“Encaminhamentoterapia”

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Jackelyne Pontes

Está na lei: “Todos os brasileiros e brasileiras, desde o nascimento, têm direito aos serviços de saúde gratuitos. Os serviços prestados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) são destinados a todos os cidadãos e são financiados com recursos arrecadados por meio de impostos e contribuições pagos pela população." Portanto, eu, você, o meu vizinho, o motorista de ônibus, os trabalhadores da saúde, os gestores, enfim, toda a população brasileira, é usuária do SUS. Ao contrário do serviço privado, na rede pública os serviços são gratuitos, sem restrições ou carências, sem discriminação de classe social, raça, gênero. Ele é universal e, para fazer uso dos serviços, não é perguntado se você tem carteira assinada, ou se você contribui ou não com a Previdência.

Digo isso para externar a minha preocupação com as filas imensas que sempre se formam a procura de atendimento, seja ele médico ou odontológico. Sabemos que a demanda sempre foi maior que a capacidade de atendimento por inúmeras razões entre elas o provimento de profissionais. Sobram pacientes, faltam profissionais. Há casos em que o usuário é obrigado a passar a madrugada em frente a unidade de saúde para conseguir a vaga para o paciente. Este é exposto assim às intempéries da natureza e à violência urbana. Chega a ser desumano. O acesso e o acolhimento deve ser repensado, reformulado, dando assim oportunidades a todos.

O SUS deve ser protegido e cultivado, pois é um tesouro de valor inestimável. Deve-se nesse sentido levar a sério o fluxo das demandas reprimidas e espontâneas que se apresentam diariamente. Se todos tem direito a esse atendimento então que o acesso seja igual para todos. Enquanto uns penam em internináveis filas outros se valem da “encaminhamentoterapia”, isso é injusto. O gestor não pode por exemplo simplesmente fazer um telefonema para a unidade e determinar que um usuário seja atendido imediatamente, mesmo que a agenda de consultas programadas já esteja lotada, a não ser que seja um caso de urgência, aí o profissional tem a obrigação de prestar assistência. E vejam, não estou condenando os encaminhamentos, ao contrário, o SUS conta com uma rede de referência e contra referência que trabalha com esse sistema. Recebemos encaminhamentos de assistentes sociais, de médicos, de cirurgiões-dentistas e outros profissionais que prestam serviço à rede pública.

Os trabalhadores das equipes de saúde devem ter em mente que todos os usuários, sem distinção, devem receber a sua atenção, e que há situações de peculiaridades, mas estas não devem ser pautadas na política, e sim no quadro saúde/doença do indivíduo. Cabe a este profissional  aliviar a dor, o sofrimento, melhorar a vida, evitar ou reduzir danos, criar vínculos positivos e diminuir o isolamento do cidadão, e não ser o “empregado” do seu gestor que “determina” que este ou aquele indivíduo seja atendido imediatamente, até porque o seu patrão, no melhor significado da palavra, é a população. 

O acolhimento e o acesso são práticas presentes em todas as relações de cuidado, nos encontros reais entre trabalhadores de saúde e usuários, e não deve ser usado como instrumento da antiga troca de favores com cunho político. 

Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, filiada ao Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) e escreve exclusivamente para este blog todo domingo - jackelynepontes@gmail.com

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Comentários (1)

  • Juliane | Domingo, 23 de Março de 2014, 10h02
    2
    0

    Infelizmente muitos gestores e pessoas não tem noção dos princípios e doutrinas do SUS, a Universalidade, Equidade e Integralidade, todos nós temos direito a atenção à saúde, assegurando nas ações e serviços em todos os níveis sem ter que usar outros meios.

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