Ser professor: um desabafo

 

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Jackelyne Pontes

Lembro-me como se fosse hoje de todas as minhas fases da vida escolar. O “prezinho” das descobertas, o primeiro grau cheio de amigos, o segundo grau de crescimento pessoal, a universidade que me fez responsável, as pós-graduações que me trouxeram um aprofundamento nos temas relevantes de minha profissão e atualmente o mestrado que tem me ensinado a ter paciência, a observar com mais cuidado e, consequentemente, a ser mais crítica e, principalmente, a superar-me.

 

   Pois bem, em nenhuma dessas fases não pude e nem me permiti por um minuto sequer me portar de maneira inadequada em sala de aula. O professor, que na minha época era o “senhor ou senhora Fulana de tal” e não era “Tia, nem “Ei” e muito menos “Psiu”, era tido como autoridade máxima em sala de aula. Era admirado, era ouvido, era questionado, era desafiado, porém, sempre guardando o devido. Sou da época que as bandeiras eram hasteadas, que os hinos eram cantados com orgulho em alto e bom som, que as festas cívicas eram disputadíssimas com os desfiles, as apresentações nos pátios da escola e principalmente com o exercício do civismo.

 

   Tenho orgulho de contar a todos que certa vez em um evento solene, onde o tal CD com o hino nacional não funcionou, fui chamada para cantar o Hino Nacional, e cantei. Claro que desafinei, claro que tremi, mas a letra saiu correta e nem eu e muito menos as pessoas no recinto fizemos feio. Nesse dia agradeci imensamente a minha professora de OSPB (Organização Social e Política Brasileira), matéria hoje extinta dos currículos escolares.

 

   Hoje a coisa é completamente diferente. À frente de uma sala de aula o professor tem que ser animador de plateia, palhaço, mímico, tudo para entreter o seu ouvinte que está munido de laptops, smartphones e mais uma gama de parafernálias eletrônicas. Isso quando não chega tarde, sai cedo, e ainda questiona quando o professor fará a chamada. Falta formação, falta base, falta educação, falta saber o valor que o ensino tem em nossas vidas.

 

   O sentimento é de frustração quando um aluno, com um certo grau de instrução, levanta a mão para questionar o que significa “conceitue”, “exceto” ou “ilustre”, isso para não falar de exemplos piores. A banalização do ensino é algo preocupante. A tríade educação, saúde e segurança fica comprometida se o cidadão não tem uma formação como se deve. Vejo alunos letárgicos, desinteressados, e pior ainda, despreparados para receber conteúdos mais elaborados, com um nível de complexidade mais elevado.

 

   Não acho que a escola deve regredir, ao contrário, torço pela evolução escolar. Torço pela qualidade e pela formação de cidadãos conscientes. Não condeno o uso da tecnologia, mas que dentro de sala ela seja usada em favor do conhecimento, que ela traga facilidade de assimilação de conteúdos. Essa minha nostalgia é saudável e tem em si uma vontade de fazer o melhor, de ser um instrumento facilitador do saber, de despertar no aluno a vontade e a curiosidade inerente dos vencedores. Precisamos respeitar o espaço sagrado que é a sala de aula, precisamos fazer com que o professor tenha o seu valor reconhecido e, por fim, precisamos sensibilizar os alunos para o fato de que só a educação pode nos levar a galgar degraus cada vez mais altos.

 

   Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, filiada ao Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) e escreve exclusivamente para este blog todo domingo - jackelynepontes@gmail.com

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