Beijinho no ombro do preconceito

Cantora desafinada Valesca Popozuda está passando seu recado, beijinho no ombro de quem consegue ouvir sem preconceito

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Maria Rita

Não vivo numa redoma. Já ouvi falar da Valesca Popozuda e de seu grande sucesso "Beijinho no Ombro". Mas confesso que só tinha escutado uma vez na TV. O hit foi usada como música de entrada de uma lutadora num ring de MMA. De protetor bucal, luvas, cara marrenta e um salto altíssimo, a atleta desfilou até o octógono dançando. Ao cantar "desejo aos inimigos vida longa" eu pensei que a música era perfeita para ilustrar tal momento.

Passado poucos dias vejo circular pela internet a notícia de que numa prova de filosofia havia uma questão sobre a música da Popozuda. A polêmica foi às alturas ao citar a cantora como uma pensadora contemporânea. Eu achei que fosse um viral. Uma super sacada de marketing ou algo do gênero mas, de acordo com minhas pesquisas na web,  foi um teste do professor para descobrir provar que a imprensa é sensacionalista. Se é verdade ou não ainda é cedo para concluir.

Ontem a banda cuiabana Vanguart foi ao programa matinal da Fátima Bernardes na Rede Globo. Em dado momento da participação eis que eles apresentam uma versão do hit. A justificativa para a homenagem segundo o vocalista Hélio Flanders é a melodia marcante da música. Ele emendou ainda que a MPB propriamente dita é muito formal e deveria aprender com o universo pop a chegar ao consumidor de maneira mais coloquial.

Inspirada pela chancela do músico de gosto refinado e no projeto do professor de filosofia resolvi dar uma "googada" na musa do funk. Encontrei uma entrevista à Marilía Gabriela realizada no início de 2012. Nela a cantora expôs a trajetória de vida. Os 19 irmãos, a saída de casa aos 14 anos, a maternidade aos 20, trabalho pesado como frentista e outras situações comuns na realidade de muitas meninas da periferia do Rio de Janeiro e de outras cidades. O que eu achei interessante na entrevista e no conteúdo de várias letras do trabalho dela é a determinação e a exaltação da independência feminina. Claro que ela canta coisas pesadas e com grande apelo sexual. Mas isso é sempre colocado como uma escolha da mulher e não uma imposição. Ouve quem quer.

Um certo tempo atrás a mulher encontrava este tipo de inspiração em letras de rock nacional. Rita Lee e bandas famosas dos anos de 1980 tinham esta pegada. Mas com o tempo as bandas mais populares têm apresentado um material chocho. Não quero aqui alçar a funkeira ao patamar que grande cantora nacional.  Mas é interessante notar como o encontro de uma melodia simples e uma letra boa pode render um baita sucesso. A cantora desafinada está passando seu recado, beijinho no ombro de quem consegue ouvir sem preconceito.

Maria Rita Ferreira Uemura é jornalista, empresária, diretora da empresa de eventos de aventura ULTRAMACHO e escreve exclusivamente toda quinta-feira neste Blog (www.ULTRAMACHO.com.br) - e-mail: ferreirauemura@gmail.com

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Comentários (4)

  • Ana Claudia Peixoto | Sábado, 19 de Abril de 2014, 09h07
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    Eu gostaria de saber o resultado desta pesquisa e saber se o gesto ser ou não considerada ela uma intelectual contemporânea?

  • Celso Bicudo Jr. | Sexta-Feira, 11 de Abril de 2014, 11h01
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    Antigamente o funk ( derivação do estilo musical Miami Bass) era uma cultura tida como de "submundo" e que possuía letras que retratavam a realidade das comunidades mais violentas e esquecidas pelo poder público, especificamente, no Rio de Janeiro. Falava-se de Drogas, violência, crime, pobreza e outros pontos de quem vivia e vive ainda, vítima de um apartheid social! Hoje após a "evolução" do funk ( New funk, funk melody...), o funk, mesmo, não representa mais uma identidade, uma realidade que mesmo chocante era cantada, como um grito de socorro ou como um tapa na cara da sociedade Brasileira! Hoje ele é baixo, abstrato, comercial, sem contexto social, sem vínculos com suas raízes pretéritas. Não representa uma cultura ou comunidade mesmo que depravada ou esquecida! Não retrata fielmente a realidade, apenas, incentiva a "luxúria" em meio a pobreza (Funk ostentação) e banaliza a figura feminina, diminuindo a mulher em duas vertentes; as que "são gostosas poderosas" e as que "não são" ("recalcadas"), incentivando a futilidade desse discurso com a frase "beijinho no ombro". O funk apresentou ao Brasil e aos brasileiros, através de seus primeiros artistas, vinculados ou não ao crime uma realidade triste e corrompida.Isso é fato! Hoje ele serve ao mundo capitalista e as grandes industriais fonográficas, seus "heróis morreram de overdose" e os artista atuais muitos já não vivem mais e nem representam a sua comunidade, afinal, a realidade continua a mesma, mas sem ninguém para projeta-la como antes. Engraçados que os grandes artistas de funk de hoje usam corrente de ouro, anel de ouro, roupa de marca enquanto pessoas de sua comunidade e até mesmo de sua família não tem o que comer e nem onde morar e os crimes patrimoniais imperam! As grandes Artistas mulheres usam roupas caras, fazem plásticas, letras sensuais, pra não dizer pornográfica, durante o show exibem toda a sua "abundância", enquanto um dos principais problemas nas favelas é a prostituição infantil e a gravidez precoce! Acabou-se a cultura Funk, mas não acabou a pobreza! Conseguiram desvirtua até o que muitos equivocadamente já dizia que o era.

  • Sanderson | Quinta-Feira, 10 de Abril de 2014, 11h38
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    Presada Maria Rita Ferreira Uemura,apesar não ter formação academica e menos ainda ser empresário, gostaria de expressar aqui minha opinião, acredito não ser uma pessoa preconceituosa ( não é demagogia não ) afinal ouço e gosto muito de NXzero,Pitty, Emicida, Gabriel o Pensador entre outros mas o fato é, este tipo de musica não é uma boa opção pra se passar algum tipo de recado , pelo que pude perceber no texto acima o fato de a pessoa simplesmente não gostar de algo virou modinha no Brasil você já é taxado de Preconceituoso. o fato é que o povo tem que conviver ouvindo certas ( ***erdas) mas não se pode coibir ...pois isto é preconceito, acho isso o cumulo , pois nossos filhos são bombardeados por estes ( falsos moralistas ) tentando 'passar a sua mensagem' e somos obrigados a simplesmente aceitar ou então .....ja sabe é Preconceito. constantemente a gente vê as piadinhas nas redes sociais no que se refere o Brasil as pessoas dizem ( vou em bora deste Pais ..bla bla bla.. ) pois bem ...o Brasil é um dos melhores países do mundo pra se viver ...o problema são 'algumas pessoas' que ... eu poderia dizer que estão no Pais errado ..( Mas ai ja seria preconceito né ...??!! )

  • José Bonifácio | Quinta-Feira, 10 de Abril de 2014, 11h31
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    Que artigo mais ridículo, sem nenhuma informação, sugestão, instigação. Falou por falar, não somou nada. Além lógico de apupar o mal que o funk faz à sociedade.

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