Saúde pública: recidiva do caos

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Jackelyne Pontes

Sabemos que a saúde pública no Estado de Mato Grosso e, mais especificamente em nossa capital Cuiabá, é precária, um caos como muito de nós repetimos várias e várias vezes em nossas reflexões. A situação é realmente crítica. Inúmeros pontos importantes devem ser considerados e a resolução dos problemas está longe de acontecer, porém, a cada troca de gestor eu mantenho a esperança de avanço, de melhoras, de contar com o novo, sem a ilusão de que isso aconteça em todos os aspectos, porque isso soaria utópico demais, mas em algumas situações pontuais ao menos.

 

No momento estamos vivendo uma dessas fases de mudança, e eu rezo que o novo gestor, com a sua equipe não tão nova assim, tenha sabedoria e força de vontade de fazer o melhor pela população. O que me preocupa nesses casos é a falta de oxigenação na dança das cadeiras dos cargos de confiança. Pessoalmente, eu preferiria que ao invés de remanejar mais do mesmo, ou escolher chefes com o pensamento no passado e que de certa forma traz consigo uma forma amalgamada de pensar a saúde, o gestor pensasse uma equipe de gente com ares de trabalho, com força total, com capacidade administrativa, com ideias inovadoras, com preparo e formação na área, com o perfil de líder, e não de chefe. Penso que deveria ter preparo acadêmico e que encarasse a saúde pública como política e não como politicagem. A população e o sistema de atenção só ganhariam.

Eu não desisto de acreditar que a saúde pública venha a ser solução e não um problema para os seus usuários. A velha desculpa da falta de verbas deve ser superada e contornada com estratégias e ações conscientes. Os recursos, se aplicados de forma inteligente e driblando as duas grandes pragas da administração, a má gestão e a corrupção, podem trazer muito mais benefícios que possamos imaginar. Prova de que estamos contaminados são os constantes escândalos relatados nos meios de notícias. O pior cego é o que não quer ver.

Soluções simples como licitações para compras, aquisição de medicamentos com um prazo de validade que não expire rapidamente, assim como armazenamento adequado destes, evitar desperdícios, manter a equipe profissional motivada, com uma infraestrutura adequada e boa remuneração, medidas de administração dos agendamentos de consultas para evitar filas intermináveis, pensadas por líderes de vanguarda tirariam a população desta situação de iniquidade.

Exatamente por isso penso que o gestor de saúde, seja ele secretário, coordenador, gerente, deve ter formação em gestão. Deve exaustivamente ser preparado para agir com conhecimento de causa, e não ser aquele indicado, apadrinhado ou o que foi agraciado com o cargo porque está prestes a aposentar-se, não tirando o mérito dos profissionais experientes, porque sei de muitos que continuam em constante qualificação e poderia citá-los nominalmente, estou falando daqueles que ficaram perdidos no tempo e na história, jurássicos, retrógrados, e o pior, sem a mínima vontade de adaptar-se ao hoje, e que acostumaram-se com as suas salinhas e modus operandi de “chefe”.

Concluo dizendo que a saúde pública, os profissionais de saúde e usuários merecem líderes e não chefes, gente comprometida com o novo, com a realidade local, que saiba ouvir a voz do povo e transformá-la em ações resolutivas, merecem respeito.

Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, filiada ao Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) e escreve exclusivamente para este blog todo domingo - jackelynepontes@gmail.com

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