Henrique Maluf

Fazendo amizades na quarentena

Por 14/07/2020, 07h:17 - Atualizado: 14/07/2020, 07h:21

Arte/Dayanne Dallicani

Colunista Henrique Maluf

Padaria, escola, fila de banco, trabalho, faculdade, barzinho, futebol, resenha, balada, festa, shopping, em algum desses lugares, ou em quaisquer outros você já deve ter feito uma amizade, aquela pra vida toda, surgida na infância, aquela um pouco mais recente de uma amizade de poucos encontros ou aquela que apenas fez aumentar sua lista de contatos, ninguém tão íntimo, mas alguém que considera.

Eu lembro de algumas pessoas que são muito importantes pra mim, amigos da infância que até hoje cultivamos laços, amigas da adolescência que viraram irmãs, outros parceiros de porres memoráveis ou melhor, não lembro direito, amigos da faculdade que se tornaram de dentro da minha casa e que fiz questão de trazer para o seio da minha família outros recentes que já chamo de irmãos, cada um com a sua peculiar forma, mas com a maravilhosa sensação poder de chamar de amigos(as).

O tempo, a distância, a correria, os caminhos da vida fazem com que algumas amizades se percam nas curvas da nossa história, eu sinto profundamente que deveria procurar mais algumas pessoas, é um sentimento que tem povoado meus pensamentos. Acredito que devo alguns pedidos de desculpas, não por falhas graves, mas por falha na amizade, afinal, qual o alimento da amizade? Como nutri-la? Será que é responder as mensagens de WhatssApp na hora? Visualizar e não responder dá fome à amizade?  

Quero contar a vocês sobre algumas amizades que venho construindo na pandemia, pessoas que magicamente ultrapassam o status de seguidores.

Desde que o isolamento social começou tenho visto e vivenciado inúmeras experiências pelas redes sociais, o instagram em especial. O universo das lives têm gerado uma agenda mundo a fora, o que também tem acontecido por nossas terras 

Desde que o isolamento social começou tenho visto e vivenciado inúmeras experiências pelas redes sociais, o instagram em especial. O universo das lives têm gerado uma agenda mundo a fora, o que também tem acontecido por nossas terras. Já faz um tempinho que venho acompanhando lives de alguns artistas mato-grossenses, como do Thyago Mourão, André D’Lucca, Xô mano que mora logo ali, Adriano Figueiredo, Fabricio Carvalho, André Coruja e outros.

Essas lives têm criado uma atmosfera divertida com interações positivas entre os expectadores, resultando no início de novas amizades, nascidas ali, de forma virtual. Ao melhor clima das antigas redes sociais do início dos anos 2000, parece uma volta ao Mirc, Icq, Msn, as velhas salas de bate-papo. Quem lembra do “oi, quer tc?”. Já estou em grupos de bate-papo nascidos desses encontros, sabe aquelas pessoas que o “santo bate”, então, ainda não as conheço, mas o “santo bateu” e já estamos marcando churrascos, festinhas, exercícios e por ai vai.

Como diz o filósofo inglês Francis Bacon “A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas”. Certeiras palavras, nessas novas desconhecidas amizades já tive conversas muito boas, como decoração rústica e reaproveitamento de madeira de construção, ou sobre comida japonesa e pipoca, vida saudável e “baguncinha”, maternidade e paternidade, muitos assuntos. Dentro desses variados papos, alguns sérios, como o que fazer pra relaxar, pra controlar a ansiedade e como manter-se saudável emocionalmente, conversas longas, sadias, verdadeiras e cheias de afeto.

 Lembro que dias atrás participei de algumas reuniões por vídeo chamada, com noivas, com pessoal do teatro, para discutir produções de Super Lives, também uns recentes parabéns para dois irmãos que fizeram aniversário em julho, algumas conversas aleatórias e uns flertes por ai, a conectividade pela primeira vez está  conectando as pessoas nas mais variadas possibilidades.

Estamos no epicentro do mundo, do país, da região e do estado, tão importante quanto a imunidade fisiológica é a imunidade emocional. As amizades que estão surgindo na quarentena mostra o quanto esse vínculo é inerente aos seres humanos e tem-se mostrado essencial para que o nosso coração bata mais esperançoso e menos aflito. Finalizo aqui, com outro curto, certeiro e sábio dizer, agora por Mario Quintana: “A amizade é um amor que nunca morre.”

Henrique Maluf é formado em Música pela UFMT, produtor cultural, pesquisador de cultura regional e arte educador. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças. E-mail: herojama@gmail.com

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