Henrique Maluf

O Pantanal em chamas com o desgoverno Bolsonaro

Por 08/09/2020, 08h:18 - Atualizado: 08/09/2020, 08h:22

Arte/Dayanne Dallicani

Colunista Henrique Maluf

Estou desde março aqui em Cáceres, passando a quarentena com minha família. Ontem, quando acordei e sai do quarto, me assustei, porque estava escura a casa, achei que fosse ainda muito cedo e que o sol não havia raiado totalmente, mas ainda com sono olhei no relógio e notei que já eram quase 9 da manhã.

Fui até a rua, feriadão de 7 de setembro imaginei estar bem vazia, e foi o que encontrei, porém não imaginava o cenário apocalíptico que me esperava, imagine aqueles filmes sobre o fim do mundo, ou guerras com seres extraterrenos, onde o ambiente é totalmente inóspto, devastado, mórbido,  ou seja, o fundo para um filme de terror pra roteirista nenhum botar defeito.

Fumaça, muita fumaça, nada além de fumaça frente aos meus olhos, não consegui enxergar a outra esquina da quadra, estava muito difícil para respirar, o ar denso por causa da fumaça, misturado com muito calor e baixa umidade do ar.

Na semana passada eu e minha mãe havíamos ido a um sítio de uma familia de pequenos produtores pra comprarmos queijos, ovos caipiras e leite para nossa produção de bolo de queijo, o que tinha visto no caminho foi muito triste, às margens da BR-070, tudo ao redor esteva queimado, o rio, que já era fácil de ver daqueles ponto da rodovia devido ao assoriamento, estava totalmente exposto, uma visão lamentável.

Ao chegar no sítio perguntei ao senhor sobre o fogo, ele me disse que por muito pouco não perdeu suas plantações, pasto e sabe-se lá o que mais, disse ter encontrado tatu, cobra, tamanduá e outros animais mortos, carbonizados ou parcialmente queimados, me contou ainda que cerca de 50 homens das redondezas se juntaram pra tentar controlar o fogo, fizeram aceiros, jogaram agua, tentavam de todas as formas possíveis conter a queimada. Esse senhor teve sorte, mas nem todos na região.

O desmonte das políticas públicas ambientais é evidente, um ato tão criminoso quanto o quem ateia o fogo

Henrique Maluf

O pantanal é a maoir planície alagada do mundo, tem uma imensidão de lençois freáticos, suas enchentes são colossais. As terras alagadas não queimam, não dessa forma que está agora. Obviamente que a forte estiagem que todo ano enfrentamos contribuem para que ocorram incêndios, mas perícias apontam que a grande parte do fogo que queima o pantanal a mais de dois meses foram provacados por pessoas, situações como queima de pasto, fogo em raízes de árvore para retirar mel de abelha, incêndios em máquina agrícola e em veículo e queima intencional de vegetação desmatada para criação de área de pasto para gado a Delegacia de Meio Ambiente investigará os casos para a abertura de inquérito e responsabilização dos culpados. Sim, são incêndios criminosos e já são responsáveis pela morte de 10% do pantanal mato-grossense, situação que se não for imediatamente controlada será ainda pior para nosso estado, país e planeta.

Segundo o INPE, houve uma alta de 242% no número de focos de incêndios no Pantanal e a única manifestação do presidente Bolsonaro foi de que “será difícil combater o fogo no Pantanal porque a área é enorme”. Porém muito mais pragmático foi o anúncio do corte de quase 6% no orçamento do Ministério do Meio Ambiente previsto para 2021, a medida vai refletir diretamente nas verbas destinadas ao combate ao desmatamento e queimadas no Brasil.

Só na prevenção de incêndios no Brasil, os cortes previstos por Bolsonaro tirarão da ativa 1.346 brigadistas, 86 caminhonetes, 10 caminhões e 4 helicópteros do Ibama, além de 459 brigadistas e 10 aeronaves Air Tractor do ICMBio. Como se já não bastasse o corte de 95% do orçamento das ações destinadas a combater mudanças climáticas, ocorrido em 2019. Muitas ONGS e iniciativas pessoais estão sendo tomadas, boa vontade e dedicação de quem está sofrendo ao ver o Pantanal queimar. Eu, Pantaneiro, agonizo e choro com o que tem acontecido, é lamentável.

Mais uma vez Bolsonaro mostra desconhecer o país que ele governa. O Pantanal enfrenta uma das situações mais críticas de todos os tempos, uma das maiores secas, o desmatamento desenfreado e o pior período de queimadas desde o fim dos anos 90. O desmonte das políticas públicas ambientais é evidente, um ato tão criminoso quanto o quem ateia o fogo, outro pilar muito importante do nosso país sendo destruído pela péssima gestão Bolsonaro, ele odeia a educação, odeia a ciência, odeia a arte, odeia professores, odeia índios, quilombolas, minorias, por que ela adoraria o meio ambiente.

Henrique Maluf é formado em Música pela UFMT, produtor cultural, pesquisador de cultura regional e arte educador. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças. E-mail: herojama@gmail.com

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Comentários (3)

  • Ze da roça | Terça-Feira, 08 de Setembro de 2020, 09h48
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    SE DISSER QUE OS CULPADOS SÃO O GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO OS PREFEITOS E OS MILIONÁRIOS DO AGRO POSSO ATÉ CONCORDAR COM VOCÊ MAS DIZER QUE É BOLSONARO NADA HAVER, VAMOS PRESTAR ATENÇÃO HENRIQUE

  • Mari | Terça-Feira, 08 de Setembro de 2020, 08h47
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    Então dê vc soluções óbvias o que possa ser feito para acabar com crimes ambientais. Se pessoas mal caráter e do mal colocam fogo na vegetação é culpa do Bolsonaro? Não defendo Bolsonaro pois ele faz muita coisa errada, mas como fazer pra acabar com essa destruição da natureza?

  • Alberto | Terça-Feira, 08 de Setembro de 2020, 08h29
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    Alberto, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

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