Henrique Maluf

O Manguebeat, o último grande movimento musical

Por 03/09/2019, 07h:21 - Atualizado: 03/09/2019, 07h:27

Dayanne Dallicani

Colunista Henrique Maluf

O ano era 1994, quando Chico Science & Nação Zumbi lançavam o álbum “Da lama ao caos” e a banda Mundo Livre S/A o álbum “Samba Esquema Noise”, ali surgia o Movimento Manguebeat, uma pulsante revolução cultural que não se via no Brasil desde a Tropicália, essa ainda no final dos anos 60.

O Manguebeat foi um movimento e contracultura que nasceu em Recife

O Manguebeat foi um movimento e contracultura que nasceu em Recife, capital do estado de Pernambuco, a partir de 1991, e alavancou uma cena cultural, principalmente na música, que misturava elementos da cultura regional pernambucana, como o maracatu rural, com elementos da cultura pop, como o rock n’ roll e o hip-hop, e essa mistura estava presente também no visual dos artistas, chapéu de palha, óculos escuros, tênis, colares regionais, dá pra imaginar a “bagunça”.

O termo Manguebeat é uma fusão da palavra mangue, que é o nome dado a um ecossistema típico da costa do nordeste brasileiro e de Recife, com a palavra beat, do inglês, que significa batida, e que também é usada como linguagem dos códigos binários usados na informática. O resultado sonoro é exatamente como seu nome, tecnológico e ao mesmo tempo regionalizado, o símbolo do movimento é o caranguejo, que é capturado e vendido por trabalhadores da região que têm no mangue seu sustento.

 Os principais mentores do movimento manguebeat foram Chico Science, Fred Zero Quatro, Renato L, Mabuse e Héder Aragão. A eles juntaram-se Jorge du Peixe, Pupilo, Lúcio Maia, Toca Ogan, Gilmar Bola 8, Gustavo da Lua, Otto, entre outros. Eles eram organizados e pensavam a cultura de Pernambuco, tanto que foi escrito um manifesto do movimento com o título de “Caranguejos com cérebro”, onde a proposta principal era de tornar clara a necessidade de revitalizar a cultura de Recife, misturando o tradicional com o moderno.

Além de Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, podemos destacar Mestre Ambrósio, Sheik Tosado, Comadre Fulozinha, Duda Beat e Jorge cabeleira como notáveis bandas do gênero Manguebeat. Mesmo tratando o Manguebeat como um gênero musical, é difícil rotular essas bandas, pois mesmo influenciada pelas raízes pernambucanas, cada banda tem uma sonoridade quase que única, e cheia de personalidade.

O que esses meninos de Recife fizeram, foi a última grande revolução de contracultura brasileira 

Lembro no ano de 2012 quando pesquisei sobre a obra de Chico Science & Nação Zumbi, para realizar um show tributo. Tivemos que sair da nossa zona de conforto, e montar um projeto muito percussivo, pois além das guitarras distorcidas, a Nação Zumbi usa muitas alfaias e xequerês - instrumentos típico do maracatu - uma sonoridade muito pesada. Já o Mundo Livre S/A parece com uma divertida mistura de samba com punk rock, e assumem a forte influência de Jorge Ben em suas músicas. Já a banda Mestre Ambrósio tem uma sonoridade bem ligada as tradições pernambucanas, pois é uma mistura de Forró, Maracatu, Coco, Baião, Caboclinho e Ciranda – ritmos da cultura popular nordestina – com elementos do Rock, Jazz e música árabe, outra inusitada mistura.

Os lançamentos de Da Lama ao Caos, de Chico Science & Nação Zumbi, e Samba Esquema Noise, do Mundo Livre S/A, ocorreram há exatos 25 anos, e representam o início de um movimento que reavaliava e usava o maracatu como ritmo base somado a batidas eletrônicas, e influencias da cultura pop internacional, como o Rock, o Hip-Hop o Jazz. Isso tudo numa época em que a internet parecia algo muito distante. O que esses meninos de Recife fizeram, foi a última grande revolução de contracultura brasileira. Vale a pena parar pra ouvir e conhecer, é contagiante. “Um som propagado por uma antena de baixa tecnologia fincada na lama. Porém de longo alcance” (Chico Science).

Henrique Maluf é músico, produtor cultural e pesquisador em Cuiabá. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças-feiras. E-mail: herojama@gmail.com

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