Henrique Maluf

Qual será o futuro das universidades públicas no Brasil?

Por 10/09/2019, 07h:32 - Atualizado: 10/09/2019, 07h:37

Dayanne Dallicani

Colunista Henrique Maluf

Essa é a pergunta que eu tenho feito a alguns amigos, em rodas de conversa, o ensino superior passa por um sucateamento ou contingenciamento, ou simplesmente desmanche, entenda como melhor quiser.

Tenho duas irmãs, uma acabou de terminar seu doutorado e a outra acabou de perder a bolsa que tinha para o próximo ano, quando encerraria esse importante ciclo profissional e acadêmico de sua vida.

Não há como se calar ao que está acontecendo com o Brasil, e volto a frisar que a educação não deveria ser tratada como secundária ou de menor valor

Esse último final de semana estivemos juntos, e em algumas poucas palavras podemos entender que esse momento é delicado e merecedor de atenção por parte da população. Ao ver centenas de depoimentos e manifestações em prol das bolsas de pós graduação, ficamos um tanto balançados, mas quando está tão perto assim, assusta.

Não há como se calar ao que está acontecendo com o Brasil, e volto a frisar que a educação não deveria ser tratada como secundária ou de menor valor, frente a qualquer outra estancia social do Brasil.

E sabemos que o governo federal tem feito inúmeros ataques, desde a campanha presidencial de Jair Bolsonaro até os dias atuais, quem não lembra de suas acusações em que classifica universidades federais como “balburdia”, ou quando diz que os alunos devem ser preparados para o mercado de trabalho e não para “militância”, acusando os professores em sua maioria de doutrinadores ideológicos.

São tantas barbaridades desferidas pelo presidente e sua base, que o mundo todo noticia suas falas. Um dos piores posicionamentos é quando ataca Paulo Freire, dizendo que fará o possível para tirar o título de patrono da educação brasileira, conferido a Freire.

Ou quando anunciou que haverá cortes de investimentos nas faculdades brasileiras de Ciências Humanas, dizendo que o dinheiro do contribuinte deve ir para “leitura, escrita e fazer conta”, logo ao quinto mês de seu mandato o MEC anunciar um corte de 30% na educação, inclusive na educação básica, deixando claro que esse pilar não é prioridade no atual governo.

Aqui na Universidade Federal de Mato Grosso, tivemos um caso de corte de energia, e é sabido que serviços terceirizados como o restaurante universitário (RU) foram suspensos, assim como o transporte interno no campus Cuiabá e o programa que oferece auxílio-moradia e alimentação para estudantes de baixa renda, ambos programas que fui comtemplado nos anos iniciais de minha faculdade, essa ajuda fez com que eu pudesse passar pelos dificultosos primeiros anos de universidade.

Na última semana o Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) fez nesta segunda-feira 2 o terceiro anúncio de cortes em bolsas em 2019. Com a decisão, serão cortadas um total de 11.811 bolsas de pesquisa financiadas pelo órgão, o equivalente a 10% das bolsas vigentes no início do ano.

Com a manutenção dos cortes dos recursos para a manutenção de prédios, laboratórios, bibliotecas etc., assistiremos ao sucateamento da ciência brasileira

O programa do governo Bolsonaro para a educação ganha o nome de “Future-se” e tem a intenção de “fortalecer a autonomia financeira dos Institutos Federais de Ensino Superior, as universidades públicas. O objetivo é fomentar novas fontes de recursos para as universidades públicas, atraindo investimento do setor privado. Agora me pergunto se com esse “Future-se” apareceram investimentos privados para hospitais universitários, ou restaurantes populares para alunos, ou bibliotecas, ou hospitais veterinários.

Com a manutenção dos cortes dos recursos para a manutenção de prédios, laboratórios, bibliotecas etc., assistiremos ao sucateamento da ciência brasileira, com a redução da qualidade e quantidade de conhecimento produzido nas universidades públicas. Essa redução na produção de conhecimento científico brasileiro, coloca em risco muito mais que estudantes, docentes e a produção de conhecimento em si. Essa medida afetará a formulação de novas políticas públicas, a formação de pessoal qualificado, o desenvolvimento de remédios e vacinas, a criação de soluções que contribuam para o desenvolvimento nacional, para o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas. O cenário é aterrador.

Henrique Maluf é músico, produtor cultural e pesquisador em Cuiabá. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças-feiras. E-mail: herojama@gmail.com

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