Henrique Maluf

Oscar 2020, a edição mais emblemática da história

Por 11/02/2020, 07h:09 - Atualizado: 11/02/2020, 07h:17

Dayanne Dallicani

Colunista Henrique Maluf

Até os cinéfilos mais entusiasmados acreditariam na premiação do Oscar 2020. Uma noite que, com toda certeza, será lembrada por muitos anos. Filmes como “Coringa”, “Parasita”, “1917”, “Era uma vez Hollywood”, “O Irlandês” deram o tom da premiação que fugiu do esperado de todo ano.

A 92° edição do Oscar foi nesse último domingo (9) em Los Angeles, marcada por grandes momentos memoráveis. Discursos profundos, engajados, protestos. O Oscar 2020 foi repleto de fortes emoções e surpresas.

A 92° edição do Oscar foi nesse último domingo (9) em Los Angeles, marcada por grandes momentos memoráveis. Discursos profundos, engajados, protestos. O Oscar 2020 foi repleto de fortes emoções e surpresas

Sem dúvida a maior surpresa foi o passeio que o filme sul coreano “Parasita” deu. Foram 4 estatuetas, sendo a de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Estrangeiro, sendo as duas primeiras as mais cobiçadas pelos dinossauros do cinema, nomes como Quentin Tarantino e Martin Scorsese assistiram a Bong Joon-ho levantar o maior prêmio mundial do cinema, e se consagrar como o primeiro filme de língua estrangeira a conquistar o prêmio de Melhor Filme.

Já assisti a alguns bons filmes sul coreanos, como “Old Boy (2003)”, “Eu vi o Diabo (2010)”, e “Expresso do Amanhã (2013)” do, agora, premiado Bong Joon-ho. Mas confesso, até um pouco catatônico, que nada se compara a “Parasita”, ele é um filme de gênero que mistura Drama, Suspense, Comédia e Mistério numa trama que mostra de modo alegórico a luta de classes, a detenção do poder econômico, a incansável luta por ascensão social, as ideias de posse e de apropriação na contemporaneidade.

Parasita é complexo e nos provoca a pensar profundamente sobre como as classes sociais coexistem de forma natural. Seu plano de filmagem é estático com poucos movimentos e quase nunca temos a noção do todo ambiente, uma jogada muito inteligente do diretor, isso nos prende e forma catártica as cenas, um transporte direto para as realidades das famílias que compõe a trama, é um filme excepcional.

“1917” foi o filme que levou três estatuetas, sendo as de Melhor Fotografia, Melhor Mixagem de Som e Melhor Efeitos Visuais, sendo essa última uma surpresa, pois o filme é um Drama/Ação e concorria com “O Irlandês”, “O Rei Leão”, e “Vingadores Ultimato”, esses dois últimos umas explosões de efeitos, daqueles que impactam qualquer um, e os efeitos de “1917” tem os efeitos mais comuns, porém foram muito bem feitos e é o que aconteceu com o prêmio de Melhor Mixagem de Som, que traz cenas longas, que causa efeitos de imersão, o que o filme fez com perfeição principalmente por ser um filme épico e de guerra, o que carimbava seu favoritismo em Melhor Fotografia. “1917” teve 11 indicações para o Oscar 2020.

Um dos momentos mais emblemáticos da noite foi quando o ator Joaquin Phoenix recebeu, a já esperada, estatueta de Melhor Ator pela sua impecável, exuberante e contundente interpretação no filme “Coringa” e fez um belo discurso carregado de críticas às desigualdades sociais, essa passagem achei incrível: “Seja falando sobre desigualdade de gênero, racismo, direito dos LGBTs, dos indígenas ou dos animais, estamos falando sobre lutar contra a ideia de que uma nação, uma raça, um gênero ou uma espécie tem o direito de dominar, controlar, usar e explorar outros sem impunidade. Acredito que desconectamos demais do mundo natural e nos sentimos culpados por ter uma visão egocêntrica”. Não era de se esperar outra coisa, Phoenix é engajado, principalmente nas causas ambientais, um espetáculo dentro e fora das telas.

Vale refletir que essa tão bela arte pôs-se em prática seu devir, rompendo com algo que parecia velado

Outro momento, como menos holofotes, mas com uma grande importância foi o da equipe de produção de “Democracia em Vertigem” – indicado ao prêmio de Melhor Documentário – no tapete vermelho do Oscar, o brasileiros levaram vários cartazes protestando contra a invasão de terras indígenas, a demora na solução do assassinato da vereadora Marielle Franco e um “resista ao neofascismo”. Vejo como uma resposta em grande estilo às series de ataques que o cinema brasileiro sofreu no ano de 2019, como à censura dos filmes “Bacurau”, “Marighella” e os vetos que sofreram a ANCINE.

A noite ainda teve o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante a Brad Pitt, o ator agradeceu emocionado pela conquista de sua primeira estatueta, teve também o filme da Netflix, “O Irlandês” com dez indicações e nenhuma premiação, e olha que esse filme é incrível, em seu elenco nomes como de Al Pacino e Robert De Niro.

Sem sombra de dúvidas essa foi uma das edições mais emblemáticas dos 92 anos de existência do Academy Awards – o Oscar, vale refletir que essa tão bela arte pôs-se em prática seu devir, rompendo com algo que parecia velado: uma língua estrangeira “desbancando” a “língua universal”, um melhor ator que não se vê o melhor e usa seu momento pra dar voz e milhares de calados e caladas, um tapete vermelho de protesto em língua brasileira, afinal, a democracia está no mínimo turva. Vale a reflexão.

Henrique Maluf é músico, produtor cultural e pesquisador em Cuiabá. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças-feiras. E-mail: herojama@gmail.com

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Comentários (1)

  • INDIGNAÇÃO | Terça-Feira, 11 de Fevereiro de 2020, 07h52
    2
    0

    Foi um Oscar realmente memorável e Joaquim Phoenix fez história.

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