Não há mais um mundo privado?

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Olga Lustosa

A realidade da vida na era digital é que praticamente tudo o que fazemos deixa um rastro que é compartilhado com outros. A empresa de telefonia armazena nossos dados, os provedores de internet e empresas de cartão de crédito também o fazem. As redes sociais armazenam muito mais do que dados, armazenam interesses de consumo e desejos íntimos.  Tanto o Google, como Facebook e Twitter podem obter informações muito precisas sobre os indivíduos, cruzando dados dos comentários feitos.

A explosão das mídias sociais e da vontade das pessoas de compartilhar informações online sobre si mesmas tem fornecido uma pegada digital com o qual pode-se rastrear praticamente qualquer pessoa no planeta. E, portanto, quem utiliza internet não pode definitivamente esperar que suas informações sejam privadas. Estamos vivendo em uma era digital e as empresas usam as nossas informações em uma base regular, ou, às vezes nos expõe demasiadamente vulneráveis, mas isso é um fato da vida moderna.

 

É bem verdade que existe diferença entre o que se fazia com os registros de dados em décadas passadas com o que pode ser feito hoje. As empresas e os governos agora têm uma capacidade infinita de coletar dados eletrônicos. Entretanto, os métodos de proteger a individualidade devem evoluir à medida que a tecnologia avança.

Algumas pessoas reclamam que querem ter privacidade e que a intrusão ocorre indiscriminada nas redes sociais. O fato é que todos temos direito de permanecer em silêncio, manter certas informações confidenciais, assim como outras pessoas têm o direito de informar-se sobre o mundo, inclusive sobre nós. As tecnologias não vão invadir a privacidade. As pessoas, ao utilizar inadvertidamente as tecnologias, é que ameaçam a própria privacidade.  As informações que liberamos sobre nós mesmos é que revelam nossas intimidades. Ajuste o nível de privacidade para o que você considera ideal.

 

Existe um site específico que armazena dados e informações sobre empresas, onde pode-se checar e bisbilhotar registros corporativos, chama-se “ Open Corporates”. O site busca informações em orgãos públicos, centrais de regulação e construíram um banco de dados impactante. A Open Corporates tem registro de empresas no mundo todo e as disponibiliza facilmente para pesquisas. Porém, há limites, pois que as informações são alimentadas pelas próprias empresas, que podem omitir dados, alterá-los ou induzir a leitura equivocada.

Existem, claro, muitas formas de invasão de privacidade, como a chantagem com o uso indevido de dados pessoais, da imagem, a compilação de informações para construir dossiês secretos, o que não é novidade, sobretudo em períodos eleitorais. Uma boa metáfora sobre a utilização de dados pessoais para se construir dossiês é o livro “O Julgamento”, do escritor tcheco Franz Kafka, que no dia do seu aniversário é levado preso sem conhecer o motivo. Ele tenta desesperadamente obter informação sobre o que ocasionou sua prisão e descobre que um misterioso sistema judicial tem um dossiê secreto sobre ele. O problema pode ser a forma como a informação é processada, como os dados coletados são manipulados, utilizados ou distorcidos. Privacidade, em outras palavras, envolve tantas coisas que é impossível enumerá-las.

Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e escreve exclusivamente neste Blog toda terça-feira - olga@terra.com.br

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Comentários (2)

  • Miriam Braga | Quarta-Feira, 08 de Janeiro de 2014, 10h00
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    Muito bom ler vc. Belo artigo.

  • Olga Lustosa | Quarta-Feira, 08 de Janeiro de 2014, 09h37
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    No último parágrafo faço referencia ao fabuloso livro de Kafka, The Trial, que no Brasil foi traduzido como "O Processo" e não O Julgamento, como eu escrevi. Na verdade pensei em inglês, após 2 semanas de férias no exterior. Desculpa!

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