Henrique Maluf

João Bosco o cantor mais apaixonado que eu conheço

Por 11/06/2019, 07h:01 - Atualizado: 11/06/2019, 07h:07

Dayanne Dallicani

Colunista Henrique Masutti

 

Aguibuloba, ipisulaum, egagabiô, disão um badu lô! Não, não é nenhuma língua exótica, mas os exclusivos neologismos de João Bosco, palavras repetidas em diversas de suas canções, soando rítmicas e melódicas, dando seu caráter único na música brasileira e mundial, o joãobosquês!

João Bosco é o cantor/compositor mais apaixonado que eu conheço, e meu ídolo maior na música, não só por sua paixão, mas também por sua musicalidade única, pra mim o maior expoente da nossa música. Vamos entender essa paixão do JB.

Prestes a completar seus 73 anos, e mais de 40 anos de carreira, filho de imigrantes libaneses, João cresceu no interior de Minas Gerais, sua família preservava as tradições culturais como o canto, a culinária, ao mesmo tempo que se misturavam frequentando a igreja. Nessa mistura, JB vai consolidando sua música, a escola mineira o vestiu barroco, musicalmente elegante, seu padrinho musical foi ninguém menos que Vinicius de Moraes, como o próprio gostava de chamar-se de o branco mais preto do Brasil, Vinicius era mergulhado na cultura afro, no candomblé, na macumba, o que vai ser outro pilar influenciador na música de João Bosco.

Seu ritmo, sua melodia, sua harmonia, sua concepção de arranjo, ultrapassam os padrões estéticos do que seria bom, é realmente muito sofisticado, seu violão é único, entre nós músicos, chamamos de levada João Bosco, as vezes parece uma escola de samba elétrica, noutras um suave quarteto de cordas em desenhos que parecem mais uma aranha de 20 patas a caminhar no braço do violão. Ele é um dos músicos mais reproduzidos pelas gigs (grupos) de jazz pelo Brasil e pelo mundo, afinal, a sofisticação harmônica de suas canções são atemporais.

Esses dois extremos, a canção e a musicalidade são o miolo de sua gene, afinal JB é um cancioneiro de mão cheia, com canções que atravessam o tempo

João Bosco

A sua maneira de cantar é extravagante, além dos seus neologismos (aguibulobas), nessa mistura libanesa, barroca, elegante e exagerado, João abusa dos falsetes e vibratos, cada nota que ele canta dialoga com o que está sendo dito na letra, a exemplo, em alguns sambas mais rápidos, com teor cotidiano, bem humorado, parece mais um trava-línguas, noutras mais lentas, românticas, chega a dar pena dele, imaginando quão grande foi o sentimento que o fez construir tal canção.

Esses dois extremos, a canção e a musicalidade são o miolo de sua gene, afinal JB é um cancioneiro de mão cheia, com canções que atravessam o tempo e suas formas simples as cravaram no imaginário popular do brasileiro, ao mesmo tempo que toda sua virtuosidade e plasticidade antológicas tornam seu violão objeto de estudo, pela sofisticação harmônica, melódica, e com músicas que parecem mais um junta-junta de dificuldades pra músico nenhum no mundo dizer que é fácil de tocar.

Mas porque João Bosco é o cantor mais apaixonado que conheço? A entrega e performance dele são a resposta, não há uma explicação técnica pra isso, ele é a pura transposição do amor em suas músicas, mesmo em canções que não são românticas. Aconselho a assistir no Youtube o show “Obrigado Gente!” de 2006, é incrível a forma que ele interpreta, que ele sofre, ama, sorri, se derrama, um completo apaixonado pela arte. É claro que existem canções (as românticas em principal) que mostram como é visceral sua entrega. “Quando o amor acontece”, “Jade”, “Desenho de giz”, “Corsário”, “Memória de pele”, são algumas das canções que posso notar essa rasgada paixão.

No final, ao juntar todos esses valores num palco, é a explosão de um verdadeiro gênio musical. É o Brasil se mostrando rico, forte, entranhado nas suas raízes e com sentimento aflorado. Ao ouvir João Bosco tenho orgulho de ser brasileiro.

Henrique Maluf é músico, produtor cultural e pesquisador em Cuiabá. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças-feiras. E-mail: herojama@gmail.com

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