Henrique Maluf

O drama dos músicos na crise

Por 07/04/2020, 08h:05 - Atualizado: 07/04/2020, 08h:10

Dayanne Dallicani

Colunista Henrique Maluf

A história da humanidade por vezes se confunde com a história da arte, pois desde que o homem passou a sonhar, a imaginar, a permitir que seus pensamentos tomassem formas, o desejo de levar suas inspirações da alma para outras pessoas fez com que a arte permanecesse viva e tomasse as mais diversas formas durante o passar das horas, dias, anos, séculos e milênios, assumirá inimagináveis e incontáveis possibilidades e nunca deixará de existir.

Viver de arte é um privilégio fascinante, cantar uma canção, pintar um quadro, recitar um poema, atuar. Em qualquer de suas manifestações ele se torna gigante e nos convida a viver experiências, que por vezes nos marcam por muito tempo

Viver de arte é um privilégio fascinante, cantar uma canção, pintar um quadro, recitar um poema, atuar. Em qualquer de suas manifestações ele se torna gigante e nos convida a viver experiências, que por vezes nos marcam por muito tempo.

Quando eu decidi encarar a música como profissão já sabia que não seria um caminho fácil, justamente pelos mesmos motivos que a torna uma profissão fascinante. Quem nunca ouviu expressões como: “músicos não trabalham”, “não pegam no pesado” ou a clássica “mas você trabalha com o que mesmo?”. E foram estes tristes jargões que fizeram com que eu encarasse a profissão de forma tão séria, sóbria e com responsabilidade, como qualquer profissão deve ser encarada.

A música como entretenimento é uma indústria gigante, geradora de cifras astronômicas, que vão de grandes shows do mainstream à bienais contemporâneas, do teatro ao boteco, de turnês milionárias à economia criativa. Não importa o gosto, por mais comum ou exótico que seja, qualquer pessoa no mundo consome música.

Se é consumido gera renda, o setor cultural é responsável por uma considerável fatia do PIB nacional, 4%, segundo o IBGE emprega 5,2 milhões de pessoas, ou 5,7% da força de trabalho no país. O segmento é responsável por 4% do PIB nacional, contando com 300 mil empresas de pequeno e médio porte.

Quero destacar aqui o chamado “músico da noite”, um profissional que atua em bares e restaurantes, dentro das várias possibilidades de trabalho que a música me traz, ser “músico da noite” é uma que me orgulho muito. Ali está uma das maiores “escolas” da música, um reflexo diário da luta por dias melhores.

Esse tipo de artista depende dos trabalhos diários para sobreviver, o que geralmente é tirado de uma fração do couvert artístico que cada lugar cobra. Assim como os 40% de trabalhadores brasileiros que vivem na informalidade o músico da noite está numa situação complicada, sem salários e sem trabalho, pois está tudo parado.

A vulnerabilidade desse profissional é grande, as leis vigentes e políticas públicas não preveem aparelhos de seguridade social para os artistas, como acontece em outros países do mundo. A situação é crítica, para todos.

A internet e seus meios de transmissão tem servido como uma das alternativas para os músicos, como vídeo-aulas, workshops, cursos e afins. Mas o que tem chamado mais atenção são as lives, por meio delas, de forma colaborativa, artistas tentam monetizar um cachê solidário. O problema é que o “mercado de lives” está competitivo, como ganhar de uma live do Gustavo Lima, do Jorge e Matheus, ou do Metallica?

As prospecções não são otimistas para nós músicos, pois o mercado de entretenimento será um dos últimos a se normalizar. As pessoas terão outras prioridades na frente, isso é o de se esperar

Aqui em Mato Grosso alguns produtores de evento, associações, empresas, artistas, de maneira ainda tímida, têm feito campanhas, ações e promovendo lives para conscientizar a população do drama que os músicos vêm passando.

Obviamente essa é a realidade e milhões de pessoas pelo mundo, gostaria apenas de lembrá-los que nós, artistas, estamos sempre à disposição, buscando levar alegria, magia, encantamento diversão para as festas, bares, eventos, por grande parte das vezes brigando pela difícil valorização de mercado.

As prospecções não são otimistas para nós músicos, pois o mercado de entretenimento será um dos últimos a se normalizar. As pessoas terão outras prioridades na frente, isso é o de se esperar.

Apoie seu amigo músico, ele precisa de você, ele é incansável, como dizia o grande Milton Nascimento na sua canção “Bailes da vida”: “Foi nos bailes da vida ou num bar, em troca de pão, que muita gente boa pôs o pé na profissão, de tocar um instrumento e de cantar, não importando se quem pagou quis ouvir. Foi assim”.

Henrique Maluf é formado em Música pela UFMT, produtor cultural, pesquisador de cultura regional e arte educador. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças. E-mail: herojama@gmail.com

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