SOS clínicas odontológicas

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Jackelyne Pontes

A saúde pública está mesmo indo ladeira abaixo. Em tempos de desabafos de profissionais nas mídias sociais, clamando por melhorias nas condições de trabalho e de gastos astronômicos para a preparação da nossa capital para a copa do mundo, assistimos na TV o caos instalado nas clínicas odontológicas de Várzea Grande. Na matéria estava lá estampada a extrema necessidade pela qual passa a população que é a parte mais prejudicada em todos os aspectos.

O Conselho Regional de Odontologia realizou fiscalização nas unidades de saúde bucal do município e constatou que, além das questões estruturais há questões humanas em jogo. Os usuários que procuram atendimento são obrigados a peregrinar pelas clínicas caso necessitem de tratamento, e muitas vezes são apenas medicados ao invés de serem atendidos efetivamente. A questão dos recursos humanos também é preocupante, pois profissionais estatutários encontram-se sem exercer a função por questões de ordem físico-estruturais, é dinheiro público sendo desperdiçado.

E não apenas a nossa cidade vizinha sofre as mazelas da má gestão. Em Cuiabá, como em Várzea Grande, estamos enfrentado tempos difíceis, talvez os mais complicados de todos os tempos. Em ambos municípios temos consultórios sem ar condicionado. Imaginem trabalhar no calor cuiabano! Aqui ar condicionado não é luxo. É necessidade. Muitas salas estão tomadas pelo mofo e umidade que podem provocar uma crise de alergia ou até uma infecção mais grave. Quando chove, algumas salas ficam completamente alagadas.

Há autoclaves quebradas ou quando estão funcionando são insuficientes para esterelizar todos os instrumentais clínicos reduzindo assim o número de pacientes atendidos por turno de trabalho, ou seja, o profissional se desloca até a unidade de saúde para atender três pacientes, havendo um subaproveitamento de sua carga horária. Ataduras sendo utilizadas no lugar de gaze, falta papel toalha, papel higiênico, sabonete líquido para lavar as mãos, isso para citar apenas alguns dos itens mais urgentes.

Temos profissionais capacitados na rede pública, dedicados e dispostos a trabalhar para o principal ator que é o usuário, mas para isso é necessário que as condições de trabalho sejam favoráveis. Em ambiente insalubre profissionais e pacientes correm risco de contrair alguma enfermidade. Entendo como total descaso este quadro alarmante em que se encontram os locais de trabalho.

Em Várzea Grande, das quinze clínicas odontológicas apenas quatro estão em funcionamento. Em Cuiabá todas estão funcionando, mas algumas precariamente. Em um mundo perfeito, a melhor solução seria a completa reforma das clínicas odontológicas, mas como todos sabemos que para tal são necessários recursos financeiros, e que estes são escassos, esperamos que os gestores os usem de maneira planejada, direcionando para os assuntos de maior urgência.

Deve-se pensar na segurança do profissional e do paciente, assim como na gestão inteligente do tempo, levando ao aumento da produtividade de acessibilidade. Mais vale uma assistência de qualidade, um usuário sem dor, atendido em suas necessidades básicas que um relógio ponto. É frustrante querer fazer e não poder. 

Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, filiada ao Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) e escreve exclusivamente para este blog todo domingo - jackelynepontes@gmail.com

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Comentários (2)

  • Simone Aparecida de Queiroz | Segunda-Feira, 31 de Março de 2014, 13h16
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    Parabéns Jackeline, moro enfrene a um centro odontológico que atende pelo SUS, e vejo como e um caos a infraestrutura do prédio e tem muitas pessoas dormindo de um dia pro outro pra poder ser atendidos. " Posto do CPA 3 setor 2 em Cbá/MT"

  • Juliane | Domingo, 30 de Março de 2014, 11h18
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    Parabéns pela matéria Jack, infelizmente é o que vem acontecendo com a nossa saúde pública cada dia mais e mais sucateada, os profissionais sem a minima condição de trabalho, além da falta dos materiais para atendimento ao nossos pacientes, não temos copo para tomar água, papel higiênico para ir ao banheiro, somos obrigados a fazer cota para comprar café e agora por ultimo até mesmo o sabão para lavar material de atendimento ao público. Mas somos sonhadores e quem sabe um dia iremos acordar com uma saúde pública melhor.

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