie de isolamento em grupos, tem funcionado.

Noutra perspectiva, no Brasil o Campeonato Brasileiro (Brasileirão) deu início a sua temporada 2020, um dos jogos foi cancelado porque 10 jogadores de um dos times testaram positivo para o coronavírus. Aqui não tem funcionado.

Um dilema grande. Enquanto o menino Ney chora lamentando a derrota, milhares de famílias choram diariamente o luto de algum ente querido acometido pelo coronavírus. Vale a reflexão.

Henrique Maluf é formado em Música pela UFMT, produtor cultural, pesquisador de cultura regional e arte educador. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças. E-mail: herojama@gmail.com

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